domingo, 18 de fevereiro de 2018

EM TORNO DE UM TEATRO ACREANO INDOCUMENTADO, SEM VERBA E SEM PÚBLICO

João Veras 18/02/18 

Apesar da ausência sistemática dos governos locais no campo do apoio às artes (isto para mim é tão evidente quanto a luz do sol), o teatro acreano segue a sua jovem tradição local de sempre reexistir. Não importa se esta reexistência, esta de agora, não ocorra no campo social frente às políticas culturais que têm feito as mesquinhas contas dos governantes e seus pobres asseclas aumentarem. As organizações artísticas já jogaram a toalha faz tempo. Conselhos de cultura moribundos vagueiam como múmias agarradas aos restos mortais de uma legitimidade podre, fedida. Restando o império da mudez conivente para muitos diante de tais políticas enganosas que acham que vencem no cansaço de nossas paciências cidadãs. O que, felizmente, não tem abalado o fazer teatral. Sigamos.

Esta bem dita reexistência de que quero falar tem se manifestado de duas maneiras. Uma, por existir por si só. Fazer teatro apesar da falta de apoio estatal. O teatro não precisa do Estado nem do mercado. Não precisa de verba nem de público. Claro que precisa disso, mas a ausência disso não é impedimento, não determina a sua existência. Somos prova viva disso. Não cair no canto da sereia do financiamento governamental que imobiliza se não tiver edital. A velha tática do controle da inventividade e criticidade artística pela finanças. Fazer teatro como uma necessidade social e não só servível como artefato de consumo do entretenimento que tanto anestesia quem faz e quem assiste. A outra maneira de resistência se opera pelo o que justifica não fazer teatro só para divertir plateias. O teatro é também um meio de expressar e problematizar os incômodos de uma sociedade em seu tempo e suas crises políticas e também estéticas de hoje. Viver as agruras do cotidiano e ir para o teatro para esquecê-las, como quem vai para o cinema de shopping ver o mata-mata dos super-heróis americanos? O que quero dizer é que, apesar de todo o esforço e investimento, os governos autoritários, estes que são inimigos da liberdade de expressão e da criação (sobretudo se críticas às suas estratégias de poder), não conseguem calar a arte local. E o teatro acreano não está calado. Todo o subliminar investimento em silenciá-lo – como quem silencia um ator social puramente político (partidos, sindicatos, associações... e seus falsos dirigentes) - não tem obtido o esperado resultado. A morte simplesmente.

E esta reexistência da qual me refiro não precisa se manifestar a título de um panfleto político, a do discurso direto e compromissado com bandeiras (coisa de partidos, sindicatos, associações e seus falsos dirigentes...), a do manifesto puro e objetivo contra seja qual for o modelo de poder censurante, opressivo e totalitário. Estamos no campo da estética. Por ele, o discurso se impõe envolto aos estatutos das linguagens artísticas, de outro patamar e substancia expressivas e éticas, seja pela sua diversidade, de concepção e sentidos abertos em suas plurissignificatividades, seja em seu compromisso com a experiência de toda forma de liberdade de expressão, criativa, imaginativa e também concreta não suportada pelo ambiente e modelo de poder censurante, opressivo, totalitário.

Dizendo isso, para mim é mais fácil compreender que, enquanto o movimento social se cala ante as estratégias do poder político local censurante, opressivo, totalitário (e quando se manifesta é, comumente, pra trocar o 6 pela meia dúzia), é possível ter contato com as narrativas – posições - intranquilas dos fatos políticos, sociais e culturais de que temos sido vítimas, o que tem sido possível também pelo olhar deste teatro acreano que ainda resiste. Para a ciência de todos, minha sugestão é que se frequente o Teatro de Arena do Sesc em sua programação cênica – o que vi ano passado e estou vendo este ano.

FOTOS DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO ACRE

Material iconográfico referente ao Acre retirado da revista brasileira Fon-Fon, fundada no Rio de Janeiro em 1907, cujas publicações se estenderam até 1958. Torna-se, assim, mais material de apoio para a historiografia acreana. 
Veja aqui a 2.ª parte

Adicionar legFon-Fon, 27 de julho de 1907, Ano I, N.16 – FBNenda

Fon-Fon, 2 de maio de 1908, Ano II, N.4 – FBN

Fon-Fon, 16 de maio de 1908, Ano II, N.6 – FBN

Fon-Fon, 19 de setembro de 1908, Ano II, N.24 – FBN

Fon-Fon, 31 de julho de 1908, Ano II, N.31 – FBNa

Fon-Fon, 31 de julho de 1908, Ano II, N.31 – FBN

Fon-Fon, 31 de julho de 1908, Ano II, N.31 – FBN

Fon-Fon, 31 de julho de 1908, Ano II, N.31 – FBN

Fon-Fon, 14 de agosto de 1909, Ano III, N.33 – FBN

Fon-Fon, 14 de agosto de 1909, Ano III, N.33 – FBN

Fon-Fon, 21 de agosto de 1909, Ano III, N.34 – FBN

Fon-Fon, s/d de 1909, Ano III, S/N. – FBN

Fon-Fon, s/d de 1909, Ano III, S/N. – FBN

Fon-Fon, 26 de fevereiro de 1910, Ano IV, N.09 – FBN

Fon-Fon, 23 de abril de 1910, Ano IV, N.17 – FBN

Fon-Fon, 17 de setembro de 1910, Ano IV, N.38 – FBN

Fon-Fon, 1 de outubro de 1910, Ano IV, N.40 – FBN

Avelino de Medeiros Chaves. Fon-Fon,  julho de 1911, Ano V, N.26 – FBN

Fon-Fon, 26 de agosto de 1911, Ano V, N.34 – FBN

Fon-Fon, 26 de agosto de 1911, Ano V, N.34 – FBN

Fon-Fon, 6 de janeiro de 1912, Ano V, N.1 – FBN

Fon-Fon,  24 de fevereiro de 1912, Ano V, N.8 – FBN

Fon-Fon,  6 de abril de 1912, Ano V, N.14 – FBN

Fon-Fon,  28 de junho de 1913, Ano VII, N.26 – FBN

Fon-Fon,  25 de outubro de 1913, Ano VII, N.43 – FBN

Fon-Fon,  1 de novembro de 1913, Ano VII, N.44 – FBN

Vista geral de Sena Madureira. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Departamento do Alto Acre, Bolpebra. Ponto de intersecção das fronteiras Brasil, Bolívia e Peru. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Barracão do seringal Guanabara. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Borracha seringal Guanabara. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Vapor Guanabara no porto do seringal Guanabara de Avelino Medeiros. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Porto de Rio Branco. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Seringal Nova Olinda, rio Yaco. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Seringal Guanabara, rio Yaco. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Barraca Petrópolis, seringal Samarrã, pertencente ao Guanabara. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Mutum ou Paris, pertencente ao seringal Guanabara. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Rua Amazonas, Sena Madureira. Fon-Fon, 8 de novembro de 1913, Ano VII, N.45 – FBN

Fon-Fon, 29 de novembro de 1913, Ano VII, N.48 – FBN

Fon-Fon, 29 de novembro de 1913, Ano VII, N.48 – FBN

Fon-Fon, 29 de novembro de 1913, Ano VII, N.48 – FBN

Fon-Fon, 14 de março de 1914, Ano VIII, N.11 – FBN