sábado, 23 de maio de 2009

Admirável mundo da arte

O paisagismo de Claude Lorrain

ou o poeta da luz

Claude Lorrain (Lorena, 1600; — Roma, 23 de Novembro de 1682), foi um dos mais conhecidos pintores franceses, admirado pelas paisagens campestres e urbanas que pintava. As pinturas de Claude se tornaram tão populares e imitadas que para evitar falsificações, ele começou a anotar suas obras em um caderno de desenhos.  Variações de luz e atmosfera. Em suas obras posteriores a luz foi o principal assunto. As formas são dissolvidas. Há grandes panoramas de terra e mar.

O que atraiu Claude na paisagem do Lácio foi beleza da luz, e por meio de sutis gradações luminosas ele conseguiu dar a impressão de espaço. Claude foi o primeiro pintor que realmente olhou para o sol no esplendor da aurora, do meio-dia ou do poente e expressou a poesia das diferentes horas do dia. Saturado do cenário natural, regressou ao ateliê para compor seus quadros, adicionando lhes vida na maneira clássica, por meio de uma ação inspirada na mitologia, na história antiga e na Bíblia.

Claude via o mar como um elemento poético multiplicador da luz e emoldurava-o com palácios de sonhos, freqüentemente animando seus quadros com cenas de embarque ou desembarque inspiradas na história ou na religião.

O que é representado não é a poderosa vida de terra e mar, nem as forças da natureza em sua eficiência, mas nostalgia humana por tranqüilidade e paz. Paira sobre essas cenas um ar de nostalgia e de experiências do passado, resgatados com brilho e esplendor pela memória.

Lorrain imprime ao seu cromatismo (maneira de distribuir e empregar as cores na pintura) um forte sentido simbólico: tudo que se refere à natureza divina ou apresenta um aspecto de serenidade possui tons de azul; a força do amor é representada por meio do vermelho ou de tons incandescentes; a magnificência é marcada pelo amarelo; a submissão, pelo roxo; a esperança, com o verde.

Foram conservadas cerca de 250 pinturas de Lorrain e mais de mil desenhos. Suas primeiras obras eram mais animadas e de caráter bucólico, a exemplo das "Danças de camponeses". A partir da década de 1640, suas composições tornaram-se mais claras e monumentais, com influência dos paisagistas bolonheses, como se pode observar no "Embarque da rainha de Sabá".

O embarque da Rainha de Sabá – Claude foi buscar o tema do porto marítimo do pintor flamengo Paul Bril, mas transformou numa evocação heróica o que era uma ilustração naturalista, celebrando a beleza da luz do sol, refletida no mar nos edifícios imaginários que emolduram a paisagem. O verdadeiro conteúdo é formado pela luz do sol que satura a amplidão de mar e céu, de certa forma capturada pelo cenário das construções do porto, para poder derramar-se até o primeiro plano nas cintilações das ondas e no brilho nas construções, navios e pessoas. Este poema épico atemporal de luz revela a beleza de um mundo construído de presente, passado e fantasia, ao mesmo tempo realidade e sonho.

A árvore de Claude é tão arranjada com o pincel que não conseguimos acompanhar sua estrutura como uma forma contínua. Sua pincelada fica solta, pendente no ar e na luz. Essas pinceladas, tão livres e espontâneas, não são dissecadas como nos estudos de uma árvore. São vistas como pontos de claro e escuro um ao lado do outro. São impressões genuínas de cor, traduzidas nesses pequenos traços moventes, rítmicos, que chamamos de pinceladas. A massa da árvore é quebrada e turvada por uma atmosfera e iluminação que volatizam parte da paisagem.

 
Pinturas:
1- O desembarque de Cleópatra em Tarsus (1642-3)
2- O porto de Sunrise (1674)
3- A expulsão de Hagar (1668)
4- Via imaginário de Tivoli (1642)
5- Ulisses retornando ao pai (1648)
6- Paisagem com o casamento de Isaac e Rebeca (1648)
7- O desembarque da Rainha de Sabá (1648)
8- Árvores


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