segunda-feira, 1 de julho de 2013

O QUE PENSA O MENINO DE SERINGAL

Diante da atual realidade brasileira em que todo mundo é especialista, mas ninguém entende profundamente de nada, elaborei os seguintes comentários acerca de alguns assuntos tidos e havidos como polêmicos. Os textos, esclareço, são de caráter pessoal, nem reivindicam o valor de verdade. Lembrem-se que há sempre exceções, quando faço algumas afirmativas de cunho generalizado. Não estou a discutir a vida particular de quem quer que seja. O alvo de meus comentários diz respeito ao que é de caráter público. Desculpem-me se o título acima parece pretensioso, mas é preciso saber que este blogueiro vive afundado nos livros, mas os ouvidos estão atentos aos sutis movimentos que envolvem a realidade brasileira. É a minha provoc’ação!



PÁTRIA DAS CHUTEIRAS

Se o Brasil é a pátria das chuteiras, muito prazer! eu não sou brasileiro.


IMPRENSA

O problema da imprensa brasileira é que ela fala de tudo, menos do que é essencial.


DILMA

A Dilma é uma cópia mal feita do Lula. Podia ser uma boa ministra, como talvez foi, mas nunca uma boa presidenta. Não por falta de competência. O fato é que o talhe da roupa é desproporcional ao corpo. Sua eleição revela um Brasil sem opção.


LULA

É um caso curioso no atual cenário político. Lula meio que apreende o espírito e os anseios de uma época. Assim como fora Vargas e Kubitschek em seus respectivos tempos. Por isso tornou-se uma espécie de mito; portanto, difícil de ser tocado, maculado. E isso não tem nada a ver com capacidade intelectual, nem diploma. Não estou a falar de um Lula o qual se deve amar ou odiar. Estou à me referir de um Lula enquanto fenômeno político.
Em relação ao Lula presidente não nutri nenhuma admiração. Um  governo de falácias, cujas bases, a imitar as robustas colunas gregas, não passavam de toscas palafitas ao estilo das amazônicas. E a casa começa a ruir...


CRISTO

Acho que Cristo veio numa época muito fácil. Queria ver hoje! Mas pensando bem, a nossa época não difere muito da dEle. Muda apenas o cenário, os atores: os dramas permanecem. Não muda muito se um fariseu hoje se chama um homofóbico, se um chefe do templo se chame senador... A história sempre se repete. E a impressão é que se repete ainda mais tosca e decaída.


SER HUMANO

Sou devoto do ser humano. Antes de qualquer apelo de natureza divina, só creio na redenção (ou perdição) humana pelo próprio ser humano. Tal é meu grande defeito, e talvez minha única virtude.


FREUD EXPLICA?

Alguém pode me explicar como que um povo um dia sai às ruas ferrenhamente a protestar e a vomitar brados de revolta e indignação contra o governo e a copa, e no outro, solta rojões e foguetórios para comemorar a vitória da seleção brasileira?


GOVERNO ACREANO

A cova que o atual governo acreano abriu para seus opositores agora é a sua própria cova. É sempre bom lembrar os sinos de John Donne.
O problema destas gestões últimas não foi a incompetência, deveras, grassa, mas a prepotência. Empinam o nariz para falar, em congressos e feiras internacionais, de um Acre referência em questão ambiental, enquanto o povo padecia e padece de miséria (e de cultura) nas beiras de rios, de ramais enlameados ou nas periferias das nossas já periféricas cidades. E os grandes projetos políticos se resumiram em distribuir motor, fogão a lenha e entijolar ruas. E as ruas do povo ria do povo, feliz e ludibriado, como um final de tarde chuvoso. A estrada foi um furdunço: alardeou-se que estava trafegável o ano inteiro. E tudo dissolveu-se na primeira chuva. Só os cofres públicos é que nunca mais foram os mesmos.
Mas não bastava ter o domínio político, era preciso estender o domínio sobre a esfera do tempo. E mudou-se arbitrariamente o fuso horário do Estado. Ah! desculpem-me, isso foi demais para mim. O Acre poderia ter 30 horas a mais ou 30 horas a menos, isso é indiferente. Há algo mais sério, mais profundo por detrás disso, e isso me inquieta. Será meramente por uma necessidade de autoafirmação: epa! aqui quem manda sou; para atender os interesses da grande mídia em relação a adequação de horário; por um fetiche pessoal? É possível, mas não muito crível. É como se eu tivesse recebido um tapa, mas ninguém me explicasse o porquê. Depois, a revogação do referendo: o tiro de misericórdia, sem ao menos saber a razão porque morria.
Mas o governo não deixa de ser reflexo de seu próprio povo. Não há corrupto sem aquele que se deixa corromper. O que se deixa corromper é tão ou mais imoral quanto o seu corruptor.
Mas não há o que regozijar quando um grupo ou líder político sucumbe. É como se sentíssemos prazer na lâmina que atravessa nosso corpo, porque o baque será sobre as nossas próprias costas.
Se o que está aí não serve mais, também não vejo muita perspectiva nos que estão fora. A oposição é um fiasco, isso para não dizer que não existe. Trocar o governo atual pela sua dita oposição, é apenas trocar de problema; no máximo, trocar de patrão. Isso não quer dizer que não deva existir mudança. E urge!


