quinta-feira, 30 de julho de 2009

PERGUNTARAM AO DALAI LAMA

– O que mais o surpreende na humanidade?

E ele respondeu:

– Os homens, porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, se esquecem do presente, de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.


terça-feira, 28 de julho de 2009

Carta Final do 12º Intereclesial às Comunidade

"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu;               

 

... Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados..." (Mt 5, 3.6)   

 

 

 1. Nós, participantes do XII Intereclesial das CEBs, daqui das margens do Rio Madeira, no coração da Amazônia, saudamos com afeto as irmãs e irmãos de todos os cantos do Brasil e dos demais países do continente, que sonham conosco com novos céus e nova terra, num jeito novo de ser igreja, de atuar em sociedade e de cuidar respeitosa e amorosamente de toda a criação!

 

2. Fomos convocados de 21 a 25 de julho de 2009, pelo Espírito e pela Igreja irmã de Porto Velho/RO, para nos debruçar sobre o tema que nos guiou por toda a preparação do Intereclesial em nossas comunidades e regionais:
"CEBs: Ecologia e Missão – Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia".


Acolhendo as delegações e celebrando os povos da Amazônia


3. Encheu-nos de entusiasmo ver chegando, depois de dois, três e até cinco dias de viagem os delegados, em sua maioria de ônibus fretados, ou ainda em barcos e aviões. Em muitos ônibus, vieram acompanhados de seus bispos e encontraram, ao longo do caminho, acolhida festiva e refrigério em paradas nas dioceses de Rondonópolis, Cuiabá e Cáceres no Mato Grosso, Jataí em Goiás, Uberlândia em Minas Gerais e, entrando em Rondônia, nas comunidades de Vilhena, Pimenta Bueno, Cacoal, Presidente Médici, Ji-Paraná, Ouro Preto e Jaru. Apresentamos carinhoso agradecimento pela fraterna e generosa acolhida de todas as delegações pelas famílias, comunidades e paróquias de Porto Velho, o infatigável trabalho e dedicação do Secretariado e das equipes de serviço, em que se destacaram tantos jovens.

 

4. Somos 3.010 delegados, aos quais se somam convidados, equipes de serviço, imprensa e famílias que acolhem os participantes, ultrapassando cinco mil pessoas envolvidas neste Intereclesial. Dos delegados de quase todas as 272 dioceses do Brasil, 2.174 são leigos, sendo 1.234 mulheres e 940 homens; 197 religiosas, 41 religiosos irmãos, 331 presbíteros e 56 bispos, dentre os quais um da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, além de pastores, pastoras e fiéis dessa Igreja, da Igreja Metodista, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Igreja Unida de Cristo do Japão. O caráter pluriétnico, pluricultural e plurilinguístico de nossa Assembléia encontra-se espelhado no rosto das 38 nações indígenas aqui presentes e no de irmãos e irmãs de nove países da América Latina e do Caribe, de cinco da Europa, de um da África, de outro da Ásia e da América do Norte. Queremos ressaltar a presença marcante da juventude de todo o Brasil por meio de suas várias organizações.

 

5. "Sejam benvindos/as nesta terra de muitos rios, igarapés e de muitas matas, onde está a Arquidiocese de Porto Velho, que se faz hoje a Casa das Comunidades Eclesiais de Base". Assim, fomos recebidos, na celebração de abertura pela equipe da celebração e por Dom Moacyr Grechi, com muita música e canto, ao cair da noite, ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que lembra para os trabalhadores, que a construíram e para os indígenas e migrantes nordestinos, o sofrido ciclo da borracha na Amazônia. Foram evocadas ali e, seguidamente nos dias seguintes, as palavras sábias do provérbio africano:

"Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes,
consegue mudanças extradordinárias".

 

6. Pelas mãos de representantes dos povos indígenas, dos quilombolas, seringueiros, ribeirinhos, posseiros e de migrantes do campo e da cidade foram plantadas ao lado do altar, três grandes tochas. Nelas, foram acesas milhares de velas dos participantes, cujas luzes se espalharam pelos degraus da esplanada, enquanto ouvíamos o canto do Cristo dos Seringais:

 

"Na densa floresta vai um caminheiro

Cristo seringueiro a seringa a cortar... ",

Os versos eram entrecortados pelo refrão:

"E vem a esperança que surja a bonança,

Não seja explorado o suor na balança".

"E vem a esperança que surja a mudança

E o homem refaça com Deus a aliança".

 

7. Com o apito da sirene da Madeira-Mamoré, o trem das CEBs retomou sua caminhada, reunindo-se no dia seguinte, na grande plenária do PORTO, aclamado pela Assembléia, "PORTO DOM HELDER CAMARA", pelo centenário do seu nascimento (1909-2009) e em resgate de sua profética atuação. Iniciamos esse primeiro dia, dedicado ao VER, partindo do grito profético da terra e dos povos da Amazônia, símbolos da humanidade, na sua rica diversidade, deixando-nos guiar na celebração pelo som dos maracás, tambores e flautas e pela dança de louvor a Deus de nossos irmãos e irmãs indígenas. Dali, partimos para os locais dos mini-plenários de 250 participantes, nas paróquias e escolas. Eles levavam os nomes de doze RIOS da bacia amazônica: Madeira, Juruá, Purus, Oiapoque, Guamá, Tocantins, Tapajós, Itacaiunas, Guaporé, Gurupi, Araguaia e Jari.

