sábado, 17 de julho de 2010

PRAZERES DE REBANHO

Gilvan Almeida**


Eu poderia simplesmente me entregar ao destino de ser somente um ser humano comum, desses que existem aos milhões neste país, domesticados e alienadamente felizes, sem querer nada mais do que os prazeres que qualquer rebanho tem. Mas não, não quero só isso, não me contento e nem me acomodo em ficar satisfeito só com cachaça, fazer filhos que não poderei criar com dignidade, arroz com feijão e rede Globo, o pão e o circo que nos é oferecido. Eu também quero direitos iguais, qualidade, arte, cultura e ciência, nobreza, consciência e espiritualidade, todas as condições que podem permitir a um ser humano exprimir a sua plena potencialidade e ser feliz. E isto não só para mim, quero para todos.

Não quero chegar lá na frente e ter a triste constatação que a vida passou e eu não vivi a vida que eu sonhava, que não construí, ou não me deixaram construir, a vida que eu queria, que eu apenas me deixei levar pela corrente da alienação oficial vigente, que submergi na covardia e na submissão por medo de lutar, de fazer a minha parte.

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** Gilvan Rodrigues de Almeida é médico acreano. Escreve no blog CABEÇA E CORAÇÃO.
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