sexta-feira, 30 de outubro de 2009

YAWANAWÁS

Nosso ilustre Chagas Batista esteve recentemente no Festival dos Índios Yawanawás, uma das festas indígenas mais belas do Acre, localizada no Rio Gregório, no interior de Tarauacá. E registrou, por meio de fotografias, belíssimas imagens, como estas que seguem abaixo:







Veja mais no Blog do Batista

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FERNANDO FRANÇA

"Consciente de sua missão, Fernando França constrói, com a paciência dos grandes sábios, seu próprio caminho, pavimentando-o com o que há de melhor do ensinamento dos grandes mestres, ou seja, o devido domínio do desenho, da composição e da cor".

Descartes Gadelha,
acerca do artista plástico acreano Fernando França

***


Fernando França já expôs sua arte em várias galerias do Brasil e do mundo. Reside em Fortaleza, atualmente.

Fonte e veja mais:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SOPHIA DE MELLO

"De uma segurança fluente e escultural, os seus poemas transfiguram uma realidade muito concreta, em que o amor da vida e da exigência moral encontra símbolos marinhos e aéreos, [...] para exprimir uma atenta e tensa vivência de sentido trágico da existência e do convívio humano com as coisas naturais. A sua contenção de tom, a sua discreta fluidez, a simplicidade muito pura da expressão, qualidades suas das melhores, enganam quanto à energia, [...] que os seus poemas contêm, sob um paganismo ideal e visionário [...]".

Jorge de Sena acerca da grande poetisa
portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen.

*

Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

---------

Se tanto me dói que as coisas passem

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

---------

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
 
--------
 
Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa



Referência e sugestão:
Andresen, Sophia de Mello Breyner. Obra Poética II. Porto: Caminho, 1995.

sábado, 17 de outubro de 2009

PALÁCIO RIO BRANCO

O Palácio Rio Branco, sede do governo do Acre, foi construído em 1930 no governo do Dr. Hugo Carneiro. O estilo neoclássico de sua construção foi inspirada na arquitetura grega, tendo sua fachada ornamentada por quatro colunas jônicas.



***

*

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

UM ÍNDIO ACREANO REINVENTA A PINTURA

Chico da Silva
(1910 - 1985)
Chico da Silva. O que está por trás deste nome tão simples é a história daquele que é considerado o maior pintor de estilo primitivo do Brasil. E poucos sabem que a sua obra hoje se encontra nas principais coleções de arte do mundo – como na coleção da Rainha da Inglaterra. A seguir transcrevo o artigo de Cassandra de Castro Assis Gonçalves (bolsista IC-FAPESP) sobre o nosso Chico da Silva.

“Marcadas pelo talento, o acaso e a decadência, a vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da História da Arte brasileira e também um retrato da falta de suporte por parte do governo e dos próprios artistas em oferecer a oportunidade de um grande artista, ainda que simples como Chico da Silva - analfabeto toda a vida - de se profissionalizar.

Francisco Domingos da Silva nasceu em 1910, às margens do “Alto Tejo” no Acre, e aos 10 anos veio para Pirambu, bairro pobre de Fortaleza-CE. Perdeu o pai logo cedo, passando então, a fazer todos os tipos de serviços - consertando sapato, fogão, cobrindo guarda chuva, etc. para sobreviver. Em suas muitas andanças pela cidade, Chico às vezes parava em frente a um muro branco e fazia desenhos com carvão ou tijolo, colorindo-os com folhas. Foram estes desenhos, na Praia Formosa, que chamaram a atenção do crítico de arte e pintor Jean-Pierre Chabloz que passou a procurá-lo e foi seu primeiro incentivador.

Chabloz ensinou Chico da Silva a pintar com guache e passou a dar o material para que ele pintasse, além de comprar todas as suas telas - comprou mais de 40. Foi por intermédio dele que Chico da Silva expôs sua arte, pela primeira vez, no III Salão Cearense de pintura e no Salão de Abril de 1943, em Fortaleza. Em 45, junto com outros artistas cearenses, expõe na Galeria Askanasy e, durante a década de 50, suas obras vão ser vistas em várias galerias da Europa, conseqüência de um artigo a seu respeito no CAHIERS D’ART, conceituada publicação francesa, que o considerou um pintor genuinamente primitivo.

Deslumbrado com o dinheiro e a fama, Chico da Silva passa a gastar com álcool e mulheres; atento à supervalorização dos seus quadros, quer produzir cada vez mais, e passa a recorrer a ajudantes, na verdade meninos e meninas que pintavam os quadros que ele só assinava - cerca de 90% dos quadros com data posterior a 72 eram falsos. A esta altura o artista estava cercado de aproveitadores que o exploravam, exigindo cada vez uma produção maior, vendendo quadros de Chico em mercados, feiras e até na porta de hotéis, por valores ínfimos.

Em meio a denúncias de falsificação, Chico da Silva é indicado para expor na XXXIII Bienal de Veneza (Itália), em 66, onde recebe Menção Honrosa. Chabloz, decepcionado com os rumos que artista e obra tomaram, rompe com ele em 69, afirmando em um artigo do Jornal do Brasil, intitulado Chico da Silva ou a ingenuidade perdida, que sua arte estava morta.