 

8. Divididos nos Rios em 12 CANOAS, com duas dezenas de participantes cada uma, partilhamos as experiências, gritos e lutas das comunidades em relação à nossa Casa comum, a partir do bioma amazônico e dos outros biomas do Brasil (cerrado, caatinga, pantanal, pampas,mata atlântica e manguezais da zona costeira), da América Latina e do Caribe. Vimos nossa Casa ameaçada pelo desmatamento, com o avanço da pecuária, das plantações de soja, cana, eucalipto e outras monoculturas, sobre áreas de florestas; pela ação predatória de madeireiras, pelas queimadas, poluição e envenenamento das águas, peixes e humanos pelo mercúrio dos garimpos, pelos rejeitos das mineradoras e pelo lixo nas cidades. Encontra-se ameaçada também pelo crescente tráfico de drogas, de mulheres e crianças e pelo extermínio de jovens provocado pela violência urbana.

 

9. Somamos nosso grito ao das populações locais, para que a Amazônia não seja tratada como colônia, de onde se retiram suas riquezas e amazonidades, em favor de interesses alheios, mas que seja vista em pé de igualdade, no concerto das grandes regiões irmãs, com sua contribuição específica em favor da vida dos povos, em especial de seus 23 milhões de habitantes, para que tenham o suficiente para viver com dignidade.

 

10. Fazemos um apelo para que os governantes sejam sensíveis ao grito que brota do ventre da Terra e, pautados por uma ética do cuidado, adotem uma política de contenção de projetos que agridem a Amazônia e seus povos da floresta, quilombolas, ribeirinhos, migrantes do campo e da cidade, numa perspectiva que efetivamente inclua os amazônidas, como colaboradores verdadeiros na definição dos rumos da Amazônia.

 

11. Tomamos consciência também de nossas responsabilidades em relação ao reto uso da água, da terra, do solo urbano e à superação do consumismo, respondendo ao apelo, para que todos vivamos do necessário, para que ninguém passe necessidade.

 

12. Constatamos, com alegria, a multiplicação de iniciativas em favor do meio ambiente, como a de humildes catadores de material reciclável, no meio urbano, tornando-se profetas da ecologia e as de economia solidária, agricultura orgânica e ecológica. Saudamos os muitos sinais de uma "Terra sem males", fazendo-nos crescer na esperança de que "outro mundo é possível, necessário e urgente".

 

13. De tarde, realizamos a Caminhada dos Mártires, em direção ao local onde o rio Madeira foi desviado e em cujo leito seco, ao som dos estampidos das rochas dinamitadas, está sendo concretada a barragem da hidroelétrica. Celebrou-se ali Ato Penitencial por todas as agressões contra a natureza e a vida humana. Defronte às pedreiras que acolhiam as águas das cachoeiras de Santo Antônio, agora totalmente secas, ao lado da primeira capela construída na região, foram proclamadas as Bem-aventuranças evangélicas (Mt 5, 1-12), sinal da teimosa esperança dos pequenos, os preferidos de Deus.

 

14. No segundo dia, prosseguimos com o VER, com uma pincelada sobre a conjuntura atual na esfera sócio-política e econômica, apresentada por Pedro Ribeiro de Oliveira, na perspectiva das mulheres, por Julieta Amaral da Costa e do ponto de vista ecológico, por Leonardo Boff. Atendendo ao convite de Jesus: "Vinde e vede" (Jo, 1, 39), após a pergunta dos discípulos, "Mestre, onde moras?" (Jo 1, 38), partimos em grupos, em visita às muitas realidades locais: populações indígenas, comunidades afro-descendentes, ribeirinhas, extrativistas, grupos vivendo em assentamentos rurais ou em áreas de ocupação urbana; bairros da periferia; hospitais, prisões, casas de recuperação de pessoas com dependência química e ainda a trabalhos com menores ou pessoas com deficiência. O retorno foi rico na partilha de experiências, nas quais descobrimos sinais de vida nova. Reiteramos que os projetos dos grandes, principalmente as barragens das usinas hidroelétricas,as usinas nucleares geradoras de lixo atômico que põe em risco a população local, são projetos do capital transnacional que não favorecem os pequenos. Apoiados na sabedoria milenar dos povos indígenas, nos animamos a repetir com eles: "Nunca deixaremos de ser o que somos". Nós, como CEBs no meio dos simples e pequenos, reafirmamos nossa teimosa opção pelos pobres e pelos jovens, proclamada há trinta anos em Puebla, resistindo e lutando para superar nossas dificuldades, sustentados pela fé no Deus que se revelou a nós como Trindade, a melhor comunidade.

 

15. No terceiro dia, as celebrações da manhã aconteceram nos rios, resgatando memórias da espiritualidade dos povos da região e das experiências colhidas no caminho missionário percorrido no dia anterior, nas visitas às muitas realidades eclesiais e sociais de Rondônia. A oração foi alentada pela promessa do Êxodo: "Decidi vos libertar... vos farei subir dessa terra para uma terra fértil e espaçosa, terra, onde corre leite e mel" (Ex. 3, 8). Em cada canoa, os relatos iam revelando uma igreja preocupada com a justiça social e a defesa da vida nos testemunhos de gente simples em todos aqueles lugares visitados. Esses relatos aqueceram nosso coração e nos desafiaram a perseverar na caminhada das CEBs.

