segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ÉTICA DOS DIREITOS HUMANOS

Isaac Melo


"Norberto Bobbio ver como ilusória a busca de um fundamento absoluto para os direitos humanos, pois essa busca funcionou como um empecilho para geração de novos direitos ou modificação dos já existentes"


A discussão acerca dos direitos humanos tem como uma de suas fontes primordiais o estoicismo, sobretudo, o representado por Zenão de Cício, este estabelecia que a lei natural é uma lei divina e tem como tal o poder de regular o que é justo e injusto. Esse pensamento tem continuidade com Tomás de Aquino, na Idade Média. Porém, é com Hugo Grotius, já na modernidade, que essa formulação alcança seu esplendor. Um fator importante, também, foi a incorporação dos direitos humanos aos ordenamentos jurídicos, como foi o caso da Magna Carta do rei da Inglaterra, João Sem Terra, que garantia uma série de direitos processuais, como o direito de ir e vir e o direito de propriedade. Esta por sua vez possibilitou o surgimento do movimento constitucionalista, cujos principais marcos são a Constituição americana de 1776 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789.

Sobre o problema da fundamentação dos direitos humanos há duas posições: uma que defende a possibilidade da fundamentação, cujo expoente é Habermas, e a que apregoa ser impossível, cujo principal defensor é Norberto Bobbio (1909-2004). Bobbio qualifica de ilusória a busca de um fundamento absoluto para os direitos humanos, pois essa busca funcionou como um empecilho para geração de novos direitos ou modificação dos já existentes. Para apregoar essa impossibilidade de uma fundamentação absoluta, ele apresenta quatro dificuldades básicas: 1) da natureza humana são deduzidos os direitos humanos; 2) esses direitos são verdades evidentes em si mesmas; 3 e 4) aplicam-se à segunda estratégia, pois os direitos que eram considerados evidentes por si mesmos, em um dado período da história, deixaram de o ser em outros.

Em relação às dificuldades que impedem as duas primeiras estratégias, Bobbio lista quatro principais: I) diz respeito à vagueza da expressão direitos humanos, porque tal expressão só pode ser considerada tendo presente já algum elemento valorativo; II) variabilidade dos direitos humanos, conseqüência da imprecisão de seu significado, permitindo os mais diversos tipos de direito; III) heterogeneidade dos graus de eficácia das normas, pois para algumas espera-se que sua validade seja absoluta, e para outras não há o interesse de se atribuir o grau máximo de sua eficácia; e IV) caráter antinômico dos direitos humanos. Segundo Bobbio a grande dificuldade nesse debate acerca dos direitos humanos é definir o que é a natureza humana.

Para Bobbio, os direitos humanos são historicamente gerados, conforme atendam as necessidades que a humanidade enfrente. Eles passam por um processo de nascimento e de morte, pois alguns podem desaparecer ou serem fortemente limitados, como é o caso do direito de propriedade ou do direito de remuneração igual por trabalho igual. Bobbio acentua ainda, que é possível falar em gerações de direitos humanos, que ele enumera em quatro: a primeira constituída pelos direitos liberais, que defenderia os interesses individuais; a segunda constituída pelos direitos sociais, que defenderia os direitos coletivos; a terceira abrangeria os direitos ecológicos, como o direito a viver em um ambiente não poluído, que defenderiam o direito das gerações futuras sobre o meio ambiente; por fim, a quarta diria respeito aos direitos biológicos, como o da integridade do patrimônio genético.

Bobbio sugere, como caminho alternativo às incertezas e inexatidões que rondam a qualificação dos direitos humanos, o consenso geral, isto é, um valor é tanto mais fundado quanto mais é aceito. Dessa forma, a prova da intersubjetividade substitui a prova da objetividade, pois sendo um fundamento histórico é, como tal, não absoluto. O exemplo de Bobbio, nesse sentido, é a aceitação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Por fim, a tese defendida por Bobbio é que o maior problema em relação aos direitos humanos não é a questão filosófica da justificação, mas a questão política, da sua proteção jurídica e real.

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"É possível uma ética dos direitos humanos depois de Auschwitz?"

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Livro-referência:
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Jeneiro: Elsevier, 2004.

P. S. Logo mais postarei a posição de Jürgen Habermas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

UM PEDACINHO DO CÉU

"Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca."
- Jorge Luis Borges -


A Biblioteca da Floresta é especializada em assuntos e autores da Amazônia e do Acre. Entre seus objetivos consta: (1) organizar a informação histórica e atual sobre desenvolvimento sustentável; (2) tornar acessíveis ao público os trabalhos de pesquisas acadêmicas e técnicas; (3) divulgar os resultados de estudos, pesquisas e projetos em execução na região; e (4) promover o diálogo entre os saberes dos povos da floresta e o saber científico.

Visite! Vale a pena!

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É um trabalho honroso do Governo do Acre e de toda a equipe da Biblioteca, sobretudo Prof. Marcos Afonso, e demais responsáveis que, por sua vez, desenvolvem um trabalho impar de competência e responsabilidade. Isso é muito bom a todos nós!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ASSIM... despretensiosamente!


