terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ARARAS DE CORES

O conto, no Acre, ganhou força a partir de 1942 com o lançamento de Sapupema: contos amazônicos, de José Potyguara. Num primeiro momento, a temática do conto acreano é de cunho documental, ou seja, procura-se registrar a relação da terra e do homem com a natureza; num segundo, dá-se o rompimento com essa forma documental abrindo-se para novas possibilidades e maneiras, com temáticas de abrangência além da região.

Em vinte contos e dois sonetos, o contista Odin Lima registra ‘realisticamente’ a vivência do homem amazônico num período em que a borracha entra em decadência. Trata-se do livro Araras de Cores: contos acreanos, lançado em 1989, pela então Editora CEJUP de Belém-PA. Odin Lima nasceu em 1928 na cidade de Cruzeiro do Sul, autodidata, leitor exímio, bancário. Residiu no Pará, Minas Gerais, Paraná, além do Acre, sua terra natal.

Odin Lima, conforme ressalta Luiz Lima Barreiros, escolheu, para seu livro de estreia, entre algumas dezenas de estórias curtas de sua autoria, as vinte que melhor representassem épocas, costumes e labores da inóspita região do médio Juruá. É o próprio autor quem acentua que as estórias que compõem o livro são estórias de trabalho e miséria, de miséria e escravidão, de escravidão e violência, de violência e morte. Todavia, são, principalmente, estórias de coragem, de estoicismo e de amor.

As narrativas de Araras de Cores possuem temas variados que vão do seringal à cidade e da cidade ao seringal e retratam ora um narrador menino ora um narrador adulto encharcado de recordações. O conto “Vida de Seringueiro” é, a meu ver, um dos mais dramáticos, mais expressivos e que, por sua vez, revela o cerne da maioria dos problemas da “era da borracha”, isto é, a exploração do homem pelo homem, sendo a morte (do patrão ou do seringueiro) uma das únicas formas de o seringueiro protestar contra o sistema de injustiça advindo do desejo insaciável de riqueza dos seringalistas.

Araras de Cores é mais que um livro de contos, ali encontram-se memórias não só de seu autor, mas de um passado não muito distante a todos nós acreanos, cujas dores ainda se sentem hoje.



REFERÊNCIA

ODIN, Lima. Araras de Cores: contos acreanos. Belém: Edições CEJUP, 1989.
COSTA, Maria José da Silva Morais. Trajetória de uma expressão amazônica: o encanto do desencanto de Florentina Esteves. Brasília: 2006 (Dissertação de mestrado do Instituto de Letras da Universidade de Brasília).

Nenhum comentário: