sábado, 27 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
ANÚNCIO DA ROSA
| Imenso trabalho nos custa a flor. |
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Richard Rorty: filósofo da cultura
"Mas é revoltante pensar que nossa única esperança de uma sociedade decente consiste em amolecer os corações auto-satisfeitos de uma classe que se dedica ao lazer." Richard Rorty
Pensar filosoficamente não é atributo exclusivo do filósofo nem tampouco de quem estuda filosofia. Por longos séculos, a filosofia foi vista como a mãe de todos os saberes e nessa condição, inúmeras tradições filosóficas, encerraram-na numa espécie de redoma de cristal, sendo alcançada apenas por nobres espíritos que por meio de pensamentos altamente elaborados atingiam a Verdade. O pensamento filosófico de Richard Rorty (1931-2007) caminha na contramão da tradição que busca uma verdade redentora, uma essência real das coisas, um meta-vocabulário ou um vocabulário ideal que contenha todas as opções discursivas genuínas. O trabalho rortyano de crítica estende-se para incluir ainda a filosofia analítica contemporânea, e quer conduzir ao abandono, tanto do modo antigo (metafísico), quanto moderno (epistemológico), de fazer filosofia. Isto é, na proposta "não-fundacionista" de uma filosofia trazida inteiramente para dentro do mundo (de nossas práticas), como interpretação e como formação (ou edificação), e não mais como uma espécie de "dona da razão". Rorty pertencia à tradição neo-pragmatista norte-americana e foi um dos mais importantes filósofos contemporâneos. Uma das características mais marcantes de sua reflexão intelectual é a capacidade de construir diálogos entre tradições filosóficas que costumam ser tomadas de modo independente, e sugerir leituras tão inovadoras de outros autores que a história das idéias e o mapa dos problemas filosoficamente relevantes se vê redesenhado. Para Rorty, é necessário redescrever a filosofia e sua tarefa, na qual ela aponte para um horizonte de utopia e esperança liberal, de cultura aberta, onde a imaginação seja valorizada como caminho poético para a construção de um futuro diferente, aceitando radicalmente a contingência e a finitude. Sua proposta de filosofia é de uma filosofia da cultura, para a qual o filósofo deve estar disposto a dialogar com as várias áreas das chamadas ciências humanas, principalmente com a literatura e a história. Segundo Rorty, devemos evitar encapsular a filosofia como muitos pensadores têm feito, por isso, se faz necessário mudar a concepção a respeito da utilidade da filosofia. Isso será alcançado, se algum dia o for, por um longo e lento processo de mudança cultural, ou seja, de mudança no senso comum, mudança nas percepções disponíveis para ser impulsionadas por argumentos filosóficos. Nesse sentido, é que Rorty sugere abandonarmos a terminologia absoleta da filosofia, pois ela progride ao se tornar não mais rigorosa, mas mais criativa. Abandonar essa terminologia absoleta, segundo Rorty, torna-nos mais sensíveis à vida ao nosso redor, pois nos ajuda a parar de tentar cortar materiais novos, recalcitrantes para atender a antigos padrões. Como pragmatista, Rorty bebe bastante do pragmatismo de John Dewey que ressaltava que a filosofia não pode oferecer nada mais que hipóteses, e essas hipóteses têm valor apenas à medida que tornam as mentes humanas mais sensíveis à vida ao seu redor. Isso leva Rorty a dizer que o progresso filosófico ocorre à medida que encontramos uma maneira de integrar as visões de mundo e as percepções morais herdadas de nossos ancestrais às novas teorias científicas ou às novas teorias e instituições sociopolíticas ou a outras inovações. Nossa relação com a tradição, ressalta Rorty, precisa ser uma nova escuta do que já não pode mais ser ouvido, ao invés de um discurso sobre o que ainda não foi dito. Para ele, a glória do pensamento de um filósofo não é a de que ele inicialmente torna todas as coisas mais difíceis, o que não deixar de ser verdade, mas a de que no fim o filósofo torna as coisas mais fáceis para todo mundo. Rorty pensa na superação da tradição da metafísica Ocidental que faz alusão a Uma Descrição Verdadeira e que exibe o padrão subjacente à aparente diversidade. Rorty pretende, de certa forma, uma literalização da filosofia, pois ele a ver apenas como mais um gênero literário. A proposta de Rorty é que possamos escrever sobre filosofia de modo não-filosófico, chegar a ela a partir do exterior, ser um pensador pós-filosófico. A grande crítica de Rorty a filosofia é que ela muitas vezes tornou o filósofo insensível para perceber o mundo a sua própria volta. O que é cômico em nós, ressalta Rorty, é que estamos nos tornando incapazes de ver coisas que qualquer outra pessoa pode ver – coisas como o aumento ou a diminuição do sofrimento – à medida que nos convencemos de que essas coisas são "meras aparências". É como se a reflexão filosófica tivesse tornado o homem inapto para o mundo.
