segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A DIFÍCIL ARTE DE DEFINIR O AMOR

Profª. Luísa Galvão Lessa
Indague o leitor o quê é o Amor, se saberia defini-lo? Se não souber, não se assuste, pois em verdade ninguém conseguiu, ainda, uma definição precisa. O Amor tornou-se uma das mais raras experiências de vida. Sim, fala-se sobre ele, estórias são escritas, canções são compostas, filmes são feitos, vê-se na televisão, no rádio, nas revistas - uma grande indústria continuamente supre o mundo com a idéia do que seja o Amor. Muitas pessoas estão constantemente envolvidas nisso, ajudando outras a entenderem o que é o amor. Mas ainda assim permanece como fenômeno desconhecido para milhões de pessoas no mundo, quando deveria ser o mais conhecido.

O Amor é uma experiência tão pessoal e intransferível como a morte. E, aqui, neste texto, as trilhas são os filósofos, poetas, artistas, amantes, apaixonados, gente que reflete o tema na busca de uma resposta. Se desejar, caminhe comigo e dê-se conta que a vida sem amor é NADA. O amor é TUDO!

Mozart, na ópera "O Casamento de Figaro", faz o imberbe e adolescente Querubino perguntar: "Dizei-me, vós que o sabeis: o que é o amor?" - todo o mundo se esgoelou, mas ninguém lhe respondeu a contento. Poetas e filósofos não conseguiram aproximarem-se mais do que eles (Mozart e Querubino) na difícil definição. E a característica mais notável a respeito é que todas as respostas discordam uma das outras.

Platão, por exemplo, sustenta ser o amor uma apreciação da beleza, principalmente da beleza das idéias abstratas e dos conceitos matemáticos. Descartes afirma que o amor é uma emoção em que a alma é incitada a juntar-se, de bom grado, a objetos que se afiguram agradáveis.

Dante, encerrando sua obra gigantesca, vinca o amor como uma verdade cósmica: "O amor que move o sol e as outras estrelas". O Fausto de Marlow espera que Helena o torne imortal com um único beijo. Walter Scott resume, sob o ponto de vista dos românticos, o amor como a força que age e domina a vida dos seres humanos, ao dizer: ”O amor governa a corte, o campo, o bosque. E os homens embaixo e os santos em cima. Pois o amor é o céu e o céu é o amor”.

Com se pode sentir, só para ilustrar umas poucas definições, o Amor é uma questão de vida, nunca se esgota, nunca se acaba. O que uma pessoa deve desejar e querer, intensamente, é amar mais, sempre mais, cada vez mais, cada dia mais. E que posa viver o Amor entre um homem e uma mulher, pais e filhos, entre as pessoas na terra, entre o Céu e a Terra. Que esse AMOR traga a PAZ, a HARMONIA, a TRANQUILIDADE, também a PAIXÃO, o RESPEITO de uns pelos outros. Pois o Amor é a porta da FELICIDADE!

E, embora cada pessoa ame a sua maneira e o modo de amar tenha sofrido transformações, através dos tempos, o Amor, desde a idade da pedra (quando o homem saia da caverna, pegava a mulher pelos cabelos e trazia-a para si), ainda é o mesmo na sua base fundamental: o encontro da outra metade para a realização do verdadeiro ideal de convívio, compreensão e perpetuação da espécie. E mesmo que a concepção do amor varie segundo os costumes de cada povo, quase todas as definições e as formas de exercê-lo são atribuídas aos gregos quando lhe deram dois nomes: "Eros" (o amor carnal) e "Agape" (o amor espiritual).

Do que aqui se reflete, é romântico seguir Shakespeare, no romance Romeu e Julieta, por acreditar que esse tipo de amor tem sempre, na sua descoberta, momentos de revelação e de ampliação do quadro que é a vida. Pois é ele quem se anuncia na beleza das flores, no azul do mar e do céu, no verdor das matas, na hora da Ave-Maria! Cantado em verso e prosa o Amor inspira o poeta a ver em tudo a sua essência. O Amor é também sentimento, atração, doação, alimento do corpo e da alma. O Amor é sentir a vida, é nascer de novo e diferente como se a vida mudasse o curso, querer a felicidade do outro acima de tudo, ficar feliz por dentro ouvindo o canto do próprio coração. Na verdade o Amor é tanta coisa e tanto que a definição deveria ser somente: SENTIR!!! SENTIR!!! SENTIR!!!

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**LUÍSA GALVÃO LESSA é Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestra em Letras pela Universidade Federal Fluminense. Ocupa a cadeira de número 34 na Academia Acreana de Letras. É acreana de Tarauacá.
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