segunda-feira, 26 de setembro de 2016

HISTÓRIAS ACREANAS NÃO CONTADAS

Singela homenagem aos abnegados homens que, com seus incansáveis esforços, alavancaram, o desenvolvimento do Acre. 

ALAN KARDEC GUEDES DE SOUSA (Encadernador) 
De Gilberto A. Saavedra – Jornalista – Rio de Janeiro 

Em julho do ano de 2015, fiz uma visita ao amigo Sebastião Araujo, Preparador Físico da Seleção brasileira de futebol de 1978, na Argentina, que teve como técnico Cláudio Coutinho, já (falecido). Sebastião Araujo, conhecido entre nós, acreanos, carinhosamente como “Tião macaco”, por suas acrobacias como goleiro do time do Rio Branco Futebol Clube, na década de 1950.

Conversa vai, conversa vem, em seu confortável apartamento, de frente para o mar na barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o nosso amigo Sebastião Araujo, depois de me contar sobre o seu trabalho como técnico em vários continentes, disse-me que tinha uma relíquia para me mostrar; levantou-se, foi ao salão e trouxe em mãos, um velho álbum, desgastado pelo tempo e falou-me:

“Meu amigo Saavedra, este álbum artesanal de fotografias, eu guardo com muito carinho, todas minhas lembranças, do meu maravilhoso e inesquecível tempo que vivi no Acre. Ele foi confeccionado por mim, e supervisionado, pelo nada mais, nada menos famoso Encadernador Oficial que o Estado do Acre já teve. Seu nome: Alan Kardec Guedes de Sousa. Trabalhei um bom tempo na Imprensa ao lado Alan. Criamos uma grande amizade; um profissional de mão cheia que executava a sério o seu trabalho; sempre alegre e sorridente, levava sua vida numa boa. Sinto saudade desse gostoso tempo” finaliza Sebastião Araújo.
Prédio da Imprensa Oficial do Território do Acre

Realmente ele se tornou um excelente profissional na profissão de Encadernador Oficial do Governo do Estado do Acre.

Alan Kardec Guedes de Sousa nasceu em Lábrea – Amazonas, no dia 6 de Outubro de 1924. Filho de José Alves e Isaura Guedes de Sousa, que teve também uma filha, Iolanda. Em Manaus, já adolescente, com um professor baiano, aprendeu o exercício da profissão.

Quando sua família se mudou para o Acre, ele conseguiu preencher os requisitos necessários em uma vaga de Encadernador da Imprensa Oficial.

Foi trabalhar como diarista, e só depois de alguns anos foi enquadrado com funcionário público da União do Ex-Território Federal do Acre. O trabalho era árduo. A gráfica da Imprensa executava todo o serviço do Governo. Era serviço que não acabava mais. Mesmo com toda essa carga o Alan não desanimava.

O Setor de Encadernação da Imprensa fazia também os contratos de serviços particulares. A maioria dos serviços oficiais tinha um destino certo: os órgãos públicos do governo.

Também, fazia muitas restaurações em livros, obras danificadas pelo tempo. Os livros do Tribunal de Justiça, na época, o então Desembargador Paulo Ithamar Teixeira, solicitava os serviços. O Setor de Encadernação também faturava com os contratos de Empresas particulares. Os serviços de encadernação eram os mais diversos.

Com o crescimento da demanda, a mão de obra qualificada ficou pequena. No início de tudo era só ele que trabalhava, mas com o avanço do progresso, o setor foi obrigado a treinar Aprendizes de Ofício nos setores de Tipografia, Impressão e Encadernação.

Na primeira leva de Aprendizes de Ofício da Imprensa, o Sebastião Araujo (Tião macaco) participou dela. Ficou como Auxiliar de Encadernador, ele e outros, sob a coordenação do Alan. Tião me disse, que naquela época, então rapazola, em certo momento, durante o expediente, ele interrompia parcialmente o trabalho por ordens do Alan, para ir deixar na residência dele, uma compra que por ventura ele tivesse efetuado. Comentou que foi muitas vezes na casa da família do Alan. Também, falou que aos sábados, lhe mandavam comprar aguardente (cocal) para dar mais ânimo pra rapaziada, da impressão do jornal “O Acre” que tinha uma tiragem semanal.

