quarta-feira, 17 de junho de 2009

NOSSA POESIA DE PROTESTO

CADÊ A MACAXEIRA?

Silene de Farias*

 

É pouca a farinha no prato

E muita água na macaxeira.

É da gripe crônica

À falta de lambedor.

É um filho no peito,

Outro no bucho,

Outros quatro lambendo o dedo.

A rapadura foi pouca!

É a tristeza do companheiro,

A goteira que aumenta

E molha um outro filho

Que arde em febre...

É a peste!

É o andar curvado,

Do peso secular da carga.

É o brilho dos olhos desfeito

Pela fumaça do látex.

A memória é forte!

 

* Maria Silene de Farias Franca (1951-) é natural de Tarauacá-AC. Em 2002 organizou e publicou Bairro XV e Cidade Nova, por meio da Prefeitura Municipal de Rio Branco e Fundação Garibaldi Brasil, da qual ocupava o cargo de presidente. O poema acima foi retirado do livro da Profª. Dra. Margarete Edul Prado, "Motivos de Mulher na Amazônia: produção de escritoras acreanas no século XX" (EDUFAC: 2006). Segundo a pesquisadora, esse poema faz parte de uma coletânea de poemas publicado em 1981 pelo grupo denominado Cia Teatro 4º Fuso, sob a responsabilidade de Jorge Carlos. Este grupo se voltava para uma poesia de cunho social, tematizando acerca dos problemas do campo, da exploração, da miséria do seringueiro, etc. O livro, produção independente, em formato de brochura consta de 50 poemas, com desenhos, gravuras e reproduções de quadros de artistas locais, a saber, Hélio Melo, Dim (Raimundo Mendes), Carlos Mejido, Jorge Carlos e Saulo Ribeiro retratando cenas de queimadas, do cotidiano e moradia do seringueiro, da mata, das opressões. No livro Silene de Farias assina três poemas.



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