Por sua vez, a literatura tem desempenhado um papel imprescindível para a reflexão moral. Para Rorty, a literatura, e não a filosofia é a única capaz de promover a verdadeira noção de solidariedade humana, pois as palavras de romancistas como George Orwell e Vladimir Nabokov foram mais eficazes na tentativa de nos sensibilizar diante da crueldade que as indagações de inúmeros filósofos. Ele afirma que narrativas dramáticas podem muito bem ser essenciais para a escrita da história intelectual. Em vez do filósofo, Rorty pensa no romancista como aquele capaz de nos sensibilizar para os casos de crueldade e humilhação que muitas vezes não percebemos. A reflexão filosófica elaborada por Richard Rorty é imprescindível a todas as pessoas interessadas em filosofia contemporânea e no que ela pode fazer pelo mundo moderno. Rorty transita muito bem entre as diversas tradições filosóficas, com leituras totalmente originais acerca dos mais diferentes pensadores, fato que torna o seu pensamento um dos mais combatidos e apreciados na atualidade. Referências e sugestões: RORTY, Richard. Contingência, ironia e solidariedade. (Tradução Vera Ribeiro). São Paulo: Martins, 2007. RORTY, Richard. Verdade e progresso. (Tradução de Denise R. Sales). Barueri, SP: Manole, 2005. RORTY, Richard. Ensaio sobre Heidegger e outros: escritos filosóficos (2). (Tradução de Marco Antônio Casanova). Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. ARAÚJO, Inês Lacerda. Castro, Susana de (orgs). Richard Rorty: filósofo da cultura. Curitiba: Champagnat, 2008. SOUZA, José Crisóstomo de (org.). Filosofia, racionalidade, democracia: os debates Rorty & Habermas. São Paulo: Editora UNESP, 2005.
