sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Filhos da Esperança

O filme “Filhos da Esperança” apresenta um enredo muito rico e interessante do ponto de vista filosófico. Narra a história num futuro, onde a humanidade sofre com a esterilidade, não há mais crianças e todas as mulheres estão estéreis. O filme é impactante.

O enredo do filme se dá na Inglaterra do ano 2027, praticamente o único país do mundo que ainda não caiu nas garras da revolução. Para demonstrar essa realidade o filme mostra inúmeros imigrantes enjaulados. O mundo é impactado pela notícia da morte do jovem Diego Ricardo, o ser humano mais novo do planeta com apenas 18 anos, já que misteriosamente todas as mulheres haviam se tornado estéreis. No meio de toda essa comoção, Theodore Faron (Clive Owen) tentando levar seus dias do jeito mais tranquilo possível, dentro de um mundo prestes a ruir, vê sua vida dá uma reviravolta, quando é seqüestrado pela ex-mulher (Julianne Moore), ativista de um grupo revolucionário chamado “Os Peixes”, para lhes fazer um favor: conseguir uma documentação para a jovem Júlia, a única mulher grávida do mundo, chegar à costa marítima sem ser presa pelo governo.


Uma das cenas mais significativas é quando Theo encontra Júlia no curral em meio às vacas e lhe revela a sua gravidez. A genialidade da cena está no contraste de apresentar a vida como um mundo calmo como os da vaca, enquanto o mundo dos homens é atormentado pelas guerras, pela violência. A partir daí, Theo assume a missão de levar a jovem ao seu destino que é encontrar o barco do Projeto humano, onde ela estará à salva. Nessa caminhada a jovem tem bebê, e passa a enfrentar as maiores dificuldades.


Outra cena interessante é a do barco, quando os dois chegam ao destino, eles não têm nenhuma noção do que os espera e não sabem se o barco que deveria os aguardar ainda está lá ou não. Nisso, ferido Theo morre, e fica apenas Júlia e a criança no barquinho até avistar o barco do Projeto Humano que os salva.
*
-- Isaac Melo --

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Quem disse que a Bíblia não é romântica...


“Que me beije com beijos de sua boca!

Teus amores são melhores do que o vinho,

O odor dos teus perfumes é suave,

Teu nome é como óleo escorrendo,

E as donzelas se enamoram de ti…”

(Ct 1, 2-3)


Esses versos, por mais que pareçam, não são de nenhum poeta moderno ou mesmo do romantismo, etc. Eles iniciam o livro mais “romântico” da Bíblia, o Cântico dos Cânticos (ou Cantares), o mais belo cântico que celebra numa série de poemas o amor mútuo de um Amado e de uma Amada, que se unem e se perdem, se buscam e se encontram.

Este livro, que não fala de Deus (propriamente) e que emprega a linguagem de um amor apaixonado, tem causado estranheza. É tanto que dificilmente as igrejas o lêem, ficando o mesmo esquecido, seja propositalmente, seja devido às divergentes interpretações, já que segundo alguns exegetas bíblicos, é o livro do Antigo Testamento que mais tem sido alvo das mais diferentes interpretações.

Ao relegarem este livro a segundo plano, as Igrejas tem muito a perderem, tanto por ignorarem o seu valor enquanto texto sagrado, quanto por deixarem de usá-lo principalmente para a educação do matrimônio, o valor do casamento, do relacionamento honesto e sadio, enfim falar do amor, é sem dúvida cantar a beleza do Deus que se revela também por meio do amor conjugal. Aliás, uma imagem que Deus usa muito no Antigo testamento é a da Esposa e do Esposo, para se referir a sua relação com o seu povo.

De acordo com os comentários da Bíblia de Jerusalém (considerada uma das melhores traduções), o autor dos Cânticos é um poeta original e hábil literato, e pode-se buscar a origem do Cântico nas festas que acompanhavam a celebração do matrimônio, e se têm feito comparações interessantes com as cerimônias e os cânticos nupciais dos árabes da Síria e da Palestina. O Cântico é uma coleção de poemas unidos somente pelo seu tema comum, que é o amor.