 

16. À tarde, fomos tocados por vários testemunhos. Em primeiro lugar, pela sentida oração dos Xerente do Tocantins que celebraram seu ritual pelos mortos, homenageando o amigo e missionário, Pe. Gunter Kroemer. Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba, retomou em sua história a trajetória dos negros no Brasil, suas dores, resistências e esperanças de um mundo melhor, nos seus Quilombos da liberdade. Marina Silva, senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente, contou sua eu caminhada de menina analfabeta do seringal para a cidade de Rio Branco e de lá para São Paulo, mas principalmente sua incessante busca, a partir da fé herdada de sua avó, alimentada pela experiência das CEBs, da leitura da Palavra de Deus e pelo exemplo de Chico Mendes, de bem viver e de colocar-se publicamente a serviço, em favor do povo amazônida. Por fim, depois da apresentação de Dom Tomás Balduíno, em que ele ressaltou o papel de Dom Pedro Casaldáliga da Prelazia de São Félix do Araguaia na fundação, junto com outros, do CIMI, da CPT e de Pastorais Sociais, acompanhamos pelo vídeo seu testemunho  e nos emocionamos com suas palavras de esperança e confiança em Jesus e na utopia do seu Reinado.

 

17. Neste dia, ocorreu também o encontro da Pastoral da Juventude de todo o Brasil e outro também muito significativo entre bispos, assessores e Ampliada Nacional das CEBs. Momento fecundo do estreitamento de laços e abertura a novos passos em nossa caminhada, em que foi expressa a alegria e alento trazidos pela presença significativa de tantos bispos. Desse encontro, os bispos presentes resolveram enviar sua palavra às comunidades:
               
Palavras dos Bispos às CEBs


18. "Os 56 bispos participantes do Intereclesial, reunidos na sexta-feira à noite com os assessores e os membros da Ampliada Nacional das CEBs, avaliaram muito positivamente o Intereclesial, destacando especialmente a seriedade e o empenho dos participantes no debate da temática do encontro, a espiritualidade expressa nas bonitas celebrações diárias nos "rios", o clima sereno e fraterno e o grande envolvimento das comunidades das dioceses do regional Noroeste da CNBB na organização e realização do encontro.

 

A presença de 331 padres que participam do Intereclesial, levo os bispos a exprimirem o desejo de que, neste ano sacerdotal, todos os padres do Brasil renovem o compromisso de acompanhar as CEBs,  empenhadas em testemunhar os valores do Reino, como discípulas e missionárias.

 

Constatando que, a partir da Conferência de Aparecida, as CEBs ganharam reconhecimento e novo alento em todo o continente, os bispos tiveram também palavras de apoio e incentivo para a continuação da caminhada das comunidades no Brasil, reforçadas pelo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha.


Diante da agressão continuada da Amazônia, juntamente com todos os participantes do encontro, manifestam sua preocupação com  a construção da barragem de Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira, os projetos de outras barragens no Xingu, Tapajós, Araguaia e noutros rios e a continuada devastação da floresta pelo avanço da pecuária, das plantações de soja e cana, e da extração ilegal de madeira".


Nas diferenças, o mesmo Deus que nos convoca para a Justiça e a Paz


19. Na manhã do último dia, fomos guiados pelo texto do Apocalipse: "O anjo mostrou para mim, um rio de água viva... O rio brotava do trono de Deus e do cordeiro...; de cada lado do rio estão plantadas árvores da vida... suas folhas servem para curar as nações" (Ap 22, 1-2). Bebemos no manancial da fé que nos une a todos e todas, na única família humana, como filhos e filhas da mesma Mãe-Terra, a Pacha-Mama dos povos andinos, a Terra sem Males dos Povos Guarani, na busca, sonho e construção do Reino de Deus anunciado por Jesus.

 

20. Juntos, representantes das Religiões Indígenas e dos Cultos Afro-brasileiros, de Judeus, Cristãos Ortodoxos, Católicos e Evangélicos, Muçulmanos, de mulheres e homens de boa vontade e de todas as crenças, no diálogo e respeito à diversidade da teia da vida, acolhemos os gritos da Amazônia e de todos os biomas e reafirmamos nossa solidariedade e compromisso com a justiça geradora da paz.

 

21. Caminhamos como povo de Deus que conquista a Terra Prometida e a torna espaço de fartura e fraternura, acolhendo todas as expressões da vida.

 

22. Comprometemo-nos a fortalecer as lutas dos movimentos sociais populares: as dos povos indígenas, pela demarcação e homologação de suas terras e respeito por suas culturas; as dos afro-descendentes, pelo reconhecimento e demarcação das terras quilombolas; as das mulheres, por sua dignidade e igualdade e avanço em suas articulações locais, nacionais e internacionais; as dos ribeirinhos pela legalização de suas posses; as dos atingidos pelas barragens, pelo direito à terra equivalente, restituição de seus meios de sobrevivência perdidos e indenização por suas benfeitorias; as dos sem terra, apoiando-os em suas ocupações e em sua e nossa luta pela reforma agrária, contra o latifúndio e os grileiros; as dos Movimentos Ecológicos, contra a devastação da natureza, pela defesa das águas e dos animais.

 

23. Queremos defender e apoiar o movimento FLORESTANIA, no respeito à agrobiodiversidade e aos valores culturais, sociais e ambientais da Amazônia.

 

24. Assumimos também o compromisso de respaldar modelos econômicos alternativos na agricultura, na produção de energias limpas e ambientalmente amigáveis; de participar na luta sindical, reforçando a ação dos sindicatos do campo e da cidade, com suas associações e cooperativas e sua luta contra o desemprego, com especial atenção à juventude.