Isaac Melo |
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O POVO ACREANO
Océlio de Medeiros*
Sarapatel de tipos diferentes, de raças e de sangues, panelada da terra, buchada ou maniçoba, procede o povo do Acre da violência da conquista da selva, do domínio dos rios, da ambição, da aventura. Dos quatro cantos vieram várias levas dos homens sem mulheres, nortistas, nordestinos, heróis do Paraguai, foragidos do horror da Cabanagem, da guerra de Canudos e da maior das secas, desde o devassamento. Dos quatro cantos vieram logo atrás dos homens da borracha as caboclas e as brancas para a rede das índias. Os brabos e as mulheres que o seguiram, as Donas do Ceará e as Sinhás do Pará abriram seringais. Depois, quando a borracha foi pneu, "polacas" foram polens, sementes e matrizes, que criaram raízes. Foi assim que nasceu da descendência da gente aventureira o povo da fronteira do noroeste acreano. Nasceu mamando leite de seringa e comendo borracha, guerreando a Bolívia e quebrando castanha. Referência e sugestão: MEDEIROS, Océlio de. Jamaxi: A Poesia do Acre. Rio de Janeiro: Arquimedes Edições, 1979. * OCÉLIO DE MEDEIROS foi um dos intelectuais mais fantásticos e irreverentes que o Acre já teve. Nasceu em 1917 em Xapuri e faleceu em 2008. Escritor, poeta, professor, advogado e ex-deputado federal pelo Estado do Pará. P.S. Estou lendo e pesquisando acerca de Océlio de Medeiros, assim que concluir estarei postando um pequeno artigo sobre esse grande humanista acreano. Foto: Marcos Pasquim |
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Inesquecíveis do Zé Leite
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
ALMA ACREANA: Primeira peça teatral de José Potyguara
THEATRO MUNICIPAL Sociedade Sportiva e Dramatica Tarauacaense Quinta-feira, 26 de outubro de 1933 Sexta representação da burlêsca de costumes regionaes Em tres actos ALMA ACREANA Da autoria do Dr. José Potyguara Ornada com 19 números de musicas do Maestro Mozart Donizetti ![]()
Veja mais no blog do Palazzo: |
segunda-feira, 20 de abril de 2009
A voz que vem da floresta
Dym Gomes, Um cantor da floresta
O Acre é um recanto de talentos. Tudo aqui é tão Acre mesmo, como nos diria o saudoso Zé Leite. Ainda não temos um ritmo musical que nos identifique como tais, assim como o Amazonas tem o Boi-bumbá, o Pará o ritmo quente do carimbó, etc. Os espaços para a música regionalista são poucos, como pouco também são os artistas com temática local. Muitos esbarram na falta de apoio, por questões financeiras ou mesmo por não conseguir espaço nas mídias, sobretudo nas rádios e TVs, que absorvem toda sua programação na propagação dos artistas da massa e do momento. Raras são as rádios que tem na sua programação um programa dedicado exclusivamente à música regionalista. Na contramão desse movimento, surgem artistas como Alberan Morais, voz firme da Terra da Farinha, Cruzeiro do Sul, Auricélio Guedes, Magno Valença, na capital, ou mesmo Dym Gomes na Terra do Abacaxi Grande. Artistas que voltam-se para sua gente, sua terra, sua cultura. Dym Gomes é um artista genuinamente de alma acreana. Nascido em Tarauacá, suas músicas estão entre um ritmo de brega pop e um ritmo regional próprio. O seu primeiro trabalho foi produzido em Manaus, onde morou por alguns anos. Com o título de "Cabeça de Abacaxi", nome de uma das músicas do Cd, Dym chegou ao topo das paradas na região de Tarauacá. Há uns três anos atrás lançou um novo Cd intitulado "A Dança do Mariri", com músicas inéditas e outras do primeiro trabalho. Destaque para as músicas que se voltam para a região, com ênfase na cultura dos povos indígenas e da floresta. Dym ao longo destes anos tem lutado para conseguir patrocínio e apoio para a manutenção e divulgação de seu trabalho. Mas não tem sido nada fácil, vez por outra encontra alguém que lhe patrocina a tiragem de determinadas quantidades de seus Cds, que ele mesmo divulga e vende. Ao reencontrá-lo no início deste ano, ele me falava de seu plano de retornar a Manaus para fazer um tratamento nas cordas vocais, prejudicadas devido a um assalto onde foi vítima de agressão, fato que