quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CAMINHADA R.B.

Isac de Melo


Adorei caminhar em Rio Branco
Pela periferia da cidade
Relembrando da minha mocidade
Revivendo e sonhando em cada flanco
Meu coração viril venceu o tranco
Do suor do cansaço e das passadas
Encontrando pessoas nas calçadas
Dando alô e olá para os amigos
Vendo prédios novatos e antigos
Fiz sucesso na minha caminhada

Quanta gente nos bancos das paradas
Mais e mais as pessoas vão chegando
E aos poucos se acotovelando
Muitas vezes sisudas e caladas
Tão cedinho e já se mostram cansadas
É o peso e o enfado da rotina
Mas existe esperança em cada esquina
E há fé em vencer o desengano
No desejo de cada acreano
De vencer pela fé na mão divina

Posso ver no sorriso da menina
Da criança e do velho aposentado
Que abunda vigor no meu estado
Nessa gente de origem nordestina
Que se orgulha com o nome em que se assina
De Raimundo José ou Juvenal
É João é Francisco é Vidigal
Manoel de Maria e Vitelbino
É Antônio Noel Pedro e Rufino
Benevides Juvêncio e Menelau

Nas pensões no entorno do mercado
Quem parar pra tomar um cafezinho
É bem vindo e tratado com carinho
Se for bom de gogó não sai calado
Futebol casamento ou batizado
Senadinho ou notícias do jornal
Decisões do governo federal
Segurança saúde educação
Se brincar só vai sair da pensão
Almoçado jantado e coisa e tal

Um mergulho na galeria meta
Uma das mais antigas da cidade
Nas vitrines olhando as novidades
O andar do relógio me alerta
Meio dia e a fome me aperta
Vou ao mercado velho almoçar
Imagino que estou à beira mar
Quando olho e avisto a passarela
Com formato de grande barco à vela
Flutuando em noite de luar

Quando era criança estive lá
Vasculhando o espaço cavernoso
Da antiga discolândia Cardoso
Ao vistoso tecidos Cuiabá
Cujo dono era o Jorge Lavocat
Nessa época era tudo diferente
Uma praça de táxi bem à frente
Que até hoje ainda permanece
E quem é do meu tempo não esquece
Hoje revejo tudo novamente...



ISAC DE MELO é poeta e músico popular acreano. Autor do livro "Urucum" (Clube de Autores, 2015).

NEM ESCOLA COM PARTIDO NEM ESCOLA SEM PARTIDO

Inês Lacerda Araújo


Desde os anos 60 professores têm sido instados e doutrinados nos cursos de ciências humanas, principalmente Pedagogia, História, Sociologia e Filosofia que é necessário engajamento político. Chamam a esse engajamento de "consciência crítica" e o conteúdo, a doutrina marxista. Condenam a suposta neutralidade tanto da parte dos professores, quanto ao teor dos livros didáticos.

E o que pretendem com isso? De início, a luta contra a ditadura, contra a censura, o que era um pleito mais do que justo, necessário resistir à ditadura militar, que impôs medo, impôs a doutrina da pátria e de sua segurança, manietou a imprensa, enfim, um regime de força.

A ditadura caiu, mas a mentalidade de grande parte dos professores ainda acha que precisa doutrinar, fazer a apologia do socialismo, derrotar a sociedade dividida em classes sociais; proletariado, estudantes, sem terra devem lutar