O ambiente de trabalho era o melhor possível entre os empregados. Existiam três setores fundamentais – Tipografia, Impressão e Encadernação que trabalhavam na tiragem do Diário Oficial do Estado e o jornal O Acre que era semanário; mais ou menos umas três dezenas de empregados desses setores, trabalhavam na confecção desses jornais, além da parte administrativa e diretoria.

Alan trabalhou na Imprensa até o início da década de 1970, quando então se aposentou. Ele e mais dezenas de profissionais foram os pioneiros: Gonçalo Moreira Boaventura, Raimundo Alves Dias, Natal Barbosa de Brito, José de Castro Barbosa, Leonardo Teófilo da Mota, Leôncio Pereira Gomes, Waldemiro Felix de Medeiros, Elínio Sales da Cunha, Eduardo Sales da Cunha, Orlando Vieira da Mota, Francisco Teófilo da Mota, Juarez Martins Xavier, Floriano Campos Brasil, Mário Alves Salomão, Guilherme Alves Marques, Paulo Mota, Zé Felipe, Olavo (Papagaio), Milton ‘Cabeção’ (linotipista), Robson, Roberval da (sanfona), Dico (Redator) Chico (Tapa), Sr. João ‘Do motor’ (pai do Zé palito e Barbadinho), e Raimundinho, (Linotipista) (ex - Vilma Nolasco - locutora); Geraldo Freire Brasil e Omar Sabino de Paula (Diretores); Vieira, Édison Martins e Mário Lima (SERDA).

Os aprendizes dos anos 58/60, talvez tenha sido a maior turma que ficou trabalhando na imprensa. Foram: Edson (Bode), Edilson (Gordo), Nizomar (Pranchão), Edilson (Pincel), Carlos Viegas (Carlito), Jurivaldo Brasil, Rivaldo Guimarães, Darci, Heleno, Cláudio Mota, Damásio (Jogador do Vasco), Wagner (Esfola gato), Muru Brasil, Pampolho, Rui (filho do Zé Feitosa) Dona Alice Martins e Gilberto de Almeida Saavedra (eu), conhecido como (Morcego ou Mandrake) por causa do cabelo. Trabalhei justamente com o Alan. Todos os aprendizes recebiam salários mensais, contratados pelo Setor Administrativo, que tinha como Chefe o abnegado e estimado Sr. Teodomiro Souto, sendo que, mais tarde, quase todos foram enquadrados como funcionários públicos da União (Federal), do Ex-Território Federal do Acre.

Alan Kardec Guedes de Sousa logo que se aposentou escolheu o Rio de Janeiro para morar com a família. Foi casado com Dona Geny Mesquita de Sousa. Deixou seis filhos. Alany, Edvaldo, Paulo Cesar, Carlos, Isaura e Hercules.  Faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 2005, aos 81 anos de idade. 

Fiz esta narrativa com algumas consultas (pesquisas), mas a maioria foi somente, lembrada, de minha memória; por isso peço desculpas aos que faltaram na escrita. Não sei também os que ainda estão entre nós, gostaria imensamente de saber do paradeiro de todos, os quais fizeram parte de um pouco da minha vida; infelizmente, eu sei que não será possível, obter muitas respostas, desse tempo de muita luta, labuta, direitos e reivindicações por um Acre melhor e justo para os seus filhos.

domingo, 25 de setembro de 2016

MANHAS E MANIAS DE NHANHÃ

Leila Jalul


Leila Jalul
Tudo em volta de mim são quinquilharias. Plantas, bibelôs, toalhinhas de ‘tricots’ e ‘crochets’ por mim tecidas e espalhadas pelas mesinhas e bancadas. Velhos retratos, xícaras chinesas, bules de chá indianos e outros enfeites mais. Gostaria, ainda é meu sonho, ter bonecas e bichos de pelúcia, mesmo que não andassem e nem falassem como aqueles que se encontram aos borbotões em Cobija, capital do Pando, na Bolívia.

Essas eram as manhas e manias da velha Nhanhã. No seu sobrado da avenida aterrada para embelezar e facilitar o trânsito da cidade ficava ela apenas na parte superior, com as janelas abertas para ver o movimento de pedestres, do velho Cupa (ônibus) do Sr. Ribeiro que subia e descia a Av. Getúlio Vargas, sujeito a gracejos tipo o cupa sobe, o cupa desce, alguns jeeps e camionetas rurais Willys 4x4 (tração nas quatro rodas), além das carroças de bois e dos trotadores de cavalos.

Os degenerados filhos de Eva, trombadinhas dos antigamente, fosse dia, fosse noite, ali não passavam sem antes recolher pedras para jogar no teto de zinco quente do casarão da gata Nhanhã. Por maldade, puta maldade!

Ela nem se importava. Importava-se, sim, ter a casa arrumada, os bibelôs lustrados e as toalhinhas engomadas. Importava-se, isso sim, em ‘ponhar’ a mesa do café, almoço e jantar para ela e seu falecido esposo já com a ossada branca e triturada. Eram preciosas as horas das refeições para que a conversa rolasse solta. A louça não era de porcelana. Vinha de Alcobaça, das terras do além mar. Legítima faiança, da que craquela com o passar dos anos. Portuguesa, ora, ora, pois, pois! Os bonecos e bonecas eram de pano. Alguns nem cabeça tinham. Mas eras bonecos e bonecas. É o que valia!

Nhanhã não era esquisita. Nhanhã era exótica! Não comia carne vermelha. Nem ela e nem seu querido e falecido esposo. As proteínas, vitaminas e sais minerais vinham das galinhas, ovos, frutas e verduras do seu quintal. Tinha mão boa para plantas e criação. Os ovos das galinhas de Nhanhã tinham duas gemas, carajo!

No quintal da Nhanhã os sabiás se ‘atrepavam’, gozavam e cantavam nos cajueiros de cajus brancos, amarelos e vermelhos. As ingás de metro tinham dois metros.

A velha mina d’água atijolada lhe trazia renda adicional. Nhanhã era rica e nunca negou acesso ao Edmundo do Papoco e ao Moacir Pescocinho, que, de cambões nos ombros, abasteciam as casas dos barões da borracha e as dos coronéis de barranco. Dinheiro não paga a boa água.

Estou quase chegando a ser Nhanhã. Elvira era seu nome. Quero estar e ser tal qual ela. À exceção de ‘ponhar’ a mesa para os meus esposos. É que meus mortos não falam. 

Estou quase exótica! Absorvendo as manhas e manias de Nhanhã! Um dia chego lá. Ou não!

sábado, 24 de setembro de 2016

TRÊS POEMAS DE PAUL GÉRALDY

EXPANSÕES
Paul Géraldy (1885-1983) 

Eu gosto, gosto de você!
Compreende? Eu tenho por você uma doidice...
Falo, falo, nem sei o quê,
mas gosto, gosto de você
Você ouviu bem isso que eu disse?...
Você ri? Eu pareço um louco?
Mas que fazer para explicar isso direito,
para que você sinta?... O que eu digo é tão oco!
Eu procuro, procuro um jeito...
Não é exato que o beijo só pode bastar.
Qualquer coisa que me afoga, entre soluços e ais.
É preciso exprimir, traduzir, explicar...
Ninguém sente senão o que soube falar.
Vive-se de palavras, nada mais.
Mas é preciso que eu consiga
essas palavras, e que eu diga,
e você saiba... Mas, o quê?
Se eu soubesse falar como um poeta que sente,
– diga! – diria eu mais do que
quando tomo entre as mãos essa cabeça linda
e cem, mil vezes, loucamente,
digo e repito e torno a repetir ainda:
Você! Você! Você! Você!... p.16-17


EXPANSIONS
Paul Géraldy

Ah! je vous aime! Je vous aime!
Vous entendez? je suis fou de vous, je suis fou...
Je dis des mots, toujours les mêmes...
Mais je vous aime! Je vous aime!...
Je vous aime, comprenez-vous?
Vous riez? J'ai l'air stupide?
Mais comment faire alors pour que tu saches bien,
pour que tu sentes bien? Ce qu'on dit est si vide!
Je cherche, je cherche un moyen...
Ce n'est pas vrai que les baisers peuvent suffire.
Quelque chose m'étouffe, ici, comme un sanglot.
J'ai besoin d'exprimer, d'expliquer, de traduire.
On ne sent tout à fait que ce qu'on a su dire.
On vit plus ou moins à travers des mots.
J'ai besoin de mots, d'analyses,
Il faut, il faut que je te dise...
Il faut que tu saches... Mais quoi!
Si je savais trouver des choses de poète,
en dirais-je plus - réponds-moi -
que lorsque je te tiens ainsi, petite tête,
et que cent fois et mille fois
je te répète éperdument et te répète :
Toi! Toi! Toi! Toi!...


SERENIDADE
Paul Géraldy (1885-1983)

Que foi que você disse, há pouco, ao despedir-se?
Que nós não nos gostamos mais?… Gostamos, sim!
Você chorou? Por que você há de ser assim?…
Mas se eu digo que sim! Não ouviu o que eu disse?…
Seja mais simples, mais humana! Não complique
as coisas! Hoje em dia, entenda bem, já são
ridículas demais essas preocupações
de se escrever, sob pretexto de ser “chic”,
com maiúsculas só, Amor e Coração.
Usamos expressões inúteis, expressões
que atrapalham até… Nós dizemos: o meu,
o nosso Coração… E fazemos questão.
Se a gente não tivesse essa preocupação,
simplificava muito as coisas, compreendeu?
Não existe o que é nosso: existe eu e você.
Sim, um eu e um você sem nada de especial.
A gente embriaga-se de frases afinal,
e vive exagerando tudo, para quê?
Se a realidade nunca alcança uma ilusão…
Por favor, deixe o seu, deixe o meu Coração!
Vamos ser nós, só nós!… Sim, é verdade, agora,
quando a gente se vê, já não é como outrora,
não se embaraça mais… Mas é assim mesmo… O quê?
Mas não há nada, aí, de trágico! Você
e eu estamos mais calmos só. É natural.
É o hábito. Nós já nos habituamos. E,
se é sem paixão que nós nos vemos, cada qual,
quando o outro não está, sente-se mal, tão mal,
e aborrece-se, e sofre muito, e fica tão
desgraçado… Mas isto é alguma coisa, então! p.30-32


SÉRÉNITÉ
Paul Géraldy

Qu’est ce que tu m’as dit encore, en me quittant:
que’l on ne s’aimait plus? ...Mais si, mais si, on s’aime!
tu as pleure? tu seras donc toujours la meme?
Mais puisque je te dis qu’on s’aime! tu m’entends?
Sois donc plus simple! il faut toujours que tu compliques
les choses! dis-toi donc qu à notre epoque, enfin,
cela devient par trop poncif et ridicule,
sous pretexte qu’on est des amants un peu fins,
d’ecrire Amour et Coeur avec des majuscules.
Nous employons des mots qui servent a rien,
et qui sont tres génants..et dangereux! On pose!
On dit: mon coeur , notre Coeur... On y tient.
je te jure que’l on s’en passerait tres bien,
et que ce la simplifierait beaucoup les choses.
il n y a pas nos Coeurs: il y a toi et moi, oui, toi et moi,
qui n’avons rien d’extraordinaire.
Mais on se grise avec des mots, on s’exagere
l’importance de tout, et puis on s’aperçoit
que la realite n’est pas a la hauteur...
je t’en supplie, laissons mon Coeur, laissons ton Coeur!
soyons nous!... Eh! bien, oui, c’est vrai, quand on se voit,
on n’est plus tres troublé.. C’est moins bien qu’autrefois.
tu ne t’affoles pas.. Moi non plus. Eh bien, quoi?
Il n y a là rien de bien tragique. Nous sommes
un peu calmés? Mais c’est tout naturel, cela.
C’est l’habitude. On est habitué. voilà.
Si nous nous retrouvons sans passion, en somme,
chaq un de nous s’ennuie quand l’autre n’est plus là.
On se croit malheureux, on n’a de gout à rien,
on se sent seul ... Eh ! bien, mais c’est deja tres bien!