 

25. Convocamos a todos nós para o trabalho político de base, para a militância em movimentos sociais e partidos ligados às lutas populares; para participar nas lutas por políticas públicas ligadas à educação, saúde, moradia, transporte, saneamento básico, emprego, reforma agrária e para tomar parte nos conselhos de cidadania, nas pastorais sociais, no movimento pela não redução da maioridade penal, no Grito dos Excluídos, nas iniciativas do 1º. de Maio e das Semanas Sociais.

 

25. Comprometemo-nos ainda a fortalecer e multiplicar nossas Comunidades Eclesiais de Base, criando comunidades eclesiais e ecológicas de base nos bairros das cidades e na zona rural, promovendo a educação ambiental em todos os espaços de sua atuação; fortalecendo a formação bíblica; incentivando uma Igreja toda ela ministerial, com ministérios diversificados confiados a leigas e leigos; assumindo seu protagonismo, como sujeitos privilegiados da missão; fortalecendo o diálogo ecumênico e inter-religioso e superando a intolerância religiosa e os preconceitos.

 

26. Queremos, a partir das CEBs, repensar a pastoral urbana, como um dos grandes desafios eclesiais, assumir o testemunho e a memória dos nossos mártires e empenhar-nos na Missão Continental proposta pela V Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em Aparecida.

 
Rumo ao XIII Intereclesial no Ceará

 

27. Acompanhados pelas comunidades e famílias que nos receberam e caravanas de todo o Regional, celebramos a Eucaristia, presença sempre viva do Crucificado/Ressuscitado, comprometendo-nos com todos os crucificados de nossa sociedade, com suas lutas por libertação, para construirmos outro mundo possível, como testemunhas da Páscoa do Senhor, acompanhados pela proteção e benção da Mãe de Deus, celebrada no Círio de Nazaré e invocada na região amazônica, com outros tantos nomes; no Brasil, com o título de Aparecida, e na nossa América, com o de Virgem de Guadalupe.

28. Escolhida a Igreja do Crato, que irá acolher, nas terras do Pe. Cícero, o XIII Intereclesial, recolocamos nos trilhos o trem das CEBs, rumo ao Ceará, enviando a vocês, irmãos e irmãs das comunidades, nosso abraço fraterno, e cheio de revigorada esperança.

 

AMÉM! AXÉ! AUERE! ALELUIA!



segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Do Ventre da Terra, o Grito que vem da Amazônia"



"Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares não muito importantes, fazem coisas maravilhosas"

(provérbio Africano aclamado durante todo o Intereclesial das CEBs em Rondonia).

DIÁLOGOS GENIAIS

Haroldo: O que você tá fazendo?

Calvin: Ficando rico!

Haroldo: Mesmo?

Calvin: É, estou escrevendo um livro de auto-ajuda! Tem um mercado enorme pra essas coisas. Primeiro, você convence as pessoas de que há algo errado com elas. Isso é fácil, porque a publicidade já condicionou as pessoas a se sentirem inseguras quanto ao seu peso, aparência, status, atração sexual e assim por diante. Depois, você as convence que o problema não é culpa delas e que elas são vítimas de forças maiores. Isso é fácil, porque é o que as pessoas acreditam de qualquer forma. Ninguém quer ser responsável pela sua própria situação. Finalmente, você as convence de que com os seus sábios conselhos e encorajamento, elas podem resolver seu problema e serem felizes.

Haroldo: Engenhoso. Que problema você vai ajudar as pessoas a resolver?

Calvin: O seu vício em livros de auto-ajuda! Meu livro se chama "Cale a boca e pare de choramingar: como fazer algo com a sua vida além de pensar em si mesmo"

Haroldo: Você deveria esperar pelo adiantamento antes de comprar qualquer coisa.

Calvin: O problema é… se o meu programa der certo, eu não poderei escrever uma continuação.
 
 
NOTA: pesquei do Blog Acriando por aí: http://acriando.blogspot.com/


domingo, 26 de julho de 2009

ECOS DO PASSADO

 "O Acre é a grande conquista do seringueiro, o seu lar certo dia ameaçado e defendido com 'sangue, suor e lágrimas'."

Leandro Tocantins / Formação Histórica do Acre II

 

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Vila Seabra, R. Justiniano de Serpa, em 1919

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Cais de Rio Branco, com pilastras para a construção da ponte (AC)

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Campo de aviação de Sena Madureira (AC)

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Casa na Fazenda Tucumã (AC)

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Casas no Bairro 15 em Rio Branco (AC)

Foto: Tibor Jablonsky

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Centro da cidade e setor comercial de Cruzeiro do Sul (AC)

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Delegacia de polícia de Sena Madureira (AC)

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Taberna na Vila Japiim (AC)

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Vista parcial da rua Avelino Chaves em Sena Madureira (AC)

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Vista parcial de Rio Branco vendo-se o edifício da Assembléia Legislativa (AC)

Foto: Hernondino Chagas

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NOTA: A maioria das fotos pertence à Biblioteca do IBGE. Sendo elas de autoria, principalmente, de Tibor Jablonsky e Hernondino Chagas.



sexta-feira, 24 de julho de 2009

PROFETAS DA AMAZÔNIA

Dom Moacyr: A Amazônia não é uma colônia a ser explorada

 

IHU - Unisinos *

Adital -  

 

Entrevista especial com Dom Moacyr Grechi

 

