quarta-feira, 1 de julho de 2009

EXPRESSÕES RELEVANTES DA POESIA ACREANA ATUAL

O AMOR E O FIM DAS GUERRAS

 

José de Anchieta Batista*


A metralha ali gargalha...
Serra, serra a motosserra...
E enquanto mata a metralha,
Sua irmã - mas que canalha! -
Lá na mata, a mata serra!

Sucumbe a vida na Terra...
E ao fim de cada batalha,
Parece perdida a guerra:
- Gargalha a motosserra!
- Sorri de nós a metralha!

Mas se o amor se agasalha
Nos corações... se encerra
O destruir que se espalha...
- Fará silêncio a metralha!
- Será muda a motosserra!
...........................................


* José de Anchieta Batista é acreano nascido em Teixeira, na Paraíba. Formado em Ciências Contábeis pela UFPB exerceu diversos cargos públicos no Acre. Autor dos Livros: Cantos e Lamentos (1987), Menino da Rua do Bagaço (1991) e Contabilidade para principiantes (1989). Atualmente mora em Senador Guiomard – Ac, e está trabalhando na organização e seleção de algumas de suas produções literárias para publicação. Sem dúvida uma das grandes expressões poéticas do Acre atual.

Conheça um pouco mais da poesia do nosso poeta Anchieta Batista visitando o seu blog:

http://blogdoanchieta.blogspot.com



Um comentário:

ANCHIETA BATISTA disse...

Isaac

Muito obrigado.
Acredito, sem falsa modéstia, não merecer este destaque. Fiquei realmente lisonjeado.

Aproveito este instante para falar-lhe de uma boa novidade:

A Professora Maria Luísa Galvão Lessa (UFAC), com um curriculum de fazer inveja a muita gente que se diz conhecedora de nossa língua, escreveu hoje, 1º/7/2009, em "A Gazeta", um artigo de excelente qualidade em que defende a rebeldia quanto às novas regras ortográficas, no que tange à mudança de "acreano" para "acriano". Lamenta que as pessoas tenham silenciado quanto a isto. Imediatamente remeti-lhe um e-mail em que transcrevi aqueles versos que você já conhece. Hoje mesmo, enviou-me a resposta abaixo, em que nos conclama a levantar a bandeira novamente:


"Prezado José de Anchieta,

O teu e-mail quebrou a quietude do silêncio e encheu de alegria meu coração acreano. Obrigada por ler meus escritos e mais agradecida fico por essa interlocução de cumplicidade.

Veio-me à mente, ao ler teu e-mail, o jesuíta José de Anchieta, um lusitano que se entregou ao Brasil de corpo e alma. Para os índios, foi médico, sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles e (seguindo a tradição missionária, que mandava assimilar e registrar os idiomas) escreveu a "Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil", publicada em Coimbra em 1595.

Os teus versos --- igualmente o trabalho do outro Anchieta --- são maravilhosos, nada a dever aos maiores poetas. Embora seja um paraibano, tal qual o outro Anchieta era das Ilhas Canárias, tomou o Acre como tua terra. E, aqui, igualmente o Anchieta das Canárias que se fez brasileiro, o amigo se fez acreano. Agora, luta ao meu lado pela manutenção do nosso gentílico. Que maravilha! São esses os maiores prêmios da vida.
Estou encantada. Os versos são lindos! Vamos retomar essa luta, ajude-me!

Um abraço,

Luísa
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Seria bom que o nobre amigo entrasse em contato com ela. Seu e-mail é: www.colunaletras@yahoo.com.br/
Sua coluna em "A Gazeta" é "Letras e Letras"

Um abraço

Anchieta