IMPRENSA ACREANA

Existe uma imprensa acreana? Se existe, a que se presta? A quem serve? Nenhum governo se sustenta sem um bom aparato de propaganda. Motivo pelo qual nossos governos gastam tanto em marketing. E onde uma imprensa é subserviente a um governo, o povo é sempre quem sai perdendo. E em último caso, a democracia é enfraquecida, pois ela se caracteriza pela multiplicidade de vozes, inclusive vozes contestadoras, não pela homogeneização ou elimininação de seu interlocutor. De modo que uma imprensa que não contesta, é uma imprensa que não serve. Pode fazer muito bem o seu papel de anunciador de boas novas ou das mazelas humanas, mas não serve ao aperfeiçoamento da democracia.
Francamente: o que seria do jornalismo acreano atual sem a presença de Altino Machado? Não passaria de um jornalismo de igrejinha num coro de amém de beatas velhas e noviços. Com isso eu não quero dizer que estou de acordo com todas as posições remanescentes de seu trabalho. A questão não é esta. O fato é que quando a grande mídia no Estado silenciou ante o atual cenário político de crise, ele foi uma das únicas vozes de peso a devolver ao povo o direito ao outro lado da história, então cuidadosamente vigiada. Os milhares às ruas no Acre, em si não é mérito dele, certamente, mas sem seu trabalho jamais teria alcançado a força e a repercussão que teve e suscitou. Talvez tivesse sido apenas mais uma entre tantas outras que findam antes de começar. Ousaria até mesmo dizer que Altino Machado é hoje uma espécie de jornal Varadouro concentrado, ainda mais forte, ainda mais audaz, ainda mais imprescindível.


RELIGIÃO

O Eclesiastes diz que tudo tem seu tempo. Então este está deixando de ser o tempo da religião. É muita letra, e pouco espírito. É muito milagre, é pouca fé. É muita fé, e pouca obra. É muita obra, e pouca justiça. E onde não há justiça, Deus se retirou. Parece-me, na minha parca ciência, que essa necessidade pelo transcendente, ou por aquilo que transcenda a própria realidade humama é algo inerente à própria condição do ser humano. No entanto, afigura-se, que a religião não mais se torna o lugar por excelência dessa manifestação do transcendente, do divino, ou como melhor lhe apeteça chamar.
Particularmente, dispenso a religião. Dispenso porque, para mim, a religião serve como um véu, um manto, um invólucro que não me permite ver Deus em sua inteireza. (Também entendo que para outros a religião atua de forma contrária ao que afirmei). Deus não precisa de apologias, nem de apologetas. Querer exaltar a Deus com palavras, e mesmo com gestos concretos me soa mesquinho e bajulento. Mais um capricho, uma entre as  tantas vaidades humanas. Por isso o meu entender atual da religião (e aqui tenho em mente a cristã) como teatro. Deus, quem sabe, goste de teatro. Mas nunca de teatro de péssima qualidade, como o que temos presenciado. É como se Deus servisse para justificar ou sanar as nossas misérias. Faz-se descaradamente o uso indevido do nome de Deus para justicar atos ou vontades individuais ou de grupos particulares.
Religião, etimologicamente, nos remete para a ideia de religação. A religião seria um meio pelo qual nos permitiria religar, reestabelecer a nossa comunhão com o divino. Mas tem ela permitido e suscitado isso? Os Manzzotis, os Fábios de Mellos, Os Hernandes, os Malafaias... os show-mans, esses transformaram a fé num espetáculo, e de quebra, tornaram-se os atuais coveiros da religião. É claro que o meu fato de não querer uma religião não tem nada a ver com essas balelas e tagarelices. A religião pode ter como meta o divino. Mas só é possível no tempo, e por homens. E homens mudam, conforme mudam os interesses. De modo que seria infantil renunciar a uma religião por causa de seus maus integrantes. Certamente não foi o que Cristo fez. Nem eu.
Não cultivo nenhuma espécie de desgosto ou xenofobia em relação às religiões. Acho-as indispensáveis. Vivi e dediquei bons anos de minha vida a uma, a Católica. Amei-a tanto. É só quem ama é capaz de renunciar aquilo que ama (acho que plageei alguém nessa frase). Tenho grande simpatia pela religiosidade popular. Quando dá na veneta vou à missa, à procissão, ao terreiro sem nenhum problema. O povo na sua simplicidade e sinceridade sabe melhor amar e apreciar a Deus do que as grandes instituições e grupos religiosos com todo o seu aparato de ritos, gritos e dogmas.