Está acontecendo desde ontem, 21 de julho, em Porto Velho, capital de Rondônia, o 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que termina no próximo dia 25. O tema do evento este ano é "CEB's - Ecologia e Missão" e o lema é "Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia". Para repercutir o encontro sob o olhar de quem está lá, envolvido com a preparação de tudo, a IHU On-Line entrevistou por telefone o anfitrião do 12º Intereclesial, que é o arcebispo da Arquidiocese de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi, profundo conhecedor da Amazônia, pois antes do cargo atual, foi bispo no Acre por quase 30 anos. Dom Moacyr esclarece que o fato de ser a primeira vez que se faz um Intereclesial na região é, para eles, "mais um desafio do que um privilégio. Mas é muito importante, porque a Amazônia só é conhecida folcloricamente ou por interesses econômicos". Ele adianta que "os participantes vão ver a maravilha do majestoso Rio Madeira, o maior afluente do Amazonas, um pouco ferido na sua majestade pelas hidrelétricas que estão começando agora". E enfatiza a importância de as pessoas no encontro serem como "formiguinhas santas, que estarão formando e passando uma nova mentalidade a respeito da Amazônia".

 

À frente da arquidiocese de Porto Velho desde novembro de 1998, Dom Moacyr Grechi é formado em Filosofia e em Teologia. Como bispo, foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB, de 1975 a 1978; presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), por oito anos, e presidente do Regional Norte 1 da CNBB por dois períodos. É membro do Conselho Permanente da CNBB, foi membro da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, de 1995 a 2003 e delegado da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em 2007.

 

Confira a entrevista.

 

IHU On-Line - Como está a preparação para o 12º Encontro Intereclesial das CEB's?

 

Dom Moacyr Grechi - Estamos nos preparando há quatro anos. O desafio foi pesado, mas a preparação foi muito bem feita, com pessoas competentes, dedicadas e comprometidas. Dentro do que é possível para uma igreja da Amazônia, tudo foi feito. Temos confirmada a presença de mais de três mil pessoas, entre convidados, assessores e delegados. A abertura foi feita num lugar histórico, a Praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, na antiga estrada de ferro que, na sua construção, vitimou milhares e milhares de homens e mulheres do mundo inteiro. Na abertura, naquele local, foi lembrada a história da busca do progresso e, ao mesmo tempo, do sofrimento muito grande para o povo. Esperamos gente de todas as dioceses do Brasil. Deve ser um encontro bem expressivo.  

 

IHU On-Line - O que significa a realização desse evento em Rondônia?

Dom Moacyr Grechi - O fato de ser a primeira vez que se faz um Intereclesial aqui é, para nós, mais um desafio do que um privilégio. Mas é muito importante, porque a Amazônia só é conhecida folcloricamente ou por interesses econômicos. O povo, em geral, não conhece a região, do bispo até o coroinha. Está sendo muito importante receber essas pessoas, principalmente a gente do povo, participando de diálogos, de visitas a grupos indígenas, a comunidades rurais, de periferia, prisões, hospitais. Os participantes vão ver a maravilha do majestoso Rio Madeira, o maior afluente do Amazonas, um pouco ferido na sua majestade pelas hidrelétricas que estão começando agora. As pessoas aqui no encontro serão como formiguinhas santas, que estarão formando e passando uma nova mentalidade a respeito da Amazônia. Nós não somos uma colônia para ser explorada. Nós somos a Amazônia, com sua riqueza imensa, que colabora com o Brasil, mas que tem que receber uma compensação, para ter condições de uma vida digna. E aqui, nem os índios que estão na mata, nem os trabalhadores rurais, nem quem mora nas pseudo-cidades - porque a marginalização é imensa -, nem andinos, nem negros, têm hoje uma vida digna. 
 
IHU On-Line - O que o senhor está preparando para este encontro?

Dom Moacyr Grechi - Eu terei que fazer uma homilia a partir do capítulo 22 do Apocalipse, da Bíblia. Esta passagem fala de um rio de água viva, que sai do plano de Deus, e vai circundando tudo por onde passa, numa evocação do Antigo Testamento. E a árvore da vida é multiplicada. São doze árvores da vida. Eu vou mostrar que a Amazônia, inspirada na graça que vem de Deus, no rio de água viva, pode garantir suas águas, suas matas e sua natureza, oferecendo vida digna, frutos econômicos e uma economia sustentável, para que todos aqui tenham a possibilidade de vida inspirados na palavra de Jesus Cristo, na sua proposta. O Brasil e o mundo inteiro podem usufruir da Amazônia, desde que respeitadas as condições essenciais de preservação. Quero dizer também que se trata de uma reunião de comunidades eclesiais de base; que nem bispo, nem padre, nem assessor devem tomar o lugar do povo, que deve estar lá para propor, perguntar, dialogar, e nós somos servidores, lembrando que servir é divino.   

 

IHU On-Line - O senhor pode nos falar um pouco mais sobre a escolha do tema e do lema do intereclesial e qual a importância de discutir esses assuntos, neste momento?

Dom Moacyr Grechi - É um tema extremamente atual. O Papa Bento XVI, em sua última encíclica, dedica-se ao tema do ecossistema, do meio ambiente. E é um texto estupendo a carta dele (Caritas in Veritate). O Papa anterior já falava na necessidade de uma conversão para o meio ambiente físico e humano. No encontro de Aparecida já se falava da devastação da Amazônia, que deve ser impedida. Foi criada uma Comissão Episcopal da Amazônia e acaba de ser criada a Semana Missionária da Amazônia para todo o Brasil. Há uma consciência da importância da Amazônia e todos nós devemos colaborar com uma educação para a ecologia.

