segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ÉTICA NA POLÍTICA

Profª. Inês Lacerda Araújo


O exercício da política ou bem tem compromisso com princípios éticos ou é um toma lá dá cá no balcão do poder. Para chegar ao poder ou para permanecer no poder, vale tudo. Desde os métodos mais sórdidos até aqueles que burlam a confiança dos cidadãos nas instituições.

Os políticos que contam com recursos como os da máquina administrativa, distribuição de cargos, programas populistas, propaganda massiva dos feitos e sistemática ocultação dos problemas do país -, agem sem nenhum escrúpulo.

Para Aristóteles, o homem é por natureza um animal político, por natureza ele deseja se associar em comunidades, desde a família, até o estado. Ele concebia a política como uma prática que visa a felicidade de toda a comunidade. Esse é o fim da associação política, promover a virtude, o bem coletivo. Se visar interesses particulares, de um grupo, de determinado partido e assim prejudicar o bem comum, não é política.

O homem dotado de prudência e de virtude atinge o máximo de suas realizações, é o melhor dos animais, mas quando afastado da lei e da justiça, se torna o pior dos animais. Quando abusa, quando pratica a injustiça, se torna uma fera, diz Aristóteles.

A virtude da justiça é um valor político, pois a comunidade política tem como regra máxima, a prática da justiça.

Ora, o que se vê nessas eleições, de parte de seu dirigente máximo, é gozar das instituições, soltar palavras ao vento, nadar na popularidade.

Os discursos fascistas se baseavam no conceito de pai, de todo poderoso, de árbitro final de todas as questões. Justamente para coibir o pensamento livre, manietam o rebanho. "Siga o chefe, e você terá o melhor dos mundos!"

Incrível que todas as realizações econômicas ou vieram da iniciativa privada, ou de "laisser-faire", o governo não só deixa estar, como incentiva a liberdade de mercado. Na outra ponta, extorque com impostos. Exatamente o que a esquerda do discurso pronto contra o neoliberalismo pregava, foi ignorado. É evidente, pois no sistema de capitalismo avançado, é impossível pôr a economia a ferros pelo Estado. Mas isso não é dito.

Como se vê, um partido que pregou o discurso da ética, foi o que mais a feriu quando no poder.

Um partido que pregou o discurso contra o neoliberalismo, calou, aceitou e praticou a política liberal, de mercado!

Quando a aprendiz de feiticeiro, no poder, mostrar suas garras de terrorista, será tarde...

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* Inês Lacerda Araújo doutora em Estudos Linguísticos, filósofa, escritora e professora aposentada da UFPR e PUCPR.

Um comentário:

Wanderley Elian Lima disse...

Se tem uma coisa que nossos políticos não conhecem, é a ética. Acho que eles nem nunca ouviram falar nisso. São mentirosos, dissimulados e corruptos.
Abração