terça-feira, 16 de junho de 2009

O CANTO DOS URUS

 

O uru é uma ave pequena da região amazônica, pouco maior que um pinto, de cor parda, pintado de branco, muito comum no Acre.

Vive pelo chão sobre pequenas moitas, sempre aos pares.

Seu canto, embora tão triste que chega a magoar a quem ouve, é belo, de uma magia estranha.

 Quase não se escuta outra voz senão a sua, em toda a mata, desde a boca dos varadouros até entrar-se nos atalhos, batidas ou pernas de estradas dos seringueiros.

É a primeira ave a dar os bons dias aos seringueiros.

É ela que o desperta e que, depois, o acompanha pelas picadas a caminho das seringueiras.

E o seu canto, espécie de fala dialogada, saudosa, cheia de ternura, encanta e magoa, ao mesmo tempo, os seus ouvidos, pelo dia todo:

- Quem... vai...?

- pô... tô... co...?

- Quem... vai...?

- pô... tô... co...?

É uma melodia de um efeito surpreendente, que jamais, poderá esquecer na vida esteja onde estiver, aquele que a ouvir.

Não há uma nota discordante, que entoe confusa, um engano entre os executantes.

É em a natureza virgem, fora da presença do homem, onde está a força viva, poderosa da grandeza de Deus.

Jamais os ouvidos acreanos foram embalados por toada mais bela e harmoniosa que a dos urus.

O seringueiro criou, até, a lenda de que toco, nome dado aos troncos das árvores em geral, recebeu essa denominação da fala dos urus.

 

Referência e sugestão:

FILHO, José Inácio. Fatos, cultos e lendas do Acre. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1964.



Postar um comentário