ABAT-JOUR
Paul Géraldy (1885-1983)

Você pergunta porque eu fico sem falar...
Porque este é o grande instante em que
existe o beijo e existe o olhar
porque é noite... e esta noite eu gosto de você!
Chegue-se bem a mim. Eu preciso de beijos.
Ah! se você soubesse o que há, esta noite, em mim
de orgulhos, ambições, ternuras e desejos!...
Mas, não, você não sabe, e é bem melhor assim...
Abaixe um pouco mais o “abat-jour”! Está bem...
É na sombra que o coração fala e repousa:
tanto mais os olhos veem,
quanto menos se veem as coisas ...
Hoje eu amo demais para falar de amor.
Venha aqui bem perto! Eu queria
ser hoje, seja como for,
aquele que se acaricia...
Abaixe ainda mais o “abat-jour”.
Vamos ficar sem dizer nada.
Eu quero sentir bem o gosto
das suas mãos sobre o meu rosto!...
Mas quem está aí? Ah! a criada
que traz o café... Não podia
deixar aí mesmo?  Não importa!
Pode ir-se embora!... E feche a porta!...
Mas o que é mesmo que eu dizia?
Quer... agora o café?  Se você preferir...
Já sei: você gosta bem quente.
Espere um pouco! Eu mesmo é que quero servir.
Está tão forte!... Assim? Mais açúcar? Somente?
Não quer então que eu prove por
você?... Aqui está, minha adorada...
Mas que escuro! Não se enxerga nada...
Levante um pouco esse “abat-jour”. p.35-37


ABAT-JOUR
Paul Géraldy

Tu demandes pourquoi je reste sans rien dire ?
C'est que voici le grand moment,
l'heure des yeux et du sourire,
le soir, et que ce soir je t'aime infiniment !
Serre-moi contre toi. J'ai besoin de caresses.
Si tu savais tout ce qui monte en moi, ce soir,
d'ambition, d'orgueil, de désir, de tendresse, et de bonté !...
Mais non, tu ne peux pas savoir !...
Baisse un peu l'abat-jour, veux-tu ? Nous serons mieux.
C'est dans l'ombre que les coeurs causent,
et l'on voit beaucoup mieux les yeux
quand on voit un peu moins les choses.
Ce soir je t'aime trop pour te parler d'amour.
Serre-moi contre ta poitrine!
Je voudrais que ce soit mon tour d'être celui que l'on câline...
Baisse encore un peu l'abat-jour.
Là. Ne parlons plus. Soyons sages.
Et ne bougeons pas. C'est si bon
tes mains tièdes sur mon visage!...
Mais qu'est-ce encor ? Que nous veut-on ?
Ah! c'est le café qu'on apporte !
Eh bien, posez ça là, voyons !
Faites vite!... Et fermez la porte !
Qu'est-ce que je te disais donc ?
Nous prenons ce café... maintenant ? Tu préfères ?
C'est vrai : toi, tu l'aimes très chaud.
Veux-tu que je te serve? Attends! Laisse-moi faire.
Il est fort, aujourd'hui. Du sucre? Un seul morceau?
C'est assez? Veux-tu que je goûte?
Là! Voici votre tasse, amour...
Mais qu'il fait sombre. On n'y voit goutte. 
Lève donc un peu l'abat-jour.


GÉRALDY, Paul. Eu e você. Tradução Guilherme de Almeida. São Paulo: Editora Nacional, 1983. (18.a edição)