sexta-feira, 1 de maio de 2009

Letras acreanas

Folk-lore Acreano,

Um livro para ser lembrado

 

 

Datado de 1938, Folk-lore Acreano é um dos primeiros livros a esboçar a vida cultural do Acre. Essa obra de autoria de Francisco Peres de Lima faz como que uma espécie de documentação sobre a sociedade acreana ainda em formação. O livro conta 154 páginas, divididas em duas partes. Nele está contido desde relatos sobre o meio físico até uma análise da dialetologia acreana. O autor apresenta dados interessantes acerca da formação da população acreana, da vida do seringueiro, do comércio, etc. Na primeira parte, ele aborda o fato da cultura material, como a habitação, a alimentação, os meios de transportes, as artes plásticas, etc. Na última parte, ele se detém na descrição da cultura espiritual, apresentando algumas lendas, mitos, danças, aspectos sobre a poesia, a música, etc. O livro é ainda prefaciado pelo grande folclorista brasileiro Joaquim Ribeiro.

Folk-lore Acreano, apesar da pouca densidade como são trabalhados alguns temas, é um livro de grande relevância para se compreender muitos aspectos da história do Acre, pois trata-se de uma descrição rica em detalhes e uma das primeiras obras à apresentar a sociedade acreana e sua diversidade cultural ao restante do Brasil, que pouco sabia sobre essa região ou ignorava saber.

Para ilustrar a riqueza do livro cito alguns aspectos curiosos. Um deles é em relação à domesticação do peixe poraquê que é notável pelo seu crescimento e interessante pela forma como fica domesticado. Peres narra que o poraquê domesticado (pelos indígenas) atende aos chamados da pessoa que o cria, não transmitindo a sua corrente elétrica a ela, isso, porém, não sucede com os estranhos, que, ao tocarem-no, são logo atingidos por um choque violentíssimo. Nunca havia imaginado que poraquês pudessem ser domesticados. Outro aspecto é em relação às danças, que conforme Peres eram muito variadas no Acre, entram até as que divertem os peruanos e bolivianos (la cueca y la marinera). Destacavam-se a quadrilha, cabeça de bagre e o lundu, todas da roça.  A quadrilha segundo ele, quase extinta e o lundu restando apenas a música. Enfim, são inúmeras outras descrições não menos interessantes.

Folk-lore Acreano, hoje, é uma obra rara, o que torna cada vez mais difícil o seu acesso, fato esse que deixa uma significativa lacuna para o grande público acreano. Sobre Francisco Peres de Lima têm-se poucas informações. Sabe-se que ele era padre e pelo visto um grande apaixonado pela sua terra, como ele mesmo confirma no final do livro: "O "Folklore Acreano" não tem outro intuito senão despertar o Brasil para o seu grande dever civilizador. Não é um protesto. Nem tão pouco uma denúncia. É apenas um apelo de um patriota que quer ver seu torrão natal integrado nos seus altos destinos". É uma autêntica alma acreana a reivindicar o lugar merecido do Acre junto à sua pátria, o que por longos anos o próprio Brasil renegou.

 

Referência e sugestão de leitura:

Lima, Francisco Peres de. Folk-lore Acreano. Rio de Janeiro: Brasília Editora-Rio, 1938.



2 comentários:

Sachin Malhotra disse...

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Isaac Melo disse...

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