quinta-feira, 15 de abril de 2010

O AMOR NA VISÃO DAS CIÊNCIAS

Profª. Luísa Galvão Lessa


Muita gente se indaga sobre o amor e se pergunta qual é a sua linguagem. Eu diria que a linguagem do amor é a mais simples e, ao mesmo tempo, a mais complexa que pode existir, isso porque é a linguagem do coração! E o coração de uma pessoa é o que ela tem de mais precioso e, ao mesmo tempo, mais distante. O coração é um tesouro que Deus nos deu com uma única condição: desbravá-lo para conhecê-lo e compreendê-lo.

O amor é um sentimento sublime, força unificadora e harmonizadora, assim compreendido desde a Grécia Antiga. Para Platão, o amor é falta, necessidade, desejo de conquistar e preservar o que se conquistou. O amor dirige-se para a beleza, aparência do bem. Aristóteles, por sua vez, considera o amor sexual, uma afeição que conduz à amizade, sentimento superior. Segundo ele, ninguém seria atingido pelo amor se não fosse ferido pelo prazer da beleza. O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. Para Sócrates o amor é o impulso apaixonado de uma alma para a Sabedoria e esta é ao mesmo tempo conhecimento e virtude. Pitágoras diz que se deve purificar o coração antes de permitir que o amor se assente nele, já que o mel mais doce azeda num copo sujo.

Percebe-se, então, que desde a antiguidade o sentimento do coração tem sido uma mescla do dizível e indizível. A linguagem do amor possui muita força e existe em sua forma mais pura e verdadeiramente impura nos corações dos seres humanos. E, assim, segundo as interpretações de grandes humanistas, filósofos, pensadores, algumas exageradas, outras bem comedidas, o amor pode curar, pode transformar e criar um ambiente harmônico para quem vive esse sublime sentimento. Logo, o Amor é um sentimento de reação as coisas que nos cercam. Para alguns estudiosos, reagimos com mais intensidade trazendo lembranças do fundo da memória para reforçar o nosso estado de espírito.

Como acreditamos que, em tese, tudo o que o ser humano fez e pensou é motivo histórico, o amor, sem dúvida, é um tema propício para a História, pois se refere ao que é exclusivamente humano. Além disso, através dele, é possível fazer um estudo comparativo e temático de tempos distintos, pois ao contrário dos nossos famigerados tempos pós-modernos, que propagaram a Revolução em detrimento do amor, a Idade Média cultivou e enalteceu esse sentimento, criando uma nova e revolucionária forma de relacionamento homem/mulher que continuou durante séculos. E em boa parte, até os dias atuais, apesar dos brutos - ou até pelos brutos, pois, como sabemos, os brutos também amam.

Viajando pelas trilhas da história, chegamos ao século XII e encontramos os povos chamados feudais. Eles deram origem a uma maneira sensível de expressão que foi denominada amor cortês. Assim, é preciso definir esse conceito para aprofundar a importância dessa transformação nos costumes do Ocidente Medieval. Dali, viajamos do amor cortês ao romântico e avistamos sempre que o amor não é filosofia. É Química agindo. É Física Aplicada. Matemática dos seres, linguagem de beijos, Geografia de corpos, História de vidas. O Amor não é Filosofia, é vida conjugada, experiência dividida, prazer multiplicado. Amar nem sempre é riso, mas, também, nem sempre é dor.

Também, é bom notar que Vida é o amor existencial. Razão é o amor que pondera. Estudo é o amor que analisa.Ciência é o amor que investiga.Filosofia é o amor que pensa.Religião é o amor que busca a Deus. Verdade é o amor que eterniza. Ideal é o amor que se eleva. Fé é o amor que transcende. Esperança é o amor que sonha. Caridade é o amor que auxilia. Fraternidade é o amor que se expande.

Com certeza, a literatura diz muito sobre as atitudes e as aspirações humanas, do mesmo modo as imagens. Assim, o cultivo do amor, por parte dos seres humanos, deve trazer, sempre, o abrandamento do impulso sexual violento, assumindo um caráter educativo, melhorando a condição feminina. Enfim, o Amor é o divino no humano. O infinito no efêmero. Amor é a iniciação à eternidade. Ilumine-se: exercite o amor todos os dias.

***

**LUÍSA GALVÃO LESSA é Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestra em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Ocupa a cadeira de número 34 na Academia Acreana de Letras. É acreana de Tarauacá.
Postar um comentário