segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

JACKSON VIANA, o jovem talento da poesia acreana

Isaac Melo


Jackson Viana, fundador da
Academia Juvenil Acreana de Letras
Álvares de Azevedo, Castro Alves e o nosso Francisco Mangabeira já haviam alcançado a imortalidade poética antes dos vinte anos. Todos gigantes da poesia, a perpassar os tempos, incólumes e originais.

Ele tem sido foco na mídia acreana e vem despertando a atenção dos grandes nomes da literatura contemporânea do Acre. No auge de seus catorze anos, quando o assunto é poesia ele agiganta-se, deixa de ser um simples adolescente para ser um poeta de versos precisos e linguagem elaborada.

JACKSON VIANA (de Paula dos Santos), esse é o nome do que poderíamos denominar o “novo príncipe-mirim da poesia acreana”. Ele nasceu em Rio Branco (AC), no dia 12 de dezembro de 2000. Estudante de escola pública, ele é filho de Joaquim Rosas dos Santos e da tarauacaense Luzineide Viana de Paula.

Contava apenas oito anos quando começou a escrever seus primeiros textos. Aos 12 anos, concluiu o seu primeiro livro, intitulado “Onde mora a felicidade?”, um conto, que foi lançado quando ele tinha 13 anos, no mesmo mês em que veio a lume o segundo, “Aprendendo a viver”, de poesias e sonetos. Entre outras premiações, foi classificado em primeiro lugar, no Acre, no 43° Concurso de Redação de Cartas dos Correios.
Jackson Viana em lançamento de seu livro (Imagens de facebook do poeta)

Se não bastasse, Jackson Viana, vendo a necessidade de divulgar a literatura e o incentivo à leitura, tomou para si a grande missão de fundar a Academia Juvenil Acreana de Letras (AJAL), que conta com o apoio da Academia Acreana de Letras e da Academia de Poetas Acreanos, e terá a sua sede provisória na Biblioteca da Floresta, em Rio Branco (AC), que por meio de seu diretor, Marcos Afonso, vem dando todo apoio a essa honrosa iniciativa.

A Academia Juvenil Acreana de Letras será composta por quarenta membros, a exemplo das demais academias de letras, e encontra-se com inscrições abertas para o processo seletivo de posse de membros temporários e ocupação das cadeiras. Podem participar todos os jovens escritores e poetas de idades entre 12 e 18 anos, residentes e naturalizados do Acre, ou residentes há mais de 10 anos em qualquer cidade do Estado. (Mais detalhe na página oficial da AJAL)

Abaixo damos uma pequena demonstração do talento poético de Jackson Viana, três sonetos, a quem, aqui, agradecemos a generosidade do envio. Vida longa ao poeta! Nosso apoio e nossa estima!



INGRATIDÃO
Jackson Viana


És tu, destas serpentes venenosas,
A que rasteja sempre em vão caminho,
Que reproduz-se num penoso ninho,
Que passa por dentro das secas rosas...

És tu – Não passas disso! – uma gulosa
Que farta-se do vil pódio mesquinho,
E, se passares por dentre os espinhos,
Serás só mais uma fera raivosa.

És tu a mais imunda recompensa,
Pois não cansas de lançar tuas ofensas
E procuras um céu pra ser teu chão.

És tu quem não desejo ter provado.
Se, por ventura, alguém tiver-te ao lado,
Que te dispense! Oh, vil ingratidão!


JOGUEI PRO ALTO DORES PRESCINDÍVEIS
Jackson Viana


Joguei pro alto dores prescindíveis.
Deixei reinar a minha voz, meu grito.
Desprenderei-me desse forte rito,
Pois me rodeiam corpos invisíveis.

Resta-me ainda aquela fria cama
Que vira leito meu, em meu martírio...
Que vira alento, mesmo em delírio...
E vira cobertor de quem me ama.

Nada passou! Restaram tantos pesos...
E acertam hoje a estes pés ilesos
As mesmas flechas vis, irreprimíveis...

Também se vão os que tomam espaços,
Como um dia, junto aos meus pedaços,
Joguei pro alto dores prescindíveis.


NINGUÉM
Jackson Viana


Quem poderá tirar-lhe a quimera,
A inocência e os atos infantes?
Quem poderá soar os seus berrantes
E impedir o fim que lhe espera?

Quem ceifará com toda a primavera,
Ou tornará as flores ofegantes?
Quem poderá ser forte, qual gigantes,
Um deus das órbitas e atmosferas?

Quem poderá ditar o rumo incerto
Que têm os grãos de areias do deserto?
E as gotas duma chuva ninguém conta!

Ninguém se atreva - oh, não! - a ser valente,
Até quem diz a Deus não ser temente
Teme ao sentido que seu dedo aponta.

2 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

PERMITA-ME DEPOIS DIVULGAR NOS MEUS BLOGS E FACEBOOK UM POEMA DESSE POETA DE QUEM SE ESPERA GRANDES REALIZAÇÕES...

AlmaAcreana disse...

Sinta-se à vontade, Rogel Samuel!
Abraços!