quarta-feira, 16 de julho de 2014

7 POEMAS E 1 POETA

Isaac Melo
  
Ser cachorro! Ganir incompreendidos
Verbos! Querer dizer-nos que não finge,
E a palavra embrulhar-se na laringe,
Escapando-se apenas em latidos!

Augusto do Anjos


    I

a minha poesia
é como essas flores
que nascem com a noite
e morrem com o dia


        II

o vento assanhava
o cabelo das árvores
enfeitado  de  aves


     III

se fosse só escuridão
eu até compreenderia
como tudo é claro
tudo perde a razão


IV

o   corpo    vislumbra   a   subida
luta, sonha, agoniza
na vã tentativa de asas partidas


   V

o  sol   no   horizonte
dourava os prédios
enquanto o poente
amadurecia de tédio


VI

rompe a noite
acendem-se as luzes da cidade
tudo se reveste
da mais clara opacidade


   VII


a noite fala
pelo silêncio das estrelas
que na alma
cala
Postar um comentário