HOMOSSEXUALISMO

Não entendo o porquê de tanto bafafá em torno do homossexualismo tão antigo e tão humano quanto “aquela” mais velha profissão da terra. Por que transformar em debate público aquilo que é de natureza privada? Em que um “ser” gay, lésbica ou seja lá o que for, aumenta ou diminui a nossa condição de ser humano? Por que tanta brutalidade com alguém que confessa uma opção diferente da nossa? Quem ensinou ou estabeleceu a nossa opção como a melhor? Por outro lado, não vejo em que paradas gays possam ser úteis a esse debate. Serve apenas para incitar os ânimos dos já exaltados puritanos da sociedade, como se todo gay vivesse entre plumas e paetês. De qualquer modo é preciso evitar os extremos: nem Malafaia nem Jean Willys.
Às vezes me dá a impressão de que o homofóbico é um mal-amado (aqui se utilizando de toda a minha psicologia de 1,99). Toda sua violência soa como uma carência de algo mais profundo, um sentido, em último instância, para a própria vida. Odeia o outro quando na verdade odeia a si mesmo. É covarde porque não assume a sua própria fraqueza. E nessa fraqueza se concentra toda a força de sua violência. O mais fica por conta da ignorância, e preconceito é quase sempre fruto de ignorância. E ignorância, desde o velho Sócrates, é sempre um vício a ser combatido.
No mais, cada um sabe aquilo que aguenta. Ou não!


