sábado, 29 de agosto de 2009

RITMO HERMANO



Los Kjarkas é uma banda tradicional de música andina da Bolívia. Desde a década de 60 estão à ativa e é considerada a mais conhecida banda do gênero em todo o mundo. Fundada em 1965 na cidade de Capinota pelos irmãos Hermosa (Wilson, Castel e Gonzalo) e Édgar Villarroel, o nome da banda tem origem na palavra quíchua qarka, que significa "força".

Sua canção Llorando se fue foi traduzida sem autorização pelo grupo francês Kaoma que graças à música - Chorando Se Foi - alcançou sucesso internacional. (Wikipédia)

 

Visite o site do Los Kjarkas:

http://loskjarkas.com.bo/web/



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

NAVIO QUE PARTES

Fernando Pessoa


Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixastes de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sente-se em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudades.


PESSOA, Fernando. Poesia completa de Alberto Caeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

sábado, 15 de agosto de 2009

A VOCAÇÃO DO SERVO SOFREDOR

Jardel Neves Lopes[1]

jau_10@yahoo.com.br

 

            ... não existe vocação cristã que não leve ao pobre, ao sofredor, ao ferido. Se toda vocação nasce da ternura sem fim da doce trindade e a ela volta, toda vocação é também seguimento, discipulado de Jesus o Pobre, Jesus o servo de Javé, Jesus o Crucificado e Jesus o Ressuscitado.

Peregrino Henrique

 

            Pensar na vocação, enquanto chamado, deve nos remeter ao chamado de seguir Jesus, como outrora fala Henrique no trecho acima. Refletir a vocação dos primeiros profetas, de Maria, dos apóstolos e tantos profetas e mártires do nosso tempo. Pessoas que ofertaram e ofertam sua vida completamente, como lembra uma canção da igreja "ofertar pra meu povo é dar a vida, a vida inteira oferecida". Cristo, o Servo Sofredor, deu sua vida inteira por todos, no entanto poucos são os que de fato dão ao menos parte da sua vida por Ele. Dar a vida por Cristo é muitas vezes dar a vida pelos pobres de Cristo, pelos sofredores, excluídos, sem terra, sem teto, sem casa, sem calçada, pela causa da vida.

            Faz pensar uma frase de um teólogo espanhol que diz: "Vocação é servir, para que o outro possa VIR a SER". O Servo Sofredor é aquele que, mesmo no sofrimento, partilha sua vida com o outro que sofre. Se doa para o outro, não para o Ter, mas para o Ser. Recupera a dignidade de ser gente, a primeira vocação que recebemos. Deste modo, trago presente o testemunho de Alfredinho, quando diz: "Eu carrego a Cruz e ajudo a carregá-la onde ela é mais pesada para o povo. Só isso".[2]  A nossa vocação eminentemente cristã deve nos levar, quando não muito, a ajudar tornar a cruz do outro mais leve.

            Na leitura do profeta Isaias Jesus reconhece verdadeiramente sua vocação ( Is, 42, 1-7), a de ser pobre como os pobres de sua época, fazer-se companheiro dos trecheiros, largados, excluídos, doentes, prostitutas (Lc 4, 17 - 21). Nessa escola Jesus aprendeu e ensinou a amar.

            Percebe-se o rosto do profeta Isaias na pessoa de tanta juventude organizada, que como Isaias, ainda responde: "Aqui estou. Envia-me". (Is 6, 8). Quanta disponibilidade no coração de um jovem, com tantos outros chamativos à sua volta. Esse é um desafio. Dizer "envia-me". No entanto, é preciso valorizar e reconhecer que um SIM não significa ocupá-lo(a) por inteiro (a), colocar em qualquer frente, assumindo todas as responsabilidades. É bonito perceber quando no grupo de Jovens um deles diz: "ainda não estou preparado para isso", tem medo, vergonha ou não se interessa, mas aos pouquinhos vamos percebendo-o assumindo algumas atividades, que antes nem pensava. É preciso respeitar o tempo do jovem!

            A verdadeira vocação do Servo Sofredor é a vocação que liberta e que abre caminhos para a libertação. O servo pacífico, que sabe esperar, que confia no Senhor, reconhece sua vocação ao "reconhecer o sofrimento". Vejam o meu servo, nele ponho meu agrado... chamei você para a justiça, tomei-o pela mão e lhe dei forma, e o coloquei como aliança de um povo e luz para as nações.(Is 42, 1-9). Esse é o primeiro retrato do Servo Sofredor de Javé, que sabe escutar e caminhar sem exitar do caminho, o escolhido preferido de Deus. Sem revestir da couraça do egoísmo, mas que coloca a Trindade, sobretudo a sua frente, como autora da sua vocação. Definido por Carlos Mester[3] e vivenciado pela Irmandade do Servo Sofredor, esse é o primeiro canto do Servo Sofredor.