o tem prejudicado nas suas apresentações. Todavia, as adversidades não tiraram seu sonho de continuar cantando e produzir novos trabalhos. Ele é um artista simples, daqueles que tem o talento, mas não como custeá-lo. É um artista de resistência ao modelo dominante, como tantos outros ocultos e desconhecidos por esse brasilzão maravilhoso, mas imprescindíveis. Da mesma forma como admiro Vivaldi na música Clássica, Raulzito no Rock ou Mercury no axé, também admiro com a mesma presteza os artistas de minha terra, não pelo simples fato de serem da terra, mas porque eles ajudam a manter nossa identidade e a preservar aquilo que chamamos de memória. É por isso que apresento o Dym a vocês! Divulgue nosso pop da floresta. |
terça-feira, 24 de março de 2009
acreano. Trabalhou em diversos jornais, tais como: Tribuna do Povo, O Estado do Acre, O Rio Branco, etc. Fundou com outros a Associação dos Cronistas Esportivos do Acre, a Associação Profissional dos Jornalistas do Acre, a Federação de Pugilismo. Zé Leite, como era popularmente conhecido, legou para o Acre uma das mais belas páginas do humor jornalístico acreano. Em 1992 ele lançava o livro: “Tão Acre: o humor acreano de todos os tempos”, um livro tão palpitante de graça, trepidante de alegria e acreanissimamente moleca. Tão Acre, como ressalta o próprio Zé Leite na introdução, é jamaxi de gargalhadas, varadouro de humor, jirau de “causos”, poronga de folclore, sapupema de alegria, cuia-pitinga de gaiatice, piracema de verve... açude do riso antológico acreano de bubuia satírica. Tão Acre é a prova provada da saga gafolheira de uma sociedade altiva, ferina, irônica, extrovertida, aberta, capaz somente de rejeitar os mal-intencionados e os que, como diziam o velho Guiomard, bancam besta pensando que acreano é besta.
E o título TÃO ACRE? Zé Leite explica o porque: “O Acre é o Acre, por isso é tão Acre. O que não acontece no Acre não acontece em lugar algum do Brasil: cambista de bicheiro faz greve, médico de Sena Madureira atesta gravidez de homem de 70 anos, motorista de táxi dá carona, prefeito inaugura quebra-molas com banda de música e foguetes, prostituta tem orgasmo múltiplo e dá de graça, reitor manda abrir inquérito para descobrir quem fez cocô na piscina, preso escapa do presídio serrando a barra de ferro com gilete, vigarista como o “Dr.”. Josias Cavalcante não foi governador porque não quis, mucura de “dois pés” come numa noite 1.666 galinhas do governo e fica por isso mesmo... cunhei a palavra para designar o inexplicável do Acre. E não se fala mais nisso.”
Enfim resta dizer com Antônio Stélio que TÃO ACRE é nosso. O Zé o pariu, mas nós o educaremos. Ele passa a ser parte de nosso cotidiano e, com certeza, como deseja o autor, irá gerar seus filhotes, robustos e sacanas, assim... Tão Zé.
Selecionei alguns fragmentos do livro:
Surrealismo
Padre José encontra-se com o pintor primitivista Hélio Melo, puxam papo, entram em terreno de amplo domínio da dupla:
Padre José:
– Hélio, eu minto muito mais que você.
Hélio:
– Mas você fez curso, eu não fiz!
Frei José e a beata
Velha beata, arrastando os pés, corre dentro da Igreja de São Sebastião (antes da Prelazia demoli-la) e captura o apressado padre José Maria Carneiro de Lima.
- Que é que há, vovó?
- Padre José, é pecado peidar na Igreja?
- Vovó, não apagando as velas. Pode peidar a vontade.
Homenagem ao poeta
Abundam no Acre entidades governamentais, empresariais, industriais e congêneres com o topônimo Acre: Cageacre, Teleacre, Eletroacre, Sanacre, Colonacre, Codisacre, Acredata, Represacre, Banacre, Construacre, Deracre, Oxiacre, Sabenacre, Acrevelimda, essas coisas.
Pois há anos, na rolagem do termo azedo, uma diretora da Escolinha Marechal Arthur da Costa e Silva, na linha do Mofundo, ramal da rodagem Senador Guiomard – Plácido de Castro, batizou na embalagem dos acres uma entidade comunitária.
“Centro Recreativo e Comunitário Olavo Bilacre”.
Não se sabe a prestativa e zelosa professora aderira à moda ou adotara nova homenagem ao patrono do serviço militar e poeta autor de “Tercetos”, obra-prima do poemário nacional auriverde.
