segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um livro carregado de nostalgia

Álbum do Rio Acre

"É um livro feito com muito sacrifício.

Deve valer alguma coisa."

Emílio Falcão

 

Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior, no livro A rosa do povo tem um poema, "Noite na repartição", onde encontramos os seguintes versos: "certos papéis são sensíveis, certos livros nos possuem". Esses versos resumem bem o livro Álbum do Rio Acre, uma verdadeira obra de arte, que adquiri recentemente de um sebo do Rio de Janeiro.

Álbum do Rio Acre data de 1906-1907 de autoria de Emílio Falcão. Trata-se do maior acervo iconográfico relativo à Revolução Acreana e da vida socioeconômica dos Seringais do Rio Acre. Um dos poucos documentos de relevância cultural que se conservaram daquele período de grande prosperidade econômica.

O Álbum focaliza o vale do rio Acre logo após a incorporação do território ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis (1903). Aí estão, numa impressionante seqüência, os barracões dos seringais, com nomes brasileiríssimos, todos à beira do rio.

Nas primeiras páginas do livro encontramos uma galeria de retratos em homenagem aos revolucionários, que constitui documentação única que possibilita resgatar a imagem dos protagonistas da revolução acreana, liderada por Plácido de Castro.

Conforme Jacó Cesar Piccoli, ao registrar através de fotografias os seringais do baixo Purus, do baixo e alto Acre, da sua foz até Xapuri, Emílio Falcão não apenas documentou a paisagem do novo território conquistado aos bolivianos, mas os tipos humanos, os habitantes, os costumes da época, os tipos de embarcações (gaiolas, vaticanos, batelões, etc), enfim, aspectos de uma cultura que surgia com vigor em plena Amazônia.

No "Pórtico" de seu Álbum, Emílio Falcão ressalta: "É um livro modesto, mas verdadeiro. (...) Tudo o que aqui se encontra é a expressão fiel da verdade, recolhida pelo auctor atravez de quinhentos e cincoenta kilometros, aproximadamente, percorridos entre a foz do Xapury e a foz do Acre, sem comodidade alguma, exposto ás surpresas do clima e aos perigos da travessia". Pelas palavras notamos o quanto o autor se esforçou para retratar de fato a realidade tal como era, o que dá grande credibilidade ao trabalho. Além do "Pórtico", o livro contém de textual, apenas dois outros fragmentos intitulados: O Acre e Revolução, que dissertam acerca da época. O restante do livro são fotografias e gravuras, todas legendadas.

Embora, sem referência a data, o Álbum do Rio Acre teve uma reedição fac-similada, talvez por volta de 1985, sob o auspício do Governo de Nabor Júnior, com iniciativa do antropólogo Jacó Cesar Piccoli, então presidente da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos, da Cultura e do Desporto. Nessa reedição, foram conservadas todas as características da obra original, sendo acrescentada apenas uma apresentação de Jacó Cesar Piccoli e uma introdução de Leandro Tocantins.

Sobre a vida de Emílio Falcão sabe-se que ele era um conceituado dentista, que veio para o Acre no início do século XX. Não encontrei referência onde possa ter nascido ou onde tenha falecido.

O Álbum do Rio Acre está carregado daquilo que Leandro Tocantins chamou de nostalgia. E não se trata de simples retórica, ou manifestação de sentimentalismo, como ele mesmo adverte. Mas de criar nostalgia ao passado, criar saudade "na busca de compreendê-lo, reconstituí-lo, interpretá-lo através da penetração em seus valores e símbolos". Um livro cheio de vida, feito também para dá vida!

 

REFERÊNCIA e sugestão

Falcão, Emílio. Álbum do Rio Acre: 1906-1907. Sem editora e sem data.

 

P.S. assim que escanear postarei algumas fotos do livro.



3 comentários:

Palazzo disse...

Simplesmente.
M A R A V I L H O S O !
PARABÉNS PELO ACHADO.

Blog Josefa Zélia disse...

olá Isaac, hein visita o blog da mae é http://www.josefazelia.blogspot.com/
ok
abraços !

Blog Josefa Zélia disse...

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tailandia