O rio Juruá mantém uma rotina que traduz a vida do caboclo ribeirinho da Amazônia. Do transporte de produtos agrícolas à pescaria, o homem da região faz dessas águas, ruas para a sua sobrevivência. (Foto SérgioVale/Secom)
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No horizonte, do outro lado da linha, uma rotina. Vidas em um ritmo amazônico, embaladas por sonhos que saem e nunca aportam. Sem grandes pretensões, no ramal Icuriam viver é o objetivo que rege todos os desafios. (Foto: Sérgio Vale)
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Alex, jovem agricultor da BR 317, sobrevive de vender frutas na beira da estrada: imagem do acreano trabalhador. (Foto: Sérgio Vale/Secom)
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Da janela, a moradora do Juruá admira a vida do lado de fora da casa. Enquanto isso, quem passa na rua admira a moradora na janela, como num quadro, pintado pelo acaso. (Foto: Sérgio Vale/Secom)
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Fabrício é ainda uma criança, mas entende que seu povo, Puyanawa, perdeu muito de sua cultura devido a ação do homem branco, que por pouco não dizimou toda essa etnia a partir de 1913. Hoje seu povo luta pelo resgate cultural e valorização de sua história. Ele está fazendo sua parte, exercendo o direito de ser criança e aprendendo a língua Puyanawa, os cantos e costumes ainda recordados pelos mais velhos. (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
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À primeira vista parece que eles estão brincando com os bezerros mas, na verdade, os índios Manchineri da Terra Indígena Mamoadate aprendem desde cedo a amansar os animais. (Foto: Angela Peres/Secom)

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Estas e outras belíssimas imagens você pode conferir no flickr da Agência de Notícias do Acre.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LA MARINERA PERUANA




La marinera es un baile de pareja suelto, el más conocido de la costa del Perú. Proveniente de la Region de Lambayeque. Es un baile muestra del mestizaje hispano-amerindio-africano, entre otros.
 
Su origen se remontaría a un baile colonial llamado zamacueca, que era muy popular en el siglo XIX. De todos modos, existen diversas teorías o corrientes sobre su origen y evolución.
 
Mais aqui!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O HOMEM ABSURDO de Albert Camus

Isaac Melo

"Para Camus, o único problema fundamental da filosofia e, verdadeiramente, sério é: o suicídio, isto é, julgar se a vida merece ou não ser vivida".


Albert Camus (1913-1960) foi um homem de muitas faces: foi jornalista, romancista, dedicou-se ao teatro, foi militante político e polemista. Sua vida e sua obra entrelaçam-se de uma maneira fecunda e criativa. São seus sentimentos que impulsionam sua obra, seu sentir frente a um mundo que lhe era estranho, absurdo, mas também fraternal e cheio de sol. É um mundo do absurdo, num primeiro momento, e da revolta num segundo. Ele não é um filósofo preocupado com definições nem com o rigor conceitual, mas com o simples, cotidianos e profundos problemas da existência.

É em O Mito de Sísifo que o tema do absurdo aparece em toda a sua plenitude no pensamento filosófico de Camus. Agora ele problematizará filosoficamente a vida e refletirá sobre ela. O livro começa colocando o único problema fundamental e, verdadeiramente, sério: o suicídio, isto é, julgar se a vida merece ou não ser vivida. Não tem importância maior saber se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias. Tudo é secundário. O homem se sente estranho porque vê-se privado de repente das ilusões e das luzes. É o encontro do exílio, fuga sem conforto e solução, pois, não se tem esperança de se encontrar a tão querida e desejada terra prometida. O sentimento de absurdo consiste, pois, na afirmação do divórcio entre o homem e sua vida, entre o ator e sua decoração. Camus considera que todos os homens sadios pensam no suicídio. Conclui, daí, que há uma ligação direta, lógica entre esse sentimento e a aspiração ao vácuo, isto é, ao nada.

A revelação da morte tem algo de violento e nos transforma. Chega um dia em que nos damos conta de que o homem morre e de que morremos. Uma vez atingida esta verdade, seremos para sempre sua presa. É pela morte que nossa sensibilidade chega ao absurdo. Só depois de termos sidos atingidos de perto, a grande verdade terá significação e não mais se deixará levar ao desprezo. Ela é o nosso acesso à sensibilidade. A verdadeira expressão camusiana é que os homens não são felizes porque morrem. O fato da morte é repugnante à sensibilidade. Por mais que façamos, a morte não pode ser enfeitada. Será sempre “uma aventura horrível e imunda”. A imagem da “aventura imunda” é uma barreira para que sonhemos uma eternidade. O absurdo sensível não é esta constatação da brutalidade de um termo. Mas é a constatação violando o meu desejo de vida.

A atitude essencial do homem absurdo será a lucidez, isto é, uma consciência que não se quer negar. Por isso, o homem absurdo não foge à luta, não despreza a razão. Acha que reúne todos os elementos, os dados da experiência. Contudo, não está disposto a saltar antes de saber. É resultante de sua lucidez, daí não haver lugar para esperanças. Os homens que acreditam na esperança, para Camus, vivem mal neste mundo.

Na última parte do livro Camus fala do antigo mito grego de Sísifo que tinha sido condenado a empurrar sem descanso um rochedo até o cume de uma montanha, de onde ela caía de novo, em conseqüência de seu peso. Para Camus, Sísifo é o herói absurdo, pelas suas paixões bem como pelo seu tormento. O tormento dele é o preço que é necessário pagar pelas paixões desta terra. Camus nos diz que seu desprezo pelos deuses, o seu ódio à morte e a paixão pela vida valeram-lhe esse suplício indizível em que seu ser se emprega em nada terminar.

Sísifo sobe e desce infinitamente, sem nenhuma esperança que isso termine. Camus faz da situação de Sísifo uma analogia com a situação de milhares de operários que devem recomeçar seu trabalho cada dia. Mas Sísifo é lúcido e, embora imponente e revoltado, conhece toda a extensão da sua miserável condição. É essa condição que Sísifo pensa durante a sua descida, pois, para Camus, a clarividência que devia fazer o seu tormento consome ao mesmo tempo também a sua vitória. Camus nos diz que não há destino que não se transcenda pelo desprezo. Ele conclui afirmando que há só um mundo e que a felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra, são inseparáveis.