 

Eu fui bispo no Acre por 27 anos. Lá as comunidades praticamente nasceram na mata e permanecem em conflito, desde o parto, lutando pelo meio ambiente. A comunidade eclesial é uma comunidade de fé, baseada no amor a Jesus Cristo e na sua palavra lida, relida e vivida, na fraternidade, onde ninguém fica fora, e onde se reza. Todas as comunidades daqui e de fora estão convidadas a se abrir a esta perspectiva, a esta problemática nova, do meio ambiente, que põe em jogo não só a Amazônia, mas toda a humanidade.

 

Aqui os gritos são muitos: é o grito das populações indígenas dizimadas e das suas terras exploradas - a madeira de lei das terras indígenas é roubada vergonhosamente sem que ninguém seja punido, pelo contrário; depois temos a problemática dos rios contaminados pelo mercúrio; temos o problema da criação extensiva de gado, e com isso é a floresta que cai; tem a soja, câncer da nossa região, que está subindo, e a mata cai e o ambiente se vai. Não se pode dizer que a Amazônia está urbanizada quando a metade da população não tem água tratada, não tem esgoto, não tem nem sanitário, às vezes. Esses são os gritos da Amazônia. Mas há também um grito de reação, de esperança, nada de desgraça definitiva. O que o homem fez de ruim, nós podemos recuperar se fizermos uma virada para um novo estilo de vida. As necessidades humanas são inesgotáveis, mas as fontes são limitadas. Precisamos aprender a viver num estilo de vida mais sóbrio.

 

IHU On-Line - Qual a importância de mostrar a realidade da Igreja de Rondônia aos participantes do encontro Intereclesial?

Dom Moacyr Grechi - Isso é importante para que todos saibam que nossa igreja é fervorosa, cheia de esperança, missionária, mas com grandes problemas também. Não temos um clero suficiente. Temos leigos e leigas que estão à frente das comunidades eclesiais de base, dos grupos de reflexão, das organizações e associações. Mas é uma Igreja que precisa de padres e de formadores, porque todos somos missionários. Precisamos de professores qualificados, mas sem a petulância de achar que sabem tudo; que venham aqui escutar e, a partir disso, possam contribuir com o que tenham de próprio. O trabalho pastoral, ao longo dos rios, é extremamente dispendioso, em função dos barcos e da gasolina, que custa às vezes três vezes mais aqui, na beira do rio, do que em Porto Velho. Temos necessidade da ajuda econômica também, para atender principalmente as populações ribeirinhas.

 

IHU On-Line - O que será abordado na análise de conjuntura social e política da região amazônica durante o encontro?

Dom Moacyr Grechi - Neste aspecto, esses temas que já levantei agora serão tratados por pessoas competentes, que analisarão as causas e as possibilidades de saída. A Amazônia sempre foi tratada como colônia. Nem parecia nossa, era só fonte de renda. E isso deve mudar. Ela deve ter a sua palavra, bem como o conjunto de seus estados irmãos. E que possa receber compensações à altura para que todos tenham vida digna. E aí aparecerão quem são os agentes benéficos e maléficos, que devem ser excluídos.

 

IHU On-Line - E o que as Comunidades Eclesiais de Base pretendem mostrar a partir desse evento?

Dom Moacyr Grechi - Deus não planta árvores, Ele planta sementes. Assim também as Comunidades Eclesiais de Base são tão escondidas e pequenas, que nós nem damos valor a elas, humanamente falando. Mas tem um provérbio africano, que fala justamente sobre a ação das comunidades de base urbanas e das florestas, que são formadas de gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares não importantes, mas conseguindo mudanças extraordinárias. Elas são formiguinhas que, pouco a pouco, com seu testemunho pessoal e de comunidade, conseguem grandes feitos, como mudar a mentalidade dentro da Igreja.

 

* Instituto Humanitas Unisinos



domingo, 12 de julho de 2009

A GENIALIDADE HUMORÍSTICA DE MILLÔR

O ABRIDOR DE LATAS

Pela primeira vez no Brasil um conto escrito

inteiramente em câmera lenta.

 

Millôr Fernandes

 

Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira de uma estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1.200 anos, e uma tartaruga bem pequenininha ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas, dizia eu. E dizia-o muito bem, pois elas estão sentadas mesmo. Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:

- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia dessa vida?

- Formidável - disse a tartaruguinha mais nova, 12 anos depois - vamos fazer um pique-nique?

Vinte e cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o pique-nique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerante, elas partiram. Oitenta anos depois chegaram a um lugar mais ou menos aconselhável para um pique-nique.

- Ah - disse a tartaruguinha, 8 anos depois - excelente local este!
Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.

Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão de que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas.

- Está bem - concordou a tartaruguinha, três anos depois - mas só vou se vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.

Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.
Passaram-se cinqüenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais 17 anos e nada. Mais 8 anos e nada ainda. Afinal uma das tartaruguinhas murmurou:

- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?

As outras concordaram, rapidamente, dois anos depois. E esperaram mais 17 anos. Aí outra tartaruga disse:

- Já estou com muita fome. Vamos comer só um pedacinho de doce que ela nem notará.

As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, 15 anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:

- Ora, vamos comer mesmo só uns docinhos enquanto ela não vem.
Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:

- Ah, murmurou ela - eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora não vou buscar mais o abridor, pronto!