O Cântico dos cânticos ensina a seu modo a bondade e a dignidade do amor que aproxima o homem e a mulher, exorciza os mitos que se lhe associavam então e livra-o tantos dos vínculos do puritanismo como da licenciosidade do erotismo. Nossa época não deveria deixar passar despercebida esta lição.

Acompanhe mais um trecho:
*

(dueto entre o Amado e a Amada)

"- Como és bela, minha amada,
Como és bela!…
Teus olhos são de pombas.

- Como és belo, meu amado,
E que doçura!
Nosso leito é toda relva.

(…)

- Macieira entre as árvores do bosque,
É meu amado entre os jovens;
À sua sombra eu quis assentar-me,
Com seu doce fruto na boca.
Levou-me ele à adega
E contra mim desfralda
Sua bandeira de amor.
Sustentai-me com bolos de passas,
Dai-me forças com maçãs, oh!
Que estou doente de amor…
Sua mão esquerda
Está sob minha cabeça,
E com a direita me abraça.

- Filhas de Jerusalém,
Pelas servas e gazelas dos campos,
Eu vos conjuro:
Não desperteis, não acordeis o amor,
Até que ele o queira!"


(Ct 1, 15-16; 2, 3-7)


Deixo, assim, o convite a conhecer esse belíssimo livro bíblico, que na sua linguagem própria fala daquilo que nós mais precisamos hoje, o amor.


Obs: Texto feito com base nos Comentários da Bíblia de Jerusalém, edições Paulinas, São Paulo: 1973.
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-- Isaac Melo --

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Maranhão é da Família Sarney.

O Povo, que povo?

- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;

- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;

- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;

- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário;

- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);

- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas 'maravilhosas' rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
Não gostou de nada disso? Então quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney...
Seria cômico se não fosse tão triste....
E quando o Zé Sarney morrer.... o Maranhão fica para seus filhos ou volta para o povo????
*
-- Luisa por via e-mail --

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A velhinha...

Um homem jovem estava fazendo compras no supermercado, quando notou que uma velhinha o seguia por todos os lados.

Se ele parava, ela parava e ficava olhando para ele.

No fim, já no caixa, ela se atreveu a falar com ele, dizendo:

- 'Espero que não o tenha feito se sentir incomodado; mas é que você se parece muito com meu filho que faleceu.

'O jovem, com um nó na garganta, respondeu que tudo estava bem, que não havia problema.

A velhinha lhe disse, então:

- 'Quero lhe pedir algo incomum.

'O jovem lhe respondeu:

- 'Diga-me em que posso ajudá-la.

'- 'Queria que você me dissesse 'Adeus, Mamãe', quando eu me for do supermercado, isso me fará muito feliz!

'O jovem, sabendo que seria um gesto que encheria o coração da velhinha, aceitou. Então, a velhinha passou pela caixa, após ter registrado as suas muitas compras.

Aí, se voltou sorrindo e, agitando sua mão, disse:
'Adeus, filho!'

Ele, cheio de amor e ternura, lhe respondeu efusivamente:
'Adeus, mamãe!

'Ela se foi e o homem ficou contente e satisfeito pois, com certeza,havia dado um pouco de alegria à velhinha.

E, então, passou suas compras.

'São R$ 554,00'; lhe disse a moça do caixa.

'Por que tanto, se só levo estes cinco produtos?

'E a moça do caixa lhe disse:

- 'Sim, mas sua mamãe disse que você pagaria pelas compras dela também...



'P.S. Até os canalhas envelhecem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A fé que brota da floresta

“Velas nas mãos e do meio da floresta acenderam-se chamas de esperança.
E Deus sorriu para a Amazônia.”


Vista panorâmica do Seringal Capela



Seringal Capela, ou simplesmente, Capela é uma pequena comunidade situada na margem esquerda do Rio Muru, cerca de um dia de viagem de barco movido a rabetão da cidade de Tarauacá, no Acre. A comunidade é formada por um pequeno conjunto de casas cobertas de palhas, formada pela casa do proprietário, o salão de festa, uma escola, a Igreja, uma carreira de botequins, uma cadeia e mais duas ou três casas, tudo isso ao longo de um enorme trapiche de madeira. Vindo do rio alcança-se o lugar subindo uma enorme escada, que ameniza a subida do íngreme barranco. Há telefone e eletricidade gerada por um pequeno Gerador, movido a óleo diesel. Compõe ainda esse cenário algumas árvores, como mangueiras, jambeiros, coqueiros, etc. Durante nove dias a monotonia daquele lugar é quebrada pela presença constante de canoas, pessoas, sons, etc. É a floresta em festa!