Sísifo faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens, e ali é que Sísifo encontra sua silenciosa alegria. Seu destino pertence-lhe e é um destino único e pessoal, pois não há destinos superiores. Isto faz com que Sísifo sinta-se senhor de seus dias.

De acordo com Guimarães, o Mito de Sísifo é de fato uma análise da sensibilidade absurda, uma análise racional, que procurar tirar as conseqüências. O absurdo é um ponto de partida e não um estado. Transformar um sentimento em estado é negar qualquer saída e concordar com o que oprime. Fazer do absurdo uma regra é viver no desespero. Camus anota em O Mito de Sísifo várias possibilidades do surgimento do absurdo, sempre em situações corriqueiras, onde é apenas decisivo o exame da inteligência. A consciência da rotina, seguida da indagação do sentido, leva-nos para a sensibilidade absurda. A inteligência dá-se conta de que a existência faz-se no tempo. Compreende a tragédia de jogarmo-nos, constantemente, no futuro. A cada momento aproxima-nos mais do termo e, não querendo o fim, queremos o futuro. O absurdo é a constatação de que o mundo se nos escapa. O absurdo não é nem o mundo nem a Inteligência, mas a relação entre a inteligência e o mundo.

A fidelidade do raciocínio à evidência que o despertou exige a manutenção do absurdo. O salto filosófico é uma empresa condenada. Esta é a lógica que reina no absurdo. A fidelidade ao absurdo é aqui uma fidelidade ao homem. O que obtemos com o salto, aquela certeza de ordem religiosa, ultrapassa a dimensão humana. O homem absurdo quer viver lucidamente. E a lucidez mostra uma realidade que nos rejeita. Rejeitados, talvez seja nossa tarefa rejeitar. Num mundo sem sentido, permanece a exigência humana de sentido. Nada pode ser feito para satisfazê-la. Sou obrigado a manter o caos reinante, mas este caos, este inferno, é meu lugar. Assim me imponho frente a uma realidade que me contraria e frente a qual sou impotente. O confronto do homem com a realidade é favorável ao homem. Ele é o grande inocente.

O homem absurdo tem que viver. Viverá sem apelo, sem esperança. Outra vez não anulará o problema. A tentação seria a negação da consciência: o suicídio. Porém, um absurdo que nasceu da consciência tem que viver como verdade, logo, viver na consciência. A resposta absurda é viver. Viver é então convertido em revolta. A revolta é a manutenção dos dois elementos da questão: considera o real e mantém a consciência. Viver mantendo os dois elementos da oposição é viver a própria oposição. Negando-lhe o que lhe nega, ele se afirma e se faz superior, pois a consciência dá grandeza à revolta.

Sísifo é fiel à sua tarefa absurda. Mas sua fidelidade é consciente e, consciente, faz-se superior aos deuses que o condenaram. Sem esperanças, sem verdades absolutas, sem Deus, o homem é livre. Porém, o homem absurdo se sabe condenado ao que não dura. Aceitando o relativo, aceita a possibilidade. Sua liberdade é disponibilidade, é abertura. A liberdade absoluta será sua criação. Nada se impõe, pois ser livre é criar e examinar todas as soluções.

Por fim, desligado de valores absolutos não será possível procurar viver melhor, mas, unicamente, viver mais. Só o finito da condição pode nos levar a esta paixão. Só a morte justifica o amor intenso pela vida. Viver mais é viver conscientemente. A lucidez faz-nos sentir a vida. Só a consciência conta. Retirados todos os valores, a lucidez é o único valor. Se o absurdo acentua a experiência quantitativa, tal experiência terá que ser qualitativa, consciente, para ser válida. Estão aí as três conseqüências do absurdo: revolta, liberdade e paixão. Três afirmações da vida.



REFERÊNCIAS

CAMUS, Albert. O Mito de Sísifo. Tradução de Ari Roitman e Paulina Watch. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

GUIMARÃES, Carlos Eduardo. As dimensões do homem: mundo, absurdo, revolta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971.

GUTIÉRREZ, Jorge Luis. A revolta do homem absurdo. Revista Ciência & Vida (Filosofia). São Paulo, no. 21, ano II, p. 22-33, 2008.

LEITE, Roberto de Paula. Albert Camus: notas e estudo crítico. São Paulo: Editora Edaglit, 1963.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

LINGUAGEM E CULTURA

Estendo o convite a todo/as a conhecerem o espaço da Profa. Luísa Galvão Lessa, uma das mais competentes estudiosas, na área de linguagem, do Acre. Ela ocupa a cadeira de número 34 da Academia Acreana de Letras. Acreana de Tarauacá, tem Pós-doutorado em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal (Canadá). Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É, ainda,  Membro da Academia Brasileira de Filologia.

Acesse:



Eu ainda sou aquela menina sentada na nuvem, que com flores nas mãos escreve num jardim seus pequenos sonhos. Por tantas vezes se pega sonhando acordada, acreditando que um dia cada sonho se tornará realidade, porque não tem um sonho egoísta, mas um sonho de amor pelo próximo.

Se alguém me perguntasse: “Luísa, como você se define?” Minha pronta resposta seria imediatamente: uma pessoa simples, que sonha e corre atrás dos sonhos. Os meus sonhos começaram quando eu era criança, queria ser professora, conhecer o mundo, andar às margens do rio Danúbio, ter títulos, viajar, ter uma família sólida, unida, feliz. Sonhava em ser independente.Não sonhava somente coisas pessoais para mim, mas sonhava, também, para o mundo! Sei que sonhar não é ficar ali “apenas pensando”, sem fazer nada, esperando que o céu se abra e tudo venha pronto. Sonhar é começar a pensar no que é possível fazer para tornar um sonho, realidade.Isso tenho feito durante a vida. Continuo a sonhar, a procurar realizar sonhos. Afinal, viver é maravilhoso e sonhar é a melhor arma para se obter a felicidade!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O NOME NA PEDRA...