 

Fim (30 anos depois)

 

MORAL: APRESSADO NÃO COME NEM CRU.



sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

AGUCE SEU CONHECIMENTO LITERÁRIO

GÊNIO de Harold Bloom

 

       Nesta obra Harold Bloom nos leva a uma fascinante viagem pelo mundo da literatura. Desde a Bíblia até Sócrates, passando pelos feitos transcendentais de Shakespeare e Dante, até chegar a Machado de Assis, Hemingway, Faulkner e Borges, Bloom atravessa séculos, apontando insuspeitas analogias entre os gênios por ele selecionados, as surpreendentes influências que estabeleceram ao longo do tempo.

        Com entusiasmo contagiante, analisa a poesia de Milton, Shelley e Fernando Pessoa; o teatro de Ibsen e Tennessee Williams; as narrativas de Melville e Tolstoi, entre muitas outras obras, oferecendo aos amantes da literatura visões originais de textos consagrados.

      Bloom, em GÊNIO, apresenta um mosaico de gênios da linguagem, procurando definir, da melhor maneira possível, a genialidade específica de cada um dos 100 autores elencados, recorrendo à mescla de crítica biográfica e formalista, e evitando o historicismo. Bloom retoma com a proposta do estudo da antiga idéia de gênio, pois como ele afirma no prefácio, habilidade não é algo inato, mas genialidade o será, necessariamente. Todo gênio, diz Bloom, é idiossincrático, extremamente arbitrário e, em última instância, solitário.

      Na sua definição pessoal de gênio, Bloom nos sugere fazermos as seguintes questões a qualquer escritor: ele ou ela alarga a nossa consciência? Fora do aspecto do entretenimento, a minha conscientização foi aguçada? Expandiu-se a minha consciência, tornou-se mais esclarecida? Se não, deparei-me com um talento, e não com um gênio. Aquilo que há de melhor e de primordial em mim não terá sido tocado.

      Bloom também diz que uma condição cabível a qualquer gênio da linguagem é que ela não produza obras datadas. Segundo ele, com apenas dois ou três punhados de exceções, tudo o que agora aclamamos é, potencialmente, antiguidade; e antiguidades feitas de linguagem terminam em cestos de lixo, e não com leiloeiros ou museus. Por isso, ele afirma ao final do livro que o tempo, que nos destrói, reduz o que não é genial a lixo.

       Ao longo de meio século de ensino de literatura e produção bibliográfica, Harold Bloom, considerado o mais importante crítico norte-americano, tem cativado leitores em textos que encantam pela clareza, inteligência e sensibilidade. GÊNIO é obra de referencia indispensável a todos os que desejam ter uma visão ampla do melhor da literatura de todos os tempos.

 

REFERÊNCIA E SUGESTÃO:

BLOOM, Harold. Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003

 NOTA: Neste momento estou em Belo Horizonte - MG, para domingo seguir viagem à Bahia, onde estarei em missão, por isso, talvez nesse período os post sejam menos!



quinta-feira, 9 de julho de 2009

UMA TOADA AMAZÔNICA QUE CONQUISTOU O BRASIL E O MUNDO



O Grupo Carrapicho começou em 1980, oriundo de um projeto que visava divulgar a cultura Amazônica através da música. Liderados por Zezinho Corrêa, o grupo começava uma intensa pesquisa de informações e, através de Parintins, famosa cidade do Amazonas, que anualmente traz um festival folclórico na disputa dos Bois Garantido e Caprichoso, começaram as composições musicais.

O grupo passou trabalhando regionalmente durante quinze anos. Em 1996, um produtor francês, Patrick Bruel, ouviu a toada "Tic, Tic, Tac" na versão do Grupo Carrapicho e decidiu lançá-la na França. O sucesso foi tão grande que a toada se tornou hit do verão europeu. O Carrapicho chegou a assinar contrato com a BMG francesa.

Além da França, o sucesso do grupo em solo europeu estendeu-se a países como Alemanha, Bélgica, Suíça, Polônia, chegando até os asiáticos Israel e Líbano. Em 1997, o Carrapicho finalmente tornou-se sucesso no Brasil. Dentre outros sucessos do conjunto, estão "Festa de Um Povo", "Festa de Boi-Bumbá" e "Canto Envolvente". (Wikipédia)

 


quarta-feira, 8 de julho de 2009

TARAUACÁ: UM PASSADO QUE SE APAGA

Isaac Melo

"Recordar a vida não significa estar preso ao passado. O passado não é uma lembrança estática, mas sim uma força que segue movendo cada indivíduo ao longo dos anos". Essas palavras que se encontram na orelha do livro de contos, A Figura Refletida, do ex-governador (63/67) do Acre Altino Machado, nos ajuda a refletir e situar a problemática acerca do passado tarauacaense. Isso também nos faz pensar numa distinção básica.

Há uma grande diferença entre: falta de recursos, sobretudo financeiro e incapacidade política. O primeiro, é algo externo, do qual uma administração depende de recursos oriundos, digamos, de cima (município>Estado>União). Enquanto que incapacidade política é algo que está atrelado especificamente a quem governa, em último caso, trata-se de competência do governante em aplicar aquilo que recebe. O problema de Tarauacá é incapacidade política. A cidade está às portas de seu centenário, e uma pergunta ainda não foi feita, muito menos respondida: que passado Tarauacá tem conservado? A resposta, deveras, não é das mais satisfatórias.