Tão Acre...
Verdade verdadeira. Em Senador Guiomard, quando era prefeito o alto e espigado João Rodrigues, o popular João Jia, com banda de música, escolares de bandeirolas nas mãos, discursos e tudo o mais foi inaugurado solenemente... um quebra-molas.
Mensagem Radiofônica
Mensagem lida na Rádio Difusora Acreana, rigorosamente verdadeira:
“Atenção senhor Antônio José, na Colocação Vai-quem-quer, seringal Sapopemba. Aviso-lhe que o Manuel foi atropelado e está internado no Hospital de Base com fratura craniana, três costelas quebradas, perna direita amputada e fraturas expostas nos dois braços. Peço que não se preocupe, pois ele passa bem. Abraços do Raimundo”.
Lição de vida
Do ilustre médico acreano, natural de Xapuri, Dr. Adib Domingos Jatene:
- O grande problema do pobre, no Brasil de hoje, não é ele ser pobre, é o amigo dele ser pobre.
O golpe de vista
Padre José vinha de Xapuri dirigindo sua Toyota azul-cerúleo, tendo como carona seu irmão também padre, o frei Pelegrino. No meio do percurso da esburacada estrada em pleno verão, padre Pelegrino se pronuncia, quase gritando:
- Pára, José, Pára! Eu vou saltar.
- Que é que houve, meu irmão?
- Vou recolher aquela agulha ali na beira da estrada.
- Estás doido, Pelegrino, vais só perder tempo. És cego?
- Perder tempo? Cego?
E frei José:
- Não estás vendo que a agulha não tem buraco na cabeça, é apenas um alfinete?
Tão Acre
Em Tarauacá, o ex-vereador José Pinheiro descobriu que o único vendedor de peças de motosserras é o ecologista Gérson de Oliveira Araújo.
Terra boa
Os tarauacaenses orgulham-se de sua terra. Os demais acreanos, talvez com inveja, nominam assim a risonha região do Juruá:
Tarauacá, terra da mulher bonita, do abacaxi grande e homem pequeno.
Educação
O ex-senador Altevir Leal, rico seringalista de Tarauacá, gentilmente curva-se diante de toda menina de 12 anos, em sua terra, e cumprimenta-a reverente:
- Como vai, minha senhora!
Menina-moça, pra ele, já é. Ou era.
Helicóptero
Um helicóptero em Rio Branco, em 1991, deu força à Secretaria da Saúde no combate à cólera que ameaçava assolar o Acre. Quem muito usufruiu da traquitana foi o falecido governador Edmundo Pinto. Um dia convidou o deputado Chico Sombra para um sobrevôo. O parlamentar agradeceu:
- Obrigado, governador, eu não ando em avião de rosca.
Tão Acre: Humor acreano de todos os tempos de José Chalub Leite. Rio Branco: BOGRAF Editora Preview Ltda, 2000.
sábado, 14 de março de 2009
SEJA HOMEM E NÃO ME SIGA


Referência e sugestão:
Os sofrimentos do jovem Werther de J. Wolfgang Goethe. São Paulo: Nova Alexandria, 1999.
quinta-feira, 12 de março de 2009
DJALMA BATISTA E A MEDICINA
(...)O que o motivou a ser médico? Era importante que eu iniciasse pelos porquês e buscasse entender sua vida médica dedicada à Amazônia e aos amazônidas(...)
(...)Djalma Batista durante o curso médico se destacava dos colegas quando exercia funções técnicas peculiares do Curso. Internato no Sanatório São Jorge pode tê-lo iniciado na compreensão e compromisso do combate à tuberculose(...)
(...)Assim, o marco referencial que busquei ter acesso para entender e falar do médico que foi Djalma da Cunha Batista não poderia ser outro senão o seu Discurso de Formatura. Escolhido no meio de tantos, de diferentes origens e procedências, o acadêmico finalista de Medicina, da turma de 1939, com apenas 23 anos de idade, fez um disco de formatura intitulado Medicina e Estética, que se consituiu em sua primeira obra literária(...)