Armando Nogueira *


Eram dois bons amigos. Jogavam futebol todo dia. Ambos atacantes, ambos igualmente bons de bola. Viviam numa fraternal tabelinha, dentro e fora de campo. Tão amigos eram que chegaram a selar um pacto: quem morresse primeiro teria que dar ao outro, com freqüência, notícias lá de cima. Um dia, lá se foi o Amaro, surpreendido no contra-pé por um infarto fulminante, mal saíra de uma pelada.

Passam-se os anos. Amaro não dá o menor sinal de vida – melhor, de morte. Lúcio, cá na terra, já tinha até esquecido um pouco o amigo. Tanto tempo. Cinco anos depois, uma noite, voltando de uma pelada, cai-lhe do céu a voz amiga do Amaro. Batem um papo. Lúcio vai logo contando as boas novas: está namorando uma loura, um avião. A pelada está cada vez melhor e a saúde nem se fala. Saúde de ferro. Lúcio confessa-se em lua-de-mel com a vida.

– Por falar em pelada – disse Amaro – tenho duas notícias pra te dar: a primeira é que vamos inaugurar um campinho aqui no céu. É uma beleza. Grama celestial. Um brinco. Dá gosto de jogar num campo assim.

– E a outra notícia? – pergunta, ansioso, o Lúcio.

– A outra, amigo velho, é que vamos voltar a jogar juntos. Eu vi lá teu nome lá na pedra. Tás escalado na ponta-esquerda do meu time. E o jogo vai ser semana que vem...

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(que situação!!!... risos...)

REFERÊNCIA E SUGESTÃO
NOGUEIRA, Armando. O canto dos meus amores. Rio de Janeiro: Dunya Ed., 1998.

* Obs.: Armando Nogueira é acreano de Xapuri. Jornalista, escritor, apresentador, é considerado um dos maiores cronistas do esporte brasileiro. No Acre, como reconhecimento pelo seu trabalho, seu nome foi dado a uma das escolas modelos do Estado. Logo mais postarei uma resenha sobre o livro citado acima. Aos amantes do esporte, sua leitura é imprescindível.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

SIMPLESMENTE SUBLIME!



Bolero (Boléro, no título original francês), obra mais famosa de Maurice Ravel (1875-1937), é composta de um único movimento. Originalmente composta para um Ballet, a obra, que teve sua première em 1928, tornou-se uma das páginas mais célebres da literatura orquestral do século XX.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

TERRA ENCHARCADA

“Não é tristeza o que tenho mulher. É fervor. Fervor com que peço a Deus que nosso filho jamais conheça a afronta e as misérias que recebemos nestas terras encharcadas de água e de ódios e dominadas por homens maus. Que ele o poupe de tais sofrimentos e desenganos!”


Muitos costumam ter uma visão romântica ou até mesmo ingênua em relação à presença do homem na selva amazônica. Primeiro, porque a relação homem/selva nunca foi harmoniosa, pois, até certo ponto, o homem é dominado pela selva enquanto a selva também é explorada pelo homem. Em segundo lugar, devido o fato de que a relação do homem com o outro nos desbravamentos dessas terras se deu sob as mais violentas formas de exploração e injustiças como, muito bem, ressaltou Mavignier de Castro já na década de 50 ao dizer que, ao passo, em que a selva foi despojada pela exploração do homem, o homem também foi explorado por despojar a selva.

Dentre tantas literaturas amazônicas que dão enfoque a essas duas assertivas precedentes “Terra Encharcada” de Jarbas Passarinho desponta como uma daquelas que revelam de forma “realista” e com grande esmero literário o drama do homem com o próprio homem e com o meio em que vive. Diria que Terra Encharcada é o brado do ser humano por aquilo que sempre lhe foi tão caro e sagrado – a liberdade.

Terra Encharcada foi publicado primeiramente no Pará, tendo recebido na época o mais importante prêmio literário do Estado, o Prêmio Samuel Mac Dowell. Em 1968 a Editora Clube do Livro realizava uma nova edição de 30 mil exemplares. Se não é autobiográfico, como ressaltava Israel Novaes, a vivência amazônica do autor garantiu verossimilhança não, apenas, à história: impregnado daquele mundo caótico, barrento, onde, afinal, passou os anos de formação e cruzou de ponta a ponta na vinda inaugural do Acre para Belém.

Jarbas Gonçalves Passarinho nasceu em Xapuri-Ac, em 1920. Ainda pequeno mudou-se para Belém, onde realizou os estudos primários e secundários, e depois transferiu-se para o Sul do país, onde fez Escola Preparatória para Cadetes. Com grande capacidade intelectual Passarinho ascendeu rapidamente na política, tendo sido Governador, Senador e Ministro.

No enredo de Terra Encharcada temos o drama dos retirantes fugindo d’uma terra sem água para uma terra, abundantemente, encharcada. Duas situações limites, duas situações extremas. A narrativa gira em torno de Zé Luís, um jovem de 16 anos, que depois de uma série de incidentes, desde a saída do nordeste e o esfacelamento de sua família até sua ida para os seringais, vê-se como “brabo” no meio da floresta amazônica na extração do látex. Como tantos outros, descobre que o mundo que antes se apresentava como uma esperança converte-se, agora, na pior dor humana: a perda de sua liberdade mediante um sistema de exploração e violência, representado pelo seringalista. Embora seja central em Zé Luís, a narrativa, porém, se abre a partir de outros personagens, como é o caso de Cesário, que ocupa, praticamente, boa parte do livro e é responsável pelo ato que culminará com as suas liberdades.