MENORIDADE PENAL

Nós, os brasileiros, não gostamos de justiça. O que nos apetece é a vingança. Gostamos de sentir o gosto de sangue na boca. Se pudêssemos matar o nosso algoz, mataríamos.
Mais que a discussão de quem é a favor ou contra a redução da menoridade penal, irrelevante, a meu ver, uma vez que o discurso às vezes serve apenas para desviar o problema. Mas se for necessário assumir uma postura, certamente assumo contra a redução da menoridade penal. É, a meu ver, fruto dessa nossa sede de sangue. Entendo que é preciso ir além do próprio crime, além das próprias emoções. Não se trata tolamente de ser licencioso com os atos inconsequentes do menor infrator.
E entendo que este também não é o melhor momento para chegar a conclusões definitivas acerca desta discussão. Sobretudo porque os nervos estão muito à flor da pele, instigados sobremaneira pela mídia, que combate o que ela mesmo incita. E se for discutir, que chamem pessoas competentes na área, não o pastor, o padre ou os atores da Globo, a menos que estes tenham a devida competência e preparo. Basta de discutir assuntos sérios com os retardados e especialistas em achismos da mídia.
É bom ter presente que tantas vezes o menor é apenas instrumento a serviço de outrem. Então reduzir a menoridade penal é como querer revigorar a árvore a partir das folhas, e não da raíz. Como se aquela fosse independente desta. Enfim, o que estou querendo dizer: é preciso primeiramente perguntar-se pelas causas, pela raíz do problema, e não ficar apenas na ponta do iceberg. Se não, vamos continuar polindo folhas, em vez de depositarmos terra boa à raíz.
Mais prisão não significa mais segurança. É ilusão achar que a redução da menoridade irá acarretar uma redução da violência praticada por menores. A violência persistirá enquanto o problema anterior (o das causas) não for resolvido.
No atual contexto brasileiro, onde, em que lugar abrigar o menor infrator? As FEBEMs fracassaram, a não ser como escolas de aperfeiçoamento do crime, os abrigos não possuem estruturas física e humana  que deem conta do problema. Como encerrar um jovem na atual realidade de uma penitenciária brasileira? Aí, sim, nós teremos problemas. E, com certeza, teremos assegurado uma colheita farta de delinquentes para o futuro. Nós estamos querendo solucionar o problema criando outro maior ainda. Se a realidade exige que se reduza a idade penal, então que se ofereça uma estrutura decente, que permita quem quer que seja, a oportunidade ou direito de ainda ser humano, por mais desumano que tenha sido o seu ato.
Entendam-me que eu não estou querendo fazer apologia do menor, portanto, conivente com a sua delinquência. De nada adiantaria encerrá-lo numa espécie de redoma de cristal, torná-lo intocável. É passível, sim, às prescrições da lei. Não estou a discutir os méritos da pena, mas as razões que se leva ao crime. Quero apenas chamar a atenção para as questões que nem sempre são tão visíveis, sobretudo quando estamos envoltos numa névoa de convicções, emoções e julgamentos apressados e generalizados.
É preciso discutir. Com calma. E com pessoas que tenham competência.
É também uma boa hora para se ler Michel Foucault.


MÉDICOS ESTRANGEIROS

Por que não médicos estrangeiros no Brasil? Os médicos vão para as ruas reivindicar como se eles fossem os reais prejudicados. É bom que se ponha um fim nesta pretensiosa classe do jaléco branco brasileiro, que acha que pode sujeitar todos a seus caprichos. É essa sempre mal resolvida classe média querendo tomar sobre suas mãos, as rédias do destino de todos nós, os pobres, sem planos de saúde, e, infortunadamente, à mercê do SUS.
Por outro lado, se temos carência de médicos, senhora presidenta, então, forme-os. Invista em mais universidades, em mais cursos de medicina e áreas afins. Ajude também os filhos de pobre a ter direito a ser médico, uma vez que já bem antes lhe fora tolhido o direito a ter acesso a um e a uma assistência de saúde de qualidade. Traga, sim, os dez mil médicos estrangeiros para amenizar as atuais necessidades desse grande país. Mas vá além, proponha-se a formar 20 mil novos médicos brasileiros daqui a 6 ou 12 anos. Se não, a senhora apenas põe remendo novo em pano velho.


O POVO NA RUA

As atuais manifestações revelam, ao meu entender, um país sem rumos, sem um projeto agregador que abarque os anseios gerais da população. O governo brasileiro governa para a minoria, compostas pelas grandes corporações empresariais nacionais e internacionais, as mesmas que depois financiam as suas campanhas. No mais é a política de assistencialismo e de projetos inacabados e superfaturados, restando ao povo as esmolas em forma de benefícios assistencialistas que lhes garantem apenas prolongar a vida, sem, no entanto, garantir o mínimo de dignidade para estas mesmas vidas. E pior, sem poder romper com esse círculo vicioso, que os ata a uma situação de pobreza constante. Políticas assistenciais são necessárias, mas enquanto medidas emergenciais. Se o povo está passando fome, então, deve-se dar de comer. Mas, depois, é bom se perguntar  por que ou o que está levando o povo a passar fome.
Se o povo está acordando para a real situação em que se encontra o nosso país, eu não sei dizer, uma vez que também não saberia dizer se ele estava dormindo. As manifestações revelam, conforme penso, uma via de mão dupla. Enquanto são instrumentos legítimos para reinvindicar mudanças são também indicativo de um povo humilhado e desnorteado. Grita, mas não sabe precisar o porquê de seu grito. Não quero com isto insinuar que as manifestações foram ou estão sendo supérfluas. Já é um grande avanço, a nós, brasileiros, acostumados a ver a vida como espectador, sair às ruas para também trazer para si as responsabilidades que antes havia delegado quase que exclusivamente a um governo, partido, etc. O que quero dizer é que não basta cortar os tentáculos, pois regeneram-se rapidamente, faz-se necessário acertar o coração do monstro. Não podemos nos contentar apenas com tarifas menores ou mais acesso a isso ou aquilo, embora reconheçamos que seja alguma coisa.
Talvez seja necessário uma reforma completa não só de nossas instituições, mas também, e, sobretudo, daqueles que as compõem. É bom não esquecermos que somos o povo do “jeitinho brasileiro”, do tirar vantagem em tudo. E depois, hipocritamente, saímos às ruas, empunhamos bandeiras e ideologias do bom virtuosismo enquanto que, concomitantemente, somos os mesmos que fraudamos o inss, sonegamos impostos ou adulteramos a balança do açougue. Sendo assim, o brasileiro não deixa de ser o pai adotivo de suas próprias misérias e mãe de seus próprios carrascos.
Por isso, na crítica que teço, a atual situação em que se encontra o cenário político brasileiro (e não só político, apesar deste está mais evidente) não deixa de ser reflexo do atual estado moral em que se encontra o povo brasileiro, do qual eu, você, não estamos isentos. É uma constatação dura, indigesta. Por isso, talvez, seja um bom pontapé inicial por onde se começar as tão almejadas e badaladas reformas políticas. Antes que tudo de novo termine em festa ou samba-enredo do próximo carnaval.


LÍDERES REFERENCIAIS

A meu ver, o grande nó do Brasil não é a tal crise de valores, porta de entrada, por exemplo, para a corrupção. O valores, embora pisados e cuspidos, estão aí, resistem e subsistem às querelas humanas. Um milhão de mentiras não anula uma verdade.
Nós, filhos indigestos deste tempo, vivemos qual galinhas, presos aos limites do próprio quintal. Nossos líderes gravitam em torno do próprio umbigo. Não veem além dos próprios interesses e de seu grupo imediato. Nunca arriscam um prato diferente. É a mesmice do arroz e feijão.
Portanto, no meu entender, o que carecemos é de bons líderes (embora eu não saiba precisar o que seja “bom”), líderes de visão, visionários, na acepção mais construtiva do termo, o de ir além de seu tempo, sem, no entanto, renunciar a seu próprio tempo. Na metáfora do sr. Boff, tratar-se-ia do homem águia. Capaz de levantar voos maiores, olhar mais aguçado, de firme convicção e firme propósito. Sabe aonde quer chegar. E se não sabe ou não há, ele mesmo abre o seu próprio caminho. Não vive meramente tateando às escuras, ciscando ou revirando o chão de suas próprias misérias.
A importância de bons líderes não é em si por aquilo que eles realizam ou realizaram, mas por aquilo que impulsionam, nas mudanças que suscitam e alcançam outros tempos, outros lugares.
Bons líderes não nascem prontos. Fazem-se. E o sistema educacional brasileiro os aniquila quase sempre ainda nos primeiros anos de escola. O restante fica por conta de uma mídia sorrateira, que põe no seu panteão jogadores de futebol e esdrúxulas celebridades. Os meninos crescem com o sonho de ser jogador de futebol, porque na tv só aparecem os jogadores de futebol, ricos e rodeados de mulhures. No mais, abundam bundas e novelas. É capaz de identificar a bunda da Sheylla Carvalho mas não o rosto de Darcy Ribeiro ou Irmã Dulce.
No atual cenário político brasileiro o galinheiro está cheio, talvez, com raras exceções, ainda reste uma Marina, um Cristovam Buarque, um Pedro Simon. Bons, mas ainda muito adocicados, a faltar aquela justa pitada de rebeldia. Tantos Guevaras quanto Teresas de Calcutá são necessários.
Agora é tolice ficar esperando líderes com foros de messias redentor. Líderes são nortes. Nunca ponto de chegada. Nem tábua de salvação.
Quem sabe as águias ainda estejam por chegar. Mas que venham também com a firmeza do chão.

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