O processo de decadência do artista se agravara com a morte da mulher, Dalva, em 75, e tem seu ápice em 1976, quando foi internado com cirrose hepática e tuberculose crônica, permanecendo um ano no hospital. Mesmo se recuperando fisicamente, Chico continuou bebendo e jamais conseguiu recuperar sua arte. O maior artista primitivo do Brasil, que imprimia nas suas pinturas toda a mitologia da região amazônica realizava através de uma expressão quase surrealista, e que está representado nas maiores coleções do mundo - como a da Rainha da Inglaterra - nunca teve suporte para estruturar sua carreira, apenas incentivos isolados, que o jogou em um meio desconhecido que o deslumbrou e, dentro do qual, sem orientação, acabou por perder-se.”

***

Algumas de suas obras:




***
Fonte das imagens: MAUC
Obs: Não foi possível precisar o nome de cada obra, pois o site de onde foram retiradas, expirou.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O SONHO DE UMA SOMBRA

Píndaro


A sorte dos mortais
cresce num só momento;
e um só momento basta
para a lançar por terra,
quando o cruel destino
a venha sacudir.

Efêmeros! que somos?
que não somos? O homem
é o sonho de uma sombra.
Mas quando os deuses lançam
sobre ele sua luz,
claro esplendor o envolve
e doce é a vida.



Referência e sugestão:
Píndaro. Poesia: Grega e Latina. Sel. e trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Editora Cultrix, 1964.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

FREI PAULINO, O PADRE SERINGUEIRO

RELATO DE UM DOS MAIORES TEÓLOGOS DO BRASIL, CLODOVIS BOFF, ACERCA DE FREI PAULINO, O SACERDOTE MAIS ATUANTE NA DEFESA DOS POVOS DA FLORESTA E MAIS QUERIDO DO ACRE. O RELATO É DE 1980, MAS CONTINUA ATUAL.


Ele é o responsável da missão dentro da imensa paróquia (50.000 quilômetros quadrados) de Sena Madureira. Anda sempre com uma batininha surrada, por razões de pobreza e comodidade, segundo ele. Baixo e magro, tem um olhar de touro e uma voz cavernosa. Pode ficar falando de 2 a 3 horas aos homens da floresta em tom elevado, como nos discursos, e não se cansa.
As viagens missionárias que faz pelos rios e pela mata, chamadas “desobrigas”, podem durar meses. Come e bebe o que comem e bebem os seringueiros. E dorme em rede, como eles. É um homem profundamente integrado no mundo dos filhos da mata. É um autêntico “padre seringueiro”. Quando volta para casa vai direto para o hospital, para se recuperar do desgaste da desobriga.

Foi dos primeiros missionários do Acre a defender no passado a tese do respeito à cultura dos índios e do aproveitamento pastoral de sua religião. Num curso de antropologia em Manaus, Darcy Ribeiro, grande estudioso e amigo dos índios, não deu nada por esse homenzinho rústico, com sua batina surrada e tradicional. Mas, depois que o ouviu falar, ficou impressionado e lhe ofereceu alguns livros seus como homenagem.

Até pelos anos 70, Frei Paulino fazia uma pastoral ainda baseada na assistência e sacramentalização. Era a época. Depois começou a ler alguns livros que lhe passava o bispo. Lia-os enquanto fazia as viagens de barco pelas voltas infinitas dos rios da Amazônia. Leu, por exemplo, o livro de José Comblin, Sinais dos Tempos e Evangelização, que fala da religião do povo brasileiro e do como a Igreja brasileira deve evangelizar. Era o vento do Vaticano II que passava sobre a floresta. Aí o Frei Paulino mudou. Passou para uma pastoral de evangelização, de conscientização, de libertação, de comunidades. E, com essa virada, viraram também os seringais. Já não pousava na casa grande e confortável do patrão. Ia dormir nas choças dos seringueiros. Começou a abrir os olhos do povo para seus direitos. Denunciava as injustiças que ia vendo. Virou profeta, ao modo de Amós, o lavrador.

Os seringalistas e fazendeiros, os políticos e marreteiros exploradores passaram a ter raiva dele. Sentiram-se traídos por quem julgavam um aliado seguro. Mas ai de quem fala mal de Frei Paulino diante de um seringueiro! Quem não o conhece nestas matas do Acre? Hoje ele casa gente que batizou. Nem sei quantos anos faz que anda pelas matas e rios, buscando e reunindo o rebanho de Cristo disperso.
Ainda hoje ele lê bastante nas viagens. Leva consigo apenas uma sacola com objetos de culto e um algum livro. Já andou virando tudo aquilo no meio do rio. Durante o treinamento no Icuriã estava lendo o meu livro Teologia e Prática. Admirei a coragem dele de ler um livro tão duro – mais duro que tronco de cumaru-ferro. Tirou-o de sua sacola de borracha (que é para não molhar). Estava todo manchado de óleo. É claro, misturado com tanta coisa dentro do saco.

No treinamento, o pessoal se apresentava a dois. Tocou-me apresentar Frei Paulininho. Para indicar ao mesmo tempo seu espírito missionário, sua pobreza e sua popularidade, disse apenas isso, com a mão no seu ombro: “Aqui está o Frei Paulino, uma mistura de São Paulo, de São Francisco e do Padim Ciço!” Ele sorria com aquele seu rosto limpo, como anjo feito a terçado...


Referência e sugestão:
BOFF, Clodovis. Deus e o homem no inferno verde: quatro meses de convivência com as CEBs do Acre. Petrópolis: Vozes, 1980.