Enfim, Terra Encharcada testemunha a condição paradoxal do ser humano: ser de bondade ao mesmo tempo em que não consegue conter o seu instinto “natural” que culmina com as piores formas de crueldade. Como se registra no prefácio da obra, ninguém emergirá incólume destas páginas, pois ganha-se o conhecimento daquela força, que levou Cesário a conduzir para fora do pântano, da miséria e da doença, o esmolambado exército de “brabos”.

Isaac Melo


REFERÊNCIA E SUGESTÃO
PASSARINHO, Jarbas G.. Terra Encharcada. São Paulo: Clube do Livro, 1968.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CULTURA SINGULAR



O Festival Yawa que se realizou nos dias 25 a 29 de outubro, com 14 etnias indígenas do Acre.

Pinturas representantivas da cultura Yawa são reproduzidas na pele e faz parte do ritual da festa (Foto: Onofre Brito/Secom)

O Festival Yawa tem duas partes distintas: a lúdica e a espiritual, ambas sempre acompanhadas de canções.



FATO MEMORÁVEL

Hoje, o Acre comemora 106 anos da assinatura do Tratado de Petrópolis, documento de intenção que oficializou a permuta e finalizou a disputa entre o Brasil e a Bolívia em 17 de novembro de 1903 pelas terras onde hoje se localiza o Estado do Acre.

Os negociadores do Tratado de Petrópolis, com Barão do Rio Branco ao centro (Foto: Acervo)



Mais aqui.

sábado, 14 de novembro de 2009

O BREGA POP

Com uma cabeleira pink com mechas multicoloridas e roupas exóticas com fivelões pendurados, broches, e uma brilhante coleção de cintos o paraense Wanderley Andrade é um cara, no mínimo, exótico e um dos cantores mais apreciados no mundo prega pop na região Norte e Nordeste. Lembro que no Acre, um tempo, só ouvia o "Traficante do amor". O programa Global "Ó pai ó", nesta sexta-feira passada, botou um sucesso do exótico Wanderley Andrade, o que me fez lembrar dos velhos tempos do Acre, nem tão velhos assim. Pessoa eclética, ouço de tudo um pouco pra não dizer que sou arrogante. Mas um breguinha de vez em quando, não faz mal a ninguém! (risos).



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ALGUNS OLHARES


Entardecer na Aldeia Nova Esperança, onde é realizado todos os anos o Festival Yawanawá promovido pela comunidade indígena do mesmo nome. A festa marca a reestruturação e valorização da própria cultura pelos índios Yawanawá do rio Gregório e se transforma em um dos principais roteiros etnoturísticos do Acre. (Foto: Onofre Brito/Secom)
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Imagem aérea do fotógrafo Sérgio Vale faz um registro da região central de Rio Branco onde as construções, novas e antigas, se fundem com a massa verde. A ocorrência de árvores no centro da cidade é devido, principalmente, ao tradicional cultivo de frutas nos quintais e da manutenção de espécies centenárias que ali estão desde a fundação da cidade (Foto: Sérgio Vale/Secom)
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A terceira maior cidade do Estado, Sena Madureira, está localizada às margens do rio Iaco e fica a apenas 140 quilômetros da capital, Rio Branco. O município que já demonstra crescimento expressivo recebeu no início da sua formação muitos migrantes nordestinos e tem como principais atividades a agricultura, extração de produtos madeireiros e não madeireiros e começa a ver o desenvolvimento se acelerar com a proximidade de conclusão da BR 364 (Foto: Sérgio Vale/Secom)
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Localizado no Vale do Acre, Santa Rosa do Purus tem em torno de 3,8 mil habitantes e tem como principais atividades econômicas o extrativismo vegetal e a pesca e limita-se com os municípios de Manuel Urbano e Feijó e faz fronteira com a república do Peru (Foto: Gleilson Miranda/Secom)


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

À MESTRA COM CARINHO

Externo aqui o meu profundo agradecimento à orientação da Profa. Dra. Inês Lacerda Araújo que me acompanhou na elaboração de meu Trabalho de Conclusão de Curso, onde recebi nota máxima, com o tema "Richard Rorty: ironia e solidariedade como bases da cultura liberal", o primeiro trabalho de TCC da PUC-PR a abordar a filosofia de Richard Rorty. A professora Inês Lacerda sempre foi uma exímia pesquisadora e uma das mais competentes filósofas do Paraná. A mim foi um privilégio tê-la como mestra.

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Confira alguns de seus livros:

Foucault e a crítica do sujeito

Neste trabalho constam: de uma introdução para situar suas ideias e sua vida; uma primeira parte em que sãoexpostos e analisados seus principais escritos, num arco que compreende desde História da Loucura na Idade Clássica até os três volumes de História da Sexualidade; o leitor encontrará uma síntese e um comentário crítico de cada uma das obras fundamentais de Foucault. Na segunda parte é mostrada sua filosofia como uma crítica à noção de sujeito de tipo cartesiano, o que demandará apresentação do seu método e do conceito de discurso; na terceira parte é focalizado sua contribuição para o desmonte da ideia de que o poder limita-se a reprimir recorrendo à temática da sexualidade que leva à subjetividade e, surpreendentemente, à da ética; na quarta e última parte é analisado seu pensamento através sobretudo da crítica de Habermas, que é considerada a mais consistente.