            No segundo canto o Servo reconhece o poder do seu sofrimento, sua força na fraqueza, como afirma o apóstolo Paulo (2 cor 12, 10)  e Deus chama teu Servo para erguer o mundo, Faço de você uma luz para as nações para que minha salvação chegue até os confins da terra. (Is 49, 1-6). O servo esquecido, com Jesus, passa a ser o Servo querido, escolhido, chamado a ser luz e assume sua missão. Já dizia Alfredinho em Na fileira dos excluídos, "O povo da rua é uma escola a qual nunca terá um diploma". A vocação do pobre sofrido é a de apontar que a salvação está para lá, onde existe o muito com tão pouco.

            O Senhor me abriu os ouvidos, não resisti nem voltei atrás. (Is, 50, 4-9). Uma vez que reconhece a sua vocação, ele enfrenta os desafios que lhe podem vir, diante das calúnias, das provocações, do medo, do dinheiro, da opressão etc, a resistência é mais forte. "Só mandacaru resistiu tanta dor". Este servo é considerado o mandacaru que resiste a falta de água por muito tempo.  O escolhido da Trindade é chamado a ajudar os desanimados, dando lhes coragem. É por isso que Cristo derramou seu sangue pela humanidade e, muitos humanos continuam a doar sua vida por Cristo. Entre os pobres e os que se fazem pobres, se encontra sempre a acolhida, o ânimo, a força, a partilha, a coragem e a misericórdia. A missão do vocacionado deve ser esta, a de incentivar a caminhada do companheiro, construir juntos, pois somos intermediários da Trindade neste chão. O Senhor nos abre os olhos, os ouvidos e estamos diante da dor do outro, que muitas vezes nos coloca de frente com o nosso próprio sofrimento. Como vocacionados de Cristo pelo batismo devemos ser capazes de tomar atitudes de um bom samaritano. Este servo sofredor é aquele jovem que aos poucos vai assumindo sua vocação diante de Deus, dos serviços da Igreja, do Reino da vida. Como a água e o vinho, que se misturam tornando para o povo o sangue de Cristo derramado. Este é o servo, que mesmo na sua pequenez, enfrenta o opressor e o desafia.

            No quarto canto, o Servo é glorificado: O meu servo vai ter sucesso, subirá e crescerá muito. (Is 52, 13-15). ...porque entregou seu pescoço à morte e foi contado entre os pecadores, ele carregou os pecados de muitos e intercedeu pelos pecadores. (Is 53, 12). Relembro a frase de Alfredinho, que ajudava o povo a carregar a cruz onde ela era mais pesada. E tantos são os que se fazem sofredores para ajudar a carregar os pecados. A vocação cristã não deve ser esta? Não foi isso que Jesus Cristo fez? Vejo que o retrato do Servo sofredor só nos ajuda a viver a nossa vocação enquanto gente e cristãos, muito mais quando somos agentes missionários, religiosas (os), padres ou pastores/as. No quarto canto do Profeta, o servo não está livre do seu sofrimento, mas convicto de que o sofrimento dele o liberta e, liberta junto com o dos outros.

            Pode se perguntar que tipo de sofrimento carrega o servo hoje, sobretudo o jovem que nesse momento pergunta por sua vocação e esse texto apresenta um exemplo de vocação tão radical. Mas, são tantos os sofrimentos do nosso tempo, que vitoriosos seremos se resistíssemos para defender a vida, diante da opressão do sistema capitalista, a exploração da mídia, os avanços tecnológicos com as aparelhagens de última geração a cada semana, as drogas, o medo do outro, o mercado competitivo e explorador, o monopólio de terras, indústrias, lavouras e tantos outros fatores que querem nos envolver a qualquer preço. Diante disso, encontra a vida tentando sobreviver, diante da fome, das doenças (epidemias, pandemias, câncer, etc), extermínio e criminalização da juventude, etc. Nos resta cantar com o Pe. Zezinho "diante de ti ponho a vida e ponho a morte...", o Servo de Deus escolhe a vida, e ao escolher a vida ele a transforma, e junto transforma outras vidas. Assim falou, sr. Salvino[4] Entre a vida e a morte, a vida é mais forte. O grito pela vida é forte aos nossos ouvidos e, esse grito vem dos pequeninos, dos sofredores, dos esquecidos, da terra. Eis a nossa vocação! Servos inúteis somos, à espera da manifestação da Trindade. Servir para que o outro possa VIR a SER. Trago aqui ainda, o mártir Maximiliano Kolbe, que doou a vida no campo de concentração no lugar de um pai de família e confiou sua vida à Trindade, seguindo as palavras do Cristo: Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente. (Jo 10, 17-18) Um Servo Sofredor que se colocou no lugar de outro, por uma vocação Cristã.

