quarta-feira, 16 de abril de 2014

LITERALTICES

Isaac Melo

a..............................
Luiz Felipe Jardim
Leila Jalul
                                                           Palazzo
                                                           Rogel
                                                           ............................................................
pelo dom da palavra e da amizade
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a andorinha não faz verão
quando é inverno no coração

*

nunca vi Deus nem o diabo
esta é a sina
do homem bem comportado

*

em tudo a todos fui igual
até em ser apenas mortal

*

hoje, as páginas dos jornais
amanhã, silêncios sepulcrais

*

passo a passo do passageiro
a morte, a velar, no bagageiro

*

as estrelas caladas
cantam as dores
das madrugadas

*

morre a noite
aurora do meu peito
agudo açoite

*

não sou nada
apenas homem
indignado

*

livrem-me da prisão da eternidade
a morte, meu aguilhão e liberdade

*

retiro a máscara
a imagem que vejo
não me retrata

*

o amor é capricho
o sexo, relaxo

*

na calçada, o tempo parou e olhou
a vida veloz cruzou a esquina
a morte, guarda de trânsito, a multou

*

um poeta não é nada
enquanto sua alma-palavra
estiver calada

*

sábio
é aquele que foge
daquele que diz que sabe

*

e esta fome que não passa
e esta graça que não grassa
e esta dúvida que queima
e esta vida que teima

*

todos os soldados armados
não vale um poeta amado

*

essa mania de querer
ser tudo
ainda vai nos levar
a nada

*

ainda fujo de mim
nem que para isso eu roube
as asas de um passarim

*

melhor assim
não confiar em deus
se ele não confiar em mim

*

não me venha com lições
para isso basta meu coração
e suas razões

*

não me importa
que me chamem de louco
desde que eu possa ser
isso e mais um pouco

*

perdi a fé também
mas ninguém perde
aquilo que não tem

*

meu ato de fé
é os lábios
de uma mulher

*

a vida
eu não maldigo
não há ninguém que tendo tudo
não seja também mendigo

*

não é a vida que para
sou eu que não vou

*

nem devagar nem muito apressado
a morte espreita sempre os extremos
de cada lado

*

ainda vou ser rico
ter duas mulheres
e me mudar pra suíça

*

alguns sonharam-me
como um homem sagrado
agora acordem
tornei-me alucinado
deixei tudo à revelia
para viver em companhia
das musas e da filosofia

*

já se nasce morrendo
e  só se morre vivendo
então vivamos
enquanto nos resta
o que morrer

*

a poesia, se duvidar,
nas asas de uma borboleta
ainda vai voar

*

poema curto
eu curto
corto
até curtir
ir

2 comentários:

Palazzo disse...

Profundo hein?
Mas, legal.
Parabéns, mas quem tem que agradecer amizade aqui sou eu :-)
obrigado e abraço

ROGEL SAMUEL disse...

posso publicá-los?