Introdução à filosofia da ciência

Suprindo uma carência de bibliografia específica para a disciplina que recebe nomes como Introdução à Metodologia Científica ou Filosofia do Método Científico, Inês Lacerda, professora de Filosofia da UFPR, apresenta aqui uma explanação sobre a filosofia da ciência. Após uma introdução, na qual discute o que é ciência, discorre sobre as correntes da filosofia da ciência contemporânea: neopositivista, dialético-marxista, funcionalista, estruturalista. Também discute como tais correntes abordam a ciência e a relação entre ciência e ideologia, considerando a contribuição de Habermas, Ricoeur, Feyerabend e Foucault para este embate. Por ser obra introdutória, sua linguagem prima por ser de claro entendimento.

Do signo ao discurso
Introdução à filosofia da linguagem

Como as palavras se relacionam com o mundo? Eis aí o velho problema da referência que, desde Platão até Davidson, tem perturbado filósofos, lingüistas, teóricos da comunicação.
Do signo ao discurso – Introdução à filosofia da linguagem aborda as questões, os autores e os temas essenciais para compreender a relação entre linguagem e realidade, palavras e coisas, o problema do significado, de como com as palavras dizemos algo a alguém e somos compreendidos, o papel dos jogos de linguagem e dos atos de fala nos processos comunicativos, a questão da fala como prática humana entre outras práticas. Esses temas são analisados em diferentes perspectivas, autores e escolas de pensamento, num arco histórico que se inicia com a virada lingüística em fins do século XIX e vem até nossos dias, com as teorias do discurso.

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Livros em parceria:
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Richard Rorty
filósofo da cultura

Richard Rorty é um dos maiores filósofos da contemporaneidade. Seguindo a disposição democrática dos filósofos pragmatistas que lhe precederam, Rorty não ´elege´ seus temas segundo seu grau de proximidade com a temática filosófica, muito pelo contrário, acredita que não necessitamos hoje em dia desta distinção entre ´temas filosóficos´ e ´temas não-filosóficos´. Tal distinção é propugnada principalmente por filósofos acadêmicos, que cultuam a proximidade entre filosofia e ciência e rejeitam a proximidade da filosofia com temáticas sociais ou contingentes. Para Rorty, e outros filósofos contemporâneos, essa proximidade entre filosofia e ciência mostra-se mais do que esgotada. Sua proposta de filosofia é a de uma filosofia da cultura, na qual o filósofo esteja disposto a dialogar com várias áreas das chamadas ciências humanas, mas, principalmente, com a literatura e a história. O presente livro almeja contribuir para a reflexão em torno do impacto da filosofia rortyana na agenda da filosofia contemporânea. Os autores apresentam diversas facetas do pensamento rortyano, sua discussão com a filosofia da ciência, com a literatura, com a filosofia heideggeriana, com a contracultura, com a educação. O livro fecha com uma tradução de artigo inédito do próprio Rorty acerca da relação entre Wittgenstein e a virada lingüística.

Temas de Ética


A coleção Filosofia, organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR, tem por objetivo levar a público alguns ensaios relevantes para a ampliação do debate filosófico, a partir de pensadores como Aristóteles, Al-farabi, Kant, Schiller, Nietzsche, Freud, Popper, Apele Habermas.


 
Temas de Epistemologia
 
Temas de Epistemologia dá seqüência à Coleção Filosofia. Neste volume, colaboram professores e pesquisadores do curso de Filosofia e do Programa de Mestrado em Filosofia da PUCPR, com suas reflexões e análises acerca do conhecimento em geral e do conhecimento científico, em especial. Como se chega à verdade, como validar e justificar o conhecimento, qual é sua gênese?
Como se verificam, se legitimam e são utilizados os enunciados? Essas questões são abordadas por meio das diferentes perspectivas. Ascísio dos Reis Pereira apresenta a relação entre moral e conhecimento em Locke; Jair Barbosa mostra a diferença entre a ciência e a filosofia segundo Schopenhauer; Francisco Verardi Bocca analisa a estruturação do psiquismo infantil na perspectiva de Freud; Cleverson Leite Bastos enfoca a semântica extencional de Frege; Bortolo Valle destaca o papel que Wittgenstein dá à linguagem; Inês Lacerda Araújo explica a noção de paradigma de Kuhn; e César Candioto enfoca a questão da verdade para Foucault.


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Os Livros podem ser adquiros nos seguintes sites:

Editora da UFPR
Parábola Editorial
Editora Champagnat (PUCPR)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

FLORENTINA ESTEVES: DIREITO E AVESSO DO MUNDO

“Florentina conhece o Acre. Não apenas por ser acreana
mas por compreendê-lo, interpretá-lo, por amá-lo”

Robélia Souza


Poucos são os escritores que nos causam calafrios quando os lemos. Florentina Esteves se inscreve no rol destes. Alguns de seus textos são tão instigantes, que possibilitam ao leitor vibrar com a própria personagem, sentir suas emoções, angústias, dores, alegrias, à medida que se avança na narrativa.

Um exemplo, nesse sentido, é quarto conto do livro Direito e Avesso, intitulado “O pensamento”, quando Juvenal “pensou o pensamento”, isto é, vê-se em confronto com seu próprio pensamento. Já possui sete filhos, e pensa que seria melhor que o oitavo, que a mulher está a esperar, morresse. Ele abomina esse pensamento, mas ao mesmo tempo não consegue fugir dele. Encontra-se num embate interno, meio psicológico. Para piorar a situação seu filho mais velho (Joel), que tanto lhe auxilia, cai doente e não quer que este morra de modo algum. Viaja à Rio Branco em busca de remédio para o filho. Nos últimos momentos do conto Juvenal sente seu coração acelerar, descompassadamente, quando do retorno, depara-se com cheiro de velas vindo de sua casa e no varal roupas de criança estendida. Angustia-se. Nenhum som provém da casa. Ao voltar o olhar para o interior de sua habitação, ver apenas seu filho Joel a balançar a rede: dentro dela seu irmão recém-nascido. Porém, ele, Juvenal, já não tem mais esposa.