            "Que os servos sofredores, que lavaram as vestes no sangue do cordeiro, seja um grande perdão, seja um instrumento de reconciliação e co-redentores da humanidade". (Trecho da Oração do Servo Sofredor).

 

           

           



[1] Jovem da Irmandade do Servo Sofredor, Curitiba-PR. Graduado em Filosofia pela PUCPR.

[2]Quando se referiu ao tempo em que morou na Zona de Prostituição em Crateus-CE.

[3] Biblista que escreveu o Livro A missão do Povo que Sofre.

[4]    Morador de rua, da Irmandade do Servo Sofredor de Santo André, SP.



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O POETA CACHORRO LOUCO

Paulo Leminski


aqui

nesta pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado


***


parar de escrever
bilhetes de felicitações
como se eu fosse camões
e as ilíadas dos meus dias
fossem lusíadas,
rosas, vieiras, sermões


***


entre a dívida externa
e a dúvida interna
meu coração
comercial
            alterna


***


não posso tanta distância
deixar entre nós
este sol
que se põe
entre uma onda
e outra onda
no oceano dos lençóis


***


moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia

vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia


***


coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL


***


duas folhas na sandália

o outono
também quer andar


***


isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além


***


Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.


***


esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem



LEMINSKI, Paulo. Melhores poemas de Paulo Leminski. seleção Fred Góes, Álvaro Marins. São Paulo: Global, 1997.

A ESCOLINHA DO PROF. EDIR

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

IUNANKIE



Belíssima canção do extinto grupo amazônico Carrapicho. Iunankie é uma canção que nos fala da luta e do sofrimento dos povos amazônicos. É um brado contra a exploração dos povos da floresta, sobretudo indígenas, e a devastão da floresta.



sábado, 1 de agosto de 2009

MINHA PRIMEIRA MESTRA

Certa vez, quando eu estudava na Escola de Ensino Médio, em Tarauacá, uma professora depois de ter ficado entusiasmada com uma de minhas falas, perguntou de onde eu era. Disse-lhe que era do bairro da Praia, foi então, que ela perguntou se da Praia saia alguma coisa que presta. Tudo bem, não levei como ofensa e não era, creio, a intenção dela também. Hoje, quando acessei a página de nosso ilustre escritor e deputado Moisés Diniz me deparei com uma postagem, "A escola da Praia", na qual dizia que a Escola Rosaura Mourão da Rocha era uma das escolas finalistas do Prêmio de Gestão 2009.

Na Rosaura fiz todo o meu ensino fundamental, e foi esta escola que me modelou e me ensinou a ser gente. Está mais que comprovado, que não é apenas a estrutura física que conta para uma educação de qualidade, mas sobretudo, o aspecto humano daqueles que educam. O que faltava materialmente excedia em boa vontade e competência, especialmente num tempo em que, o único papel da escola provinha do BANACRE, onde havia uma sala para duas séries ao mesmo tempo e quando chovia o chão virava um mar d'água.

Um grande mérito ao Governo de Vianna foi a total revolução que fez na educação acreana, não só na sua qualidade, mas na sua estrutura. Hoje, nossas escolas estão no mesmo nível e até melhores que outras escolas de Estados mais ricos e industrializados.

A Rosaura, hoje, é uma escola moderna. Mas o que tem de melhor é cada pessoa que dela faz parte, tanto funcionários quanto alunos e comunidade em geral. Seus frutos estão espalhados Brasil afora, mostrando que educação se faz com compromisso, dedicação e amor.

A todos vocês da Escola Rosaura Mourão da Rocha o meu eterno carinho, de quem foi aluno e hoje é eternamente muito grato.

A Escola

Um ambiente decente para se educar

Rosaura Mourão da Rocha, a escola da comunidade do Bairro da Praia

Professora e Pedagoga Raimunda Magda comanda a escola com competência e sabedoria

Irmão Braz Lânius um intelectual imprescindível à nossa educação.
 
 
Fontes/notícia/fotos: