sábado, 4 de julho de 2009

CENAS E CENÁRIOS DA GRANDE HILÉIA

AMAZÔNIA PANTEÍSTA

(Cenas e cenários da grande Hiléia)

 

"A selva despojada pela exploração do homem, o homem explorado por despojar a selva!"

                                   Mavignier de Castro

 

São muitas as bibliografias acerca da Amazônia, mas poucos são aqueles que conseguem expressá-la de uma forma natural e instigante, sem cair numa narrativa burlesca ou numa visão romântica de selva e seus exóticos habitantes.

Amazônia Panteísta é um dos exemplos de livros que conseguem captar e expressar sob a forma da palavra, as mais diversas cenas e cenários que compõe a grande Hiléia, num tom poético e denunciador. Publicado pela primeira vez em 1958, Amazônia Panteísta, de Mavignier de Castro, é um livro de rara beleza.

Na segunda edição que o livro ganhou em 1994, Djalma Batista prefaciando a obra, assim sentenciava: "Os 16 capítulos de AMAZÔNIA PANTEÍSTA constituem, do ponto de vista literário, sem favor, a mais bela e a mais completa descrição da natureza planiciária". Verdade é, o livro como um todo compõe um grande poema, apesar de se tratar de uma narrativa. Uma narrativa, no qual o foco não está no homem, mas na natureza que "coroa uma vida, glorifica uma terra e encerra uma época – a época dos apaixonados platônicos da grande planície".

Mavignier de Castro, um homem de rara inteligência, estudou humanidades em Paris e viveu a juventude na Europa. Retornou para o Amazonas e lá se fixou, definitivamente. Jornalista militante, foi secretário do Jornal do Comércio e redator de numerosos diários já desaparecidos. Viveu mais de 20 anos no interior, como promotor em Tefé e outras Comarcas, e prefeito da cidade de Moura.

Por detrás das páginas de Amazônia Panteísta, como bem frisou Djalma Batista, estão sofrimentos sem contas, peregrinações exaustivas, desilusões e tristezas, além de impressionantes aventuras, que dão à história de Mavignier de Castro uns tons entre heróicos e trágicos.

Diante da beleza e grandeza dessa obra, um verdadeiro poema de denúncia e amor à Amazônia, deixo aqui um trecho como convite à sua leitura:

"Obsedado, o seringueiro, pela idéia de uma rápida emancipação econômica, sempre que regressa do barracão patronal, torna a incisar sadicamente as árvores de suas "estradas", na ânsia de colher maior quantidade de látex coagulante com o qual soldará seus prementes e sempre renovados compromissos. Identificados, igualmente, com a opulência da floresta voraginosa, o caçador e o madeireiro retornam-lhe ao âmbito agressivo, reanimando na luta a têmpera máscula das próprias energias quebrantadas pela ganância desumana de quantos lhes especulam o insano labor. Daí, talvez, a fatalidade indesmentível deste ciclo axiomático:

– A SELVA DESPOJADA PELA EXPLORAÇÃO DO HOMEM, O HOMEM EXPLORADO POR DESPOJAR A SELVA!"

 

REFERÊNCIA E SUGESTÃO:

CASTRO, Mavignier de. Amazônia Panteísta: cenas e cenários da grande Hiléia. Manaus: Universidade do Amazonas, 1994.



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