Direito e Avesso (1998) é o segundo livro de contos de Florentina Esteves, e reúne 32 narrativas. Nesta obra, Esteves “conta diversas histórias do povo da mata, com destaque para as personagens femininas. Histórias da floresta e da cidade, registrando os costumes e crendices do Acre”. Na importante obra de autoria da profa Dra Margarete E. P. de Souza Lopes, Motivos de Mulher na Amazônia, esta faz uma importante análise da obra de Esteves focalizando de modo especial a questão da mulher. Todavia, os contos vão muito além da discussão mulher/sociedade, pois abre-se num caleidoscópico de emoções, possibilidades, angústias.

Como leitor, não vejo na obra de Esteves sentimentalismos. E sim, a realidade, muitas vezes, nua e crua, tal como é. Não há moralismo, há situações em que o ser humano deixa entrever seu lado sórdido. E seus contos estão repletos de experiências humanas, por isso, belas e trágicas. É impossível adentrar nos escritos de Esteves e não compreender um pouco mais do que é o ser humano, aquilo que o meio torna-o e as circunstâncias modelam.

Além do mais, Esteves escreve com uma propriedade estrondosa sobre a realidade do Acre: o linguajar, as lendas, e tantas outras coisas próprias da cultura acreana. Em muitos de seus contos temos como que uma pintura da realidade transposta em palavras. Assim é Florentina Esteves, redatora das coisas bonitas de sua terra, sua gente e sua cultura, sem saudosismo ou melancolismo, mas de forma lúcida e instigante, em que a vida sempre se afirma mesmo tendo que transpor os balseiros do sofrimento.


REFERÊNCIAS E SUGESTÕES

ESTEVES, Florentina. Direito e Avesso. Rio de Janeiro: Oficina do Livro,1998.
LOPES, Margarete Edul Prado de Souza. Motivos de mulher na Amazônia: produção de escritoras acreanas no século XX. Rio Branco: EDUFAC, 2006.

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Sobre O EMPATE leia aqui.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

LUNDU MARAJOARA

Lundu é uma dança de origem africana, assim como seu canto, trazida pelos escravos bantos. O Lundu, do mesmo modo que o "maxixe", eram danças que possuíam uma forma "branda" e a uma forma "selvagem". Essa última, tinha como tema da dança, o convite feito pelo homem à mulher para um encontro sexual. A dança desenvolvia-se, a princípio, com a recusa da mulher mas, ante a insistência do seu companheiro ela termina por ceder. A movimentação era tão carregada de sensualismo e lubricidade que, ao tempo, a Corte, ao tomar conhecimento do fato, solicitou às autoridades a proibição da dança.

No Brasil, com as adaptações locais o "Lundu" sofreu diversas modificações, principalmente na indumentária. Ao contrário do primitivismo africano, apresenta todas as características marajoaras, razão por que passou a ser chamado de "Lundu marajoara". As mulheres se apresentam com lindas saias longas, coloridas e bastante largas, blusas de renda branca, pulseiras, colares, brincos vistosos e flores no cabelo. Os homens vestem calças de mescla azul-claras e camisas brancas com desenhos marajoaras. Os pares se apresentam descalços.

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Saiba mais aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

EM TRAÇOS E CORES

Uelinton Santana, nasceu em Sena Madureira e passou a morar em Rio Branco desde o primeiro ano de vida. Entrou para o mundo das artes aos 16 anos. Tem orgulho de dizer que vive exclusivamente da sua arte. Uelinton já foi presidente da AAPA - Associação dos Artistas Plásticos do Acre. Expôs mais de 40 vezes em Rio Branco, em diversos espaços. Expôs também em Brasília, Belém e outras capitais. O artista possui obras no Canadá, EUA, Argentina e desenvolveu em Rio Branco diversos cursos de desenho e pintura.









sábado, 7 de novembro de 2009

O ACRE "EM PÍLULAS"

"Ele não é somente um blog acreano. É uma verdadeira biblioteca, é uma fascinante exposição de raridades sobre o assunto, é um riquíssimo acervo do presente e do passado, é o Acre "em pílulas". Alguém deve acordar e republicar tudo, reunindo e transformando tudo isso numa rica coleção literária da memória acreana".

Gostaria, por meio destas palavras, acima, do poeta Anchieta Batista, a quem muito admiro, agradecer a todo/as aquele/as que tem visitado este blog. Sempre recebo mensagens de apoio, agradecimento, sugestões, dúvidas, de afetuosidade etc. Isso não serve para alimentar meu ego (às vezes, sim, rsrsrs...), mas demonstra que nosso trabalho de formiguinhas está no caminho certo. Gosto de literatura, filosofia, das variedades de culturas, de gentes, lugares; do chão onde nasci: desta terra tão sofrida em suas origens e que, hoje, olha com orgulho para seu passado, embora saiba que este, também, está tingido de sangue e sacrifícios.

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Obrigado.
Gracías.
Thank you.
Grazie.
Danke.
Merci.
Gràcies.
Tack.
谢谢.
متشکرم.
Tänan teid.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O BRADO DE AUGUSTO MEIRA

A causa acreana, da luta pela incorporação ao Brasil até a sua Autonomia política, despertou as mais diversas opiniões, desde simples seringueiros a ilustres personagens de nossa história, como Rui Barbosa. O ilustre jurisconsulto, estudioso e homem de Letras da Amazônia, Augusto Meira, lançava em 1913 uma obra intitulada “Autonomia Acreana”, talvez um dos mais lúcidos e bem argumentados trabalhos em prol de nossa autonomia. De modo categórico, Meira bradava:

“Quando mesmo viesse algum onus maior, as immensas vantagens recolhidas tudo, em centuplo, compensariam. Isto sóbe de ponto quando é certo que o Acre tem condições de em 10 annos fazer muito mais do que alguns dos nossos Estados tem feito desde 1500” (p. 76).

