segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A EPOPEIA DA FÉ

NO RIO MURU, UM GRUPO DE HOMENS CATÓLICOS ERGUEM A MAIOR IGREJA DA HISTÓRIA DAQUELE RIO


Certa vez Jesus, ao curar um endemoninhado epilético, disse aos discípulos que se eles tivessem fé como um grão de mostarda seriam capazes de transportar uma montanha daqui para lá, pois nada seria impossível. Assim resumiria o trabalho de um grupo de homens que ergueram no meio da floresta amazônica uma singela e bonita Igreja, dedicada ao santo protetor das guerras e pestes, São Sebastião.

É no Seringal Capela, Rio Muru, distante um dia de barco da cidade de Tarauacá que nasceu a devoção popular à São Sebastião, nessa região, quando um dos proprietários do seringal começou a rezar a novena em sua própria casa com alguns parentes. A devoção foi crescendo e a casa já era pequena para acolher tantas pessoas que começaram a acorrer ao santo. Foi, então, construído um pequeno oratório. Tempos depois, a novena passou a ser feita numa capela de madeira.

Hoje, mais de cinqüenta anos decorridos do início da devoção, uma Igreja em alvenaria, grande e espaçosa está em fase de conclusão. Acolherá um número maior de peregrinos, num ambiente mais confortável e propício a oração. Tudo isso, sem nenhuma ajuda da Igreja Católica de Tarauacá, que até hoje nunca deu uma atenção devida à comunidade, mas graças à fé de homens e mulheres simples que se entregaram de coração para preservar a devoção e construir o templo em alvenaria.

E as dificuldades não foram poucas para a construção. Homens carregavam pesados sacos de areias nas costas, outros abriam enormes buracos retirando terras para o piso, uns quebravam tijolos, outros pintavam. Todo o material veio da cidade, em canoas, o que dificultava ainda mais a construção. Foram dias cansativos, de muito trabalho, mas não houve uma reclamação, a alegria foi constante. Deus estava com eles.

Os trabalhos da construção da nova igreja iniciaram-se com a família proprietária do seringal Capela, a saber: o saudoso sr. Antônio Tibúcio, sr. João Tibúcio e Mirabor Leite. Desde então os irmãos Hildo e Divan, juntamente com amigos deram continuidade à construção, dentre eles: Lázaro, Nacélio, Valdor, Jelson, Uesse, Bira e Celino. A comunidade católica de Tarauacá deve muito a esses homens, que movidos pelo espírito de Deus fizeram uma das mais belas manifestações da fé: o sacrifício.

Também somos gratos aos amigos, políticos e empresários que contribuíram financeiramente ou materialmente para a realização da nova igreja, dentre eles: vereadores Lulu Neri, Ezi Aragão e Raimundo Furtado, Raimundo Leite, Romerez, Roberto (Xeleléu).



Muita disposição para escavar o barro e levar para o interior da igreja.


Tijolos sendo quebrados para concreto!

O preparo da massa de cimento.

Areia foi carregada às costas.

Em alguns momentos foi necessário um boi de arrasto.

Socando o concreto.

Assim estava a igreja no início da obra.

Uma parada para a comida...

...outra para o descanso.



O piso todo lajotado.

Hildo realizando a instalação elétrica.

Nacélio colocando as lajotas.

Valdor rebocando a parede.





Hora da pintura.

A equipe

Os irmãos Hildo e Divan que mais tem contribuido e incentivado o novenário nesses últimos anos.

Quase pronta!

3 comentários:

Palazzo disse...

Parabéns a todos que estão edificando-a.
É isso que o bicho homem precisa, se reaproximar de Deus.
abraços Isaac

Marky disse...

Isaac,

Apesar de não ser mais religioso, não há como não ficar emocionado em ver uma comunidade unida e vencendo os desafios.

Espero um dia, quem sabe, conhecer a igreja e a comunidade, que com certeza tem a melhor alma acreana.

Abraços e parabéns à todos!

Mirabor disse...

É lamentavel que pessoas aparentemente de bem da nossa sociedade, se interponha e se aproprie de um trabalho de uma familia, cujo obijetivo é exclusivamente espiritual, na intençao de tirar dividendos politicos. Esta igreja é fruto de um trabalho do meu Pai, que desde que comprei a propriedade no ano de 2003, cuja a Igrejinha se incontra edificada, que vendo sua estrutura ja bastante danificada por falta de conservação se dedicou em construir um novo templo. A pricipio seria em madeira, depois pelo desejo do meu Pai, decidi construir em alvenaria; com a colaboraçao de varios paceiros. Com a partida do meu Pai, em 22 de dezembro 2006, houve uma paralisaçao "temporaria" nos acabamentos finais da obra; restando por terminar APENAS A LAJOTA DO PISO, 8 JANELAS, 2 PORTAS E PINTURA.trabalho que faria tão logo... cont. Assina MIRABOR LEITE