quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

AI! QUE PREGUIÇA!...

"Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:
- Ai! Que preguiça!..."
Macunaíma é sem dúvida uma das criações mais extravagantes de nossa literatura, digo, mais bem construída e que ainda hoje desafia a crítica literária quanto à sua classificação e linguagem.

Obra-prima de Mário de Andrade(1893-1945), o gênio do Modernismo brasileiro, Macunaíma o herói sem nenhum caráter (1928) continua a intrigar, a abrir caminhos, a ser discutido.

Telê Porto Ancona Lopez é uma das maiores autoridades em Mário de Andrade. É de sua autoria o texto seguinte.

Macunaíma, considerado dentro de um tipo de realismo que lida com o maravilhoso e com o mágico, é uma narrativa linear na medida em que o desenvolvimento de sua ação dramática. As peripécias do herói, vividas num tempo e num espaço mágicos, que absorvem o mito do índio e os mitos do povo como contraponto à mitologia da sociedade tecnizada e de uma cultura colonizada, revelam na construção da narrativa a consciência da exploração do maravilhoso e do mágico, que está, aliás, já na própria criação popular, fonte de Mário de Andrade, autor erudito. Ela é ali a meditação sobre soluções, interrogações sobre o desenvolvimento possível para a ação dramática, sobre a trama ficcional. Ao narrador culto que se faz de rapsodo, interessa “cantar” os “casos”, isto é, os acontecimentos; está preso aos “feitos” e às ações, não ambicionando o esmiuçar de complexidades psicológicas, mas fazendo com que uma psicologia que julga tipicamente brasileira possa ser deduzida a partir da trama.”

Macunaíma  é leitura imprescindível.
O Blog recomenda!


Referência e sugestão:
ANDRADE, Mário de. Macunaíma o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1989.

Um comentário:

Palazzo disse...

E aí blz?
dê notícias;
inté