terça-feira, 29 de setembro de 2009

DEUS, O SENADO E O POVO

Sodoma é aqui!
(crônica)

Lauro da Silva Ferreira*

              Sou um amante da boa política, se é que política possui conotação moral. Tenho acompanhado com muita atenção e pesar a crise política que abarcou o Senado Nacional. Parece haver controvérsias quando se fala da natureza dessa crise, se ela é moral ou “apenas” por motivo de interesses políticos. No entanto, essa discussão não parece ser muito importante, uma vez que teríamos que apontar o que seria menos desastroso. O fato é: o Senado, com quase duzentos anos de história, tão importante para o panorama político de uma república democrática, está morrendo.
             Como deixar que o senado morra? Por que permitir que esse espaço de sabedoria política padeça? Por que não lutar por uma instituição senão totalmente limpa da corrupção, ao menos voltada para o seu objetivo primeiro e essencial – legislar? Não poderia, como cidadão que sou, ficar apático a essa situação.
              Tive, então, uma conversa séria com Deus:
              ___ Vós, ó Pai, que sois onipotente e onisciente, por que permitis que nosso Senado chegue a tal situação? Será que todos nós brasileiros, e todos os senadores honestos e trabalhadores, temos que pagar pelos senadores (as) corruptos (as)? Por acaso, se houver cinquenta senadores (as) honestos (as), estes cinquenta pagarão por todos os outros?
             O Senhor me respondeu:
              ___ Se acaso houver cinquenta senadores, não deixarei o senado morrer.
              ___ Meu Senhor, e se faltarem poucos senadores honestos para completar os cinquenta, deixareis o senado morrer mesmo assim?
              Novamente me respondeu:
             ___ Se por ventura houver quarenta senadores honestos, não deixarei o senado morrer.
              Novamente insisti:
            ___ Meu Senhor, peço que não vos irriteis com o vosso servo se vos perguntardes novamente: E se houver trinta?
             O Senhor me respondeu:
             ___ Por causa dos trinta, não permitirei que o senado morra.
             Voltei a insistir:
            __ Meu Deus, não vos irriteis se eu vos perguntar somente mais uma vez: E se houver dez parlamentares honestos e trabalhadores?
             ___ Por causa dos dez, não permitirei que o Senado morra.
            Nesse exato momento, interrompi a cansativa e insolente insistência, certo de que havia ao menos dez senadores honestos e trabalhadores. Pensei comigo mesmo: O senado está a salvo para sempre, estou feliz! Ludibriado pelas limitações humanas, despercebi-me da onisciência do Deus soberano, que não tardou em corrigir-me:
             ___ Disse-lhe que salvaria o Senado se houvesse ao menos dez bons senadores, e nesse momento farei o prometido, mas há cento e vinte milhões de brasileiros que, pelo seu livre arbítrio e poder do voto, tornarão a decretar a morte do senado.

*
***

* Lauro Ferreira é marista e graduando em Filosofia pela PUC-PR.

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Obs: E a responsabilidade do povo onde fica? Como bem ressalta a crônica, o povo que cobra moralidade dos senadores não são tão morais assim (Não que todo brasileiro seja assim, façamos nossas exceções). Exigem mudanças e acham vergonhoso a atual situação em que as principais instituições legislativas se encontram, porém, continuam vendendo seus votos e elegendo aqueles de sempre. Consciência, ainda que tardia!  I.M.

Um comentário:

Denise disse...

Como já havia dito há um tempo atrás em um post sobre o Sarney.. Enquanto não mudar a mentalidade da grande parte do povo brasileiro (o famoso 'jeitinho'- um horror)... A política também não vai mudar.. afinal.. a política é um reflexo do país né... infelizmente :(
[]s