quarta-feira, 7 de outubro de 2009

HÉLIO MELO: A ARTE IMITA A VIDA

"Então, como aprendi sem professor, podem me chamar de pintor da selva. Porque só quem viveu lá dentro é capaz de descobrir os mistérios da natureza por meio de nossos irmãos índios, donos da floresta."
Hélio Melo


Hélio Melo (1926-2001), um dos maiores expoentes das artes plásticas que o Acre já teve. Autodidata, cursou apenas até a terceira série do antigo primeiro grau, porém, um homem multifário, pois também era compositor, músico e escritor. Seus livros revelam mais que um imaginário pessoal, pois são preciosidades que resgatam aspectos peculiares da cultura amazônica, com suas lendas, histórias fantásticas e reais. Hélio escreve a partir de suas vivências, o que agrega a seus escritos autenticidade e brados de vida. Conforme ressaltou Naylor George, na apresentação de O caucho, a seringueira e seus mistérios: “ele escreve o que conversa e o que sente da mesma maneira que pinta uma tela, ou ainda da mesma forma que toca um violino. Ele é a simbiose de uma arte múltipla que se revela clara e cristalina...”.

A histórica revista Outras Palavras, assim descreve, sinteticamente, Hélio: “Nasceu e passou boa parte de sua vida - dos 12 aos 41 anos - dentro de um seringal. Foi entre o corte nas estradas de seringa, que o artista rabiscou seus primeiros desenhos e aprendeu a tirar som do primeiro instrumento: um violão. Mais tarde, ele iria abandonar este e um outro instrumento - o cavaquinho - pela paixão ao violino, que aprendeu a tocar de ouvido, no meio da floresta. Encantado com a beleza e os mistérios da Amazônia, o pequeno Hélio aproveitava as horas de folga preenchendo folhas brancas com desenhos que misturavam lápis e uma tinta extraída do sumo de uma planta. Em 1959, deixou para trás o seringal e veio para Rio Branco em busca de uma vida melhor para a família. Na capital acreana, foi trabalhar como catraieiro, levando e trazendo passageiros de uma margem à outra do rio Acre. No início da década de 70, com a construção da primeira ponte ligando os dois lados da cidade, a procura pela velha catraia diminuiu e Hélio Melo tratou de arrumar outro ofício que lhe garantisse o sustento da mulher e dos cinco filhos. Foi barbeiro ambulante e depois vigia. Em meados da década de 80, matriculou-se num curso ministrado pelo também pintor Genésio Fernandes”.
Estrada da floresta (1983)
Col. Mansour

Ferramentas do seringueiro (1983)
Col. Museu da Borracha

Homem defumando
Col. Museu da Borracha

Burro sobre a árvore
Col. Museu da Borracha

Família e mulher vaca
Col. Garibaldi

Serradores
Col. MASP

Árvore vaca e árvore bezerro
Col. Camargo

Seringueiro fazendo corte na ávore
Col. Mansour

Árvore vaca
Col. Goldfarb

A árvore que chora
Col. Camargo

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
"Nos campos e queimadas não se vê o canto dos passarinhos. Tudo perde a sua graça. A mata que é vida dos pássaros e dos homens, aos poucos vem transformando a floresta em um sertão isolado.

Os Pássaros também sentem o desmatamento. Uns choram seus ninhos desbaratados e outros seus filhotes, esmagados pelas árvores tombadas pelo homem, que se diz inteligente.

A floresta é o véu da terra que sustenta o oxigênio, além disso, existe um verde vivo e outras cores que ninguém consegue definir. Enfim, para pintar uma mata do jeito que ela é, sem o sumo das plantas é impossível".

Hélio Melo em A experiência do Caçador e Os Mistérios da Caça
-------------------------------------------------------------------------------------------------------


Hélio Melo conta sua história.


REFERÊNCIAS PARA APROFUNDAR
MELO, Hélio. A experiência do Caçador e Os Mistérios da Caça. Rio Branco: Bobgraf – Editora Preview, 1996.
MELO, Hélio. Os Mistérios da Mata e Os Mistérios dos Répteis e dos Peixes. Rio Branco: Bobgraf – Editora Preview, 1996.
MELO, Hélio. O Caucho, a Seringueira e Seus Mistérios e História da Amazônia. Rio Branco: Bobgraf – Editora Preview, 1996.
* Imagens retiradas de Universes in universe.

5 comentários:

Denise disse...

Nossa, que coisa maravilhosa. Com certeza ele já nasceu com esses dons, presentes de Deus :)

[]s

Lu disse...

Sou fã desse cara - HÉLIO MELO
gostei muito - Estrada da floresta (1983); Burro sobre a árvore; Seringueiro fazendo corte na ávore. Todas son buenas!
PARABÉNS! Isaac pela pela postagem

Marcos Afonso disse...

Querido acreaníssimo,
Filósofo e amigo Isaac!

Que linda homenagem...
Tenho orgulho de ser
primo do Hélio, que
tinha nome do Sol!...

Parabéns!

Marcos Afonso.

Eloy Añez Marañón disse...

Estimado Isaac: Gracias por incluir mis obras en tu blog. Yo quiero decirte que tuve el placer de conocer y compartir unos dias con el señor Helio Melo en su taller de UFAC-Centre, cuando expuse en Rio Branco el año 1988.
Una bella persona y un gran colega, me dió sugerencias sobre el valor de mis obras y como debía yo ponerles precios, seguí sus consejos y tuve la alegría de vender despues de sus consejos. Era una persona sabia a pesar de su condición siringuera, sus obras me gustan mucho. Pude ver personalmente varias de sus obras,entre ellas, las que estan en este blog. Considero que Helio Melo es uno de los mas pintores con mayor autoridad para expresar la vida de los siringueros, que al final de cuentas, es la misma vida que llevaban y llevan los siringueros bolivianos.
Un abrazo desde Barcelona (España)
Eloy Añez Marañón
PINTOR BOLIVIANO

Karen Dread disse...

Viveu e percebeu as cores e formas da natureza com muita intensidade e sensibilidade!