E mais adiante arrematava:

“A autonomia do Acre é uma necessidade inadiavel. Ella ahi está. Ao governo cumpre respeitar o valor real de seus títulos. Autonomia não quer dizer divórcio da Patria. É a dignificação de um povo que dignificou e que dignificará a patria” (p. 76).

A autonomia, porém, não veio tão fácil. Todavia, é inegável o quanto somos gratos a Augusto Meira, por, antes de tudo, ter compreendido o quanto o povo acreano padeceu pelo chão que hoje calcamos. E que nossa história, não nasceu do arroto de Buda.


Referência e sugestão:

MEIRA, Augusto. Autonomia Acreana. Belém: Typ. Da Livraria Escolar, 1913 (Edição fac-similada, 1983).

Nota: Citações obedecendo a ortografia da época.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CUMBIA COLOMBIANA

La Zenaida - Armando Hernandez

La cumbia es un ritmo musical y un baile folclórico autóctono de Colombia, con variantes de carácter igualmente folclórico en Panamá.

Muy caliente!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

REDATORES DA TERRA DE GALVEZ

A CONQUISTA DO ACRE

Isaac Melo

Abguar Bastos, se não me engano, dizia, galhofeiramente, que o Acre era uma extensão do Ceará, já que foi graças à têmpera do nordestino e, de modo especial, dos cearenses que se deu o “desbravamento” das terras acreanas. E, de fato, a história do Acre não pode ser contada sem a presença preponderante daquele que “antes de tudo, é um forte”, na expressão Euclideana. Na literatura não é diferente.

A CONQUISTA DO ACRE é um romance-histórico sobre a revolução acreana e a principal obra do cearense Pimentel Gomes. A meu ver, dentre as obras de cunho literário que retratam a 'saga' da Revolução Acreana, essa é uma das principais. A importância desse romance se dá pelo fato de que Pimentel Gomes para compô-lo se utiliza de depoimentos de muita gente que havia participado da luta pela conquista do Acre que ainda residiam em Rio Branco por volta da década de 1940. Dessa forma, obteve um grande número de informações acerca da campanha do Acre, além de datas dos acontecimentos principais, bem como o nome dos principais chefes e companheiros de Plácido de Castro e de chefes bolivianos. É a partir de todos esses dados reais que Pimentel Gomes compõe A CONQUISTA DO ACRE.

O romance está dividido em trinta e nove capítulos e escrito com personagens fictícias e com fatos ambientais reais. O autor ressalta ainda, a efetiva participação dos cearenses, no desenrolar dessa “epopéia” patriótica, transformando-se ele mesmo em personagem do próprio enredo, descrito com detalhes instrutivos e em forma de viagem, cujo ponto de partida é o sítio Mata-Fresca, na serra cearense da Meruoca, e cujo ponto de chegada é o seringal acreano de Bela-Flor, lugar onde os brasileiros venceram a batalha final.

Raymundo Pimentel Gomes nasceu em Sobral-CE, em 1º de Julho de 1900 e faleceu no Rio de Janeiro em 02 de Maio de 1975. Obteve o diploma de Engenheiro-Agrônomo na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, de Piracicaba-SP, em 1922. Tornou-se um dos mais competentes e brilhantes engenheiros-agrônomo do Brasil. Veio para o Acre em 1942, convidado pelo Governador Oscar Passos para assumir o Departamento da Produção do Território do Acre. Foi um dos períodos mais prósperos da agricultura acreana.

Profundo conhecedor dos problemas agropecuários nacionais, sobre o assunto escreveu dezenas de monografias e centenas de artigos em revistas especializadas. Foi o coordenador dos setores de agricultura e pecuária da Enciclopédia Barsa, para a qual escreveu dezenas de verbetes. Incansável defensor da prática agrícola racional, os jornais de várias capitais brasileiras estão repletos de seus abalizados escritos, resultado de longa pesquisa. Homem de grande erudição, bastante viajado, prestou inestimáveis serviços ao País no desenvolvimento do setor primário da economia.

Pimentel Gomes foi ainda professor do Seminário de Sobral e do colégio Assunção, em sobral; catedrático do Ginásio estadual de Tatuí, em São Paulo; professor de Agricultura Geral, de Agricultura Especial e de Química Agrícola, na Escola de Agronomia do Nordeste, em Areia, Paraíba; de História Natural e Geografia em Rio Branco, Acre; Livre-Docente de Geografia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Recebeu na década de 60 da Sociedade de Agricultura, o diploma de maior divulgador da agricultura do Brasil.

A CONQUISTA DO ACRE, conforme ressalta o Pe. F. Sodoc de Araújo, da Academia Cearense de Letras, é um romance instrutivo, que se lê com muito agrado, porque está escrito em estilo ameno e suave, redação icástica e linguagem exemplarmente escorreita. Sendo daqueles poucos livros, donde sua leitura serve tanto de estudo quanto de lazer.

Em 2005 a Academia Cearense de Letras reeditou A CONQUISTA DO ACRE, em capa dura, com apresentação do filho de Pimentel Gomes.


REFERÊNCIA
GOMES, Pimentel. A Conquista do Acre. 2. Ed. Fortaleza-CE: Expressão Gráfica e Editora, 2005.