(...)Ao retornar aos 23 anos, o Dr. Djalma Batista funda em 12 de fevereiro de 1940, o Laboratório De Patologia Clínica que traz o seu nome, hoje com 56 anos de bons serviços prestados aos doentes do Amazonas.
(...)O reencontro com o amigo da adolescência Moura Tapajós, agora médico vinda escola de Octávio de Freitas no Recife, cimenta uma profunda convivência com base em respeito mútuo e no idealismo contagiante.
(...)É a convite de Moura que Djalma começa a militar na Liga Amazonense contra a Tuberculose (fundada em 1932)(...)
(...)Com o retorno dos jovens médicos e o crescimento galopante da "peste branca" (assim chamava-se a tuberculose), Moura Tapajós e seu grupo fundam em 31.07.1939 o Dispensário Cardoso Fontes(...)
(...)A partir desta base definitiva e contando com melhores e mais especializados recursos humanos, o Dispensário se desenvolveu com o "Ateneu Clemente Ferreira", um Centro de Estudos que Djalma assim definia: "é uma escola de disciplina mental e profissional e de incentivo espiritual, em que todos são mestres e discípulos fraternalmente, compreensivamente"(...)
(...)Todo este trabalho de quase 20 anos não lhe mudaram a modéstia e a humildade. "Não sou tisiólogo, apenas afeiçoado entusiasta da especialidade, sobretudo da parte social da tisiologia. O que se fizer não em meu benefício pessoal, nem me trará glórias, a que não aspiro, certo, com Anatole France, de que a glória é a mais funesta e a mais ridícula das ilusões de um cerébro doente"(...)
(...)Depois da atividade em tuberculose, o Dr. Djalma Batista foi o médica de família e dos doentes da Santa Casa que tinha certa de 30 leitos(...)
(...)Somente quando eu tomei consciência de que as perdas desses homens sabios àquela altura não eram somente dos cargos, mas de suas próprias vidas, pude perceber claramente que aqueles que tinham o "lado" bem definido, que estavam ombreados com os desvalidos, que pensavam o bem comum, "estavam subvertendo a ordem estabelecida" e deviam ter seus caminhos cortados. Tempos de chumbo! Como e quanto perdermos com eles! Penso que Djalma Batista começou a morrer com esta perda, com estes tempos.(...)
(...)Apesar de tudo isso, chegou o momento de nos encontrarmos no espaço que percebí ter sido sua grande realização: a Faculdade de Medicina. Educar as gerações, socializando o imenso conhecimento acumulado, lecionando Patologia Clínica. O meste nos ensinou, com a paciência do sábio que desvalorizava nossa ignorânci e alienação(...)
(...)Quando após uma de suas aulas, ele me destacou dos outros alunos e me convidou para estagiar em seu laboratório de patologia clínica, estava me abrindo um espaço que não só mudou a minha vida, mas me fez olhar o mundo sobre outro prisma(...)
(...)Hoje, o que mais nos tem entristecido além da saudade que sentimos dele, é revermos o quadro nosológico brasileiro se agravando com a volta das endemias medievais como a cólera, das viroses que nem conhecemos, ou da tuberculose que volta a ter a força da "peste branca"da década de 40"(...)
(Trechos da palestra do Dr. Marcus Luiz Barroso Barros, proferida em 29.02.96, no Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde).
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Quem disse que a Bíblia não é romântica...

Esses versos, por mais que pareçam, não são de nenhum poeta moderno ou mesmo do romantismo, etc. Eles iniciam o livro mais “romântico” da Bíblia, o Cântico dos Cânticos (ou Cantares), o mais belo cântico que celebra numa série de poemas o amor mútuo de um Amado e de uma Amada, que se unem e se perdem, se buscam e se encontram.