Já é assim há mais de cinco décadas e a cada ano toma nova dimensão. O motivo disso
tudo é uma forte devoção à aquele que foi soldado romano cristão, que morreu heroicamente pela sua fé, São Sebastião, invocado principalmente contra a peste, a guerra e a fome. Como surgiu a devoção naquelas plagas longínquas, não sei ainda, mas provavelmente fruto de alguma “promessa”, tão comum nessa região.

Há três anos acompanho essa comunidade, que como tantas outras vivem a sua fé com base naquilo que receberam das gerações anteriores, sem uma assistência maior pela Igreja Católica de Tarauacá.

Este ano foi um dos mais significativos ao longo destes anos. Primeiramente a imagem de São Sebastião que havia sido queimada foi substituída por uma nova vinda do Paraná. E vocês não imaginam o quanto isso significou para aquelas pessoas, seus olhos emitiam um brilho de esperança e carinho. Não se trata da imagem em si, isso é de menos, trata-se da fé que norteia a vida de cada um e que sem ela a vida seria muita mais insuportável. Um pequeno cortejo acompanhou a entrada da imagem na capela. Depois todos querendo uma fotografia segurando o santo padroeiro, que mais parecia uma celebridade de TV por tantos flesh’s.

Nas duas últimas noites a pequena capela estava repleta com pessoas vindas dos demais seringais e da cidade. Poucos bancos, a maior parte ficou em pé. E cantos, e palmas, e oração... Olhos e ouvidos atentos para o que eu dizia, como se minhas palavras naquele momento transcendesse o tempo e o espaço. E assim deveria ser. Senti arrepios, pois não há nada que me diferencie deles, a não ser minha opção de vida.

Mas, um dos momentos mais marcantes foi a procissão, que pela primeira vez foi feita na última noite da novena. Velas nas mãos e do meio da floresta acenderam-se chamas de esperança. E Deus sorriu para a Amazônia. Atravessamos campos, sob frondes de árvores, e breves paradas. Vez por outra quebrava a monotonia da floresta os estalidos fortes dos foguetórios. E viva São Sebastião!

Há, no entanto, muito a ser feito por aquela comunidade, a começar pela a construção da nova igreja em alvenaria. Já está quase pronta, mas faltam ainda portas, janelas, o piso, a pintura, a instalação elétrica, bancos, sistema de som. Algumas lideranças que se encontrava no momento se disponibilizaram a ajudar. O vereador Ezi Aragão doou R$1000,00 (mil), mais canoas caso precisem para o deslocamento dos materiais da cidade para a Capela; Raimundo Leite doou as lajotas para o piso; os dois outros vereadores Raimundo Furtado e Lulu disseram que auxiliariam no que fosse possível (creio que era apenas a euforia do momento, não vai dar em nada). Ano que vem divulgo quem de fato cumpriu a palavra.

Faço um reconhecimento em especial aos irmãos Hildo e Edivan Coelho, que sempre providenciam a viagem e todo o seu suporte, pelo carinho e atenção que a mim dispensam. Além do proprietário do Seringal Capela em nome do sr. João Tibucio.

E assim, foi mais um ano de muita fé, alegria e esperança no novenário de São Sebastião, na certeza de que este momento se encontra gravado em meu peito e todos que ali estiveram a custa de sorrisos, sonhos, e aquilo que mais o mundo carece, amor verdadeiro...


Veja vídeo e fotos dos momentos marcantes:




Chegada da imagem


Olha o passarinho!



Início da Procissão



Nas celebrações

Esssa casinha simpática é a cadeia da localidade


Agradecimento especial ao Comando de Operações Especiais (COE) de Cruzeiro do Sul, que fez um ótimo trabalho. Acima alguns.


Eta forró bom!

E muitas redes!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

AS ALMAS SÃO DESERTAS E GRANDES

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
(Heterónimo de Fernando Pessoa)