Não temos uma casa sequer tombada como patrimônio histórico da cidade, um centro de cultura, um arquivo público, que dirá um museu. Não creio que sejamos tão ingênuos assim para pensarmos que isso é coisa de cidade grande. O argumento de que a cidade não tem estrutura financeira para isso, não me é compreensível. O que ocorre é que a maioria daqueles que são eleitos para assumir uma função pública, não são inteligentes o suficiente para compreender que o passado não é algo descartável, mas fator imprescindível para a compreensão e a própria constituição da identidade de um povo. Passado apagado significa parte da memória histórica também apagado.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), diz que o "Patrimônio Histórico pode ser definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade. Estes patrimônios foram construídos ou produzidos pelas sociedades passadas, por isso representam uma importante fonte de pesquisa e preservação cultural". Fato é que, cada cidade também pode criar regras baseadas no IPHAN para definir seu próprio patrimônio histórico, como fez Rio Branco-Ac, que tombou várias casas localizadas no centro da cidade, às margens do Rio Acre, formando assim o seu importante Centro Histórico.

Infelizmente, Tarauacá não tem mais quase nada de construções dos primeiros anos de sua história, e o pouco que ainda resta deteriora-se pela ação do tempo e pelo descaso humano. Salvo algumas exceções, como a restauração do Teatro José Potyguara, ainda na administração do prefeito Jasone Silva, notamos um grande descaso dos prefeitos, sobretudo do atual, pelo patrimônio histórico e cultural de Tarauacá.

Alguns não vêem valor algum nessas construções, que não passam de um amontoado de entulhos. Mas para quem ainda não perdeu a sensibilidade, há uma história, um tempo, uma vida. Não é tanto o valor material que está em jogo, é sentimental também, aquilo que mexe em nossas entranhas, que impulsiona a vida e nos faz olhar o passado não com melancolismo, mas com esperança de que hoje é o tempo de realizarmos o que ontem era uma utopia.

De tudo isso, fica-nos uma certeza e uma alerta: ou nos voltamos, urgentemente, para a conservação e resgate de nosso patrimônio histórico e cultural ou corremos o risco de os perdermos, definitivamente. Não queremos imaginar como foi o nosso passado, queremos que ele faça parte do presente, por meio de seus elementos conservados, e assim, podermos olhar para nossa história sem medo de continuarmos a repetir os erros de sempre.

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TEATRO JOSÉ POTYGUARA

Acima temos o Teatro José Potyguara, fundado em 1932. Constitui um dos símbolos mais vivos e importantes da cultura tarauacaense, frutos da bélle époque da borracha. Um dos únicos exemplos de conservação, apesar de que vive mudando de cor a bel prazer de cada prefeito.

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GRUPO ESCOLAR JOÃO RIBEIRO

O grupo escolar João Ribeiro, o primeiro de Tarauacá, foi nos seus primórdios um importante centro de cultura, onde aconteciam apresentações teatrais, eventos, saraus, etc. Nele estudou, por volta da década de 20, o ilustre escritor Leandro Tocantins. Arquitetura do Grupo é semelhante à de vários outros construídos em diversos municípios acreanos. Não tenho certeza, mas creio que foi fruto do governo Hugo Carneiro, que implantou diversas escolas no Acre em seu governo. Hoje o prédio está bem conservado. É administrado pelo Governo do Estado.

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BARRACÃO DE 1912

Esse barracão acima é um dos únicos que sobreviventes da era da borracha. Construído em 1912. Está localizado no Seringal Vitória Nova, subindo o Rio Muru, quase um dia de viagem em canoa grande. Esse barracão é a história viva, mas corre o risco de perder-se para sempre, se alguma medida de preservação não for feita rapidamente. (foto: Blog do Batista)

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BANCO DE CRÉDITO DA AMAZÔNIA

Esse foi um dos primeiros bancos de Tarauacá, Banco de Crédito da Amazônia S.A. Nele hoje funciona uma loja de materiais de construções, continua com a fachada original, apesar de ter recebido alguns toques "modernos", como portas de vidro.

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CASA DO POVO

Até hoje sinto apertos no coração quando passo em frente à Agência da Caixa Econômica e lembro que ali havia uma das construções mais belas de Tarauacá, a chamada Casa do Povo, que era casa e comércio de Sales Frota. Foi construída pelo mestre Benício, essa figura ímpar, da sociedade tarauacaense. Poderíamos ter os dois: Agência da Caixa e Casa do Povo. Tanto lugar santo Deus, dá-nos inteligência! (foto relíquia: Palazzo)

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CENTRAL ELÉTRICA DE TARAUACÁ

Esse prédio foi onde funcionou a primeira central Elétrica de Tarauacá. Hoje ela está assim, abandonada. Sem comentários.

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ANTIGA CADEIA PÚBLICA

Aqui, segundo os mais vividos, funcionava Antiga Cadeia Pública de Tarauacá. Cenário também da injusta condenação de Amin Kontar, torturado e assassinado na cadeia, pela acusação de ter lançado uma bomba contra casa do então prefeito José Tomaz da Cunha Vasconcelos, ferindo gravemente sua esposa, isso por volta de 1916. Funcionou no prédio, mais recentemente, a SUCAM. Hoje, também abandonado. Como ressaltou Chaga Batista em seu blog "não se resigne, se indigne". É pelo menos o primeiro passo.

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"Porque entrar para a história

é não esquecer a memória!"

Marina Silva