Este livro, que não fala de Deus (propriamente) e que emprega a linguagem de um amor apaixonado, tem causado estranheza. É tanto que dificilmente as igrejas o lêem, ficando o mesmo esquecido, seja propositalmente, seja devido às divergentes interpretações, já que segundo alguns exegetas bíblicos, é o livro do Antigo Testamento que mais tem sido alvo das mais diferentes interpretações.
Ao relegarem este livro a segundo plano, as Igrejas tem muito a perderem, tanto por ignorarem o seu valor enquanto texto sagrado, quanto por deixarem de usá-lo principalmente para a educação do matrimônio, o valor do casamento, do relacionamento honesto e sadio, enfim falar do amor, é sem dúvida cantar a beleza do Deus que se revela também por meio do amor conjugal. Aliás, uma imagem que Deus usa muito no Antigo testamento é a da Esposa e do Esposo, para se referir a sua relação com o seu povo.
De acordo com os comentários da Bíblia de Jerusalém (considerada uma das melhores traduções), o autor dos Cânticos é um poeta original e hábil literato, e pode-se buscar a origem do Cântico nas festas que acompanhavam a celebração do matrimônio, e se têm feito comparações interessantes com as cerimônias e os cânticos nupciais dos árabes da Síria e da Palestina. O Cântico é uma coleção de poemas unidos somente pelo seu tema comum, que é o amor.
O Cântico dos cânticos ensina a seu modo a bondade e a dignidade do amor que aproxima o homem e a mulher, exorciza os mitos que se lhe associavam então e livra-o tantos dos vínculos do puritanismo como da licenciosidade do erotismo. Nossa época não deveria deixar passar despercebida esta lição.
Acompanhe mais um trecho:
(dueto entre o Amado e a Amada)
"- Como és bela, minha amada,
- Como és belo, meu amado,
(…)
- Macieira entre as árvores do bosque,
Sua mão esquerda
- Filhas de Jerusalém,
Deixo, assim, o convite a conhecer esse belíssimo livro bíblico, que na sua linguagem própria fala daquilo que nós mais precisamos hoje, o amor.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
O Maranhão é da Família Sarney.

- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário;
- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas 'maravilhosas' rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A velhinha...
Um homem jovem estava fazendo compras no supermercado, quando notou que uma velhinha o seguia por todos os lados.Se ele parava, ela parava e ficava olhando para ele.
No fim, já no caixa, ela se atreveu a falar com ele, dizendo:
- 'Espero que não o tenha feito se sentir incomodado; mas é que você se parece muito com meu filho que faleceu.
'O jovem, com um nó na garganta, respondeu que tudo estava bem, que não havia problema.
A velhinha lhe disse, então:
- 'Quero lhe pedir algo incomum.
'O jovem lhe respondeu:
- 'Diga-me em que posso ajudá-la.
'- 'Queria que você me dissesse 'Adeus, Mamãe', quando eu me for do supermercado, isso me fará muito feliz!
'O jovem, sabendo que seria um gesto que encheria o coração da velhinha, aceitou. Então, a velhinha passou pela caixa, após ter registrado as suas muitas compras.
Aí, se voltou sorrindo e, agitando sua mão, disse:
'Adeus, filho!'
Ele, cheio de amor e ternura, lhe respondeu efusivamente:
'Adeus, mamãe!
'Ela se foi e o homem ficou contente e satisfeito pois, com certeza,havia dado um pouco de alegria à velhinha.
E, então, passou suas compras.
'São R$ 554,00'; lhe disse a moça do caixa.
'Por que tanto, se só levo estes cinco produtos?
'E a moça do caixa lhe disse:
- 'Sim, mas sua mamãe disse que você pagaria pelas compras dela também...
'P.S. Até os canalhas envelhecem.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
AS ALMAS SÃO DESERTAS E GRANDES
Grandes são os desertos, minha alma!
Não tirei bilhete para a vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Volta amanhã, realidade!
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
Mas tenho que arrumar mala,
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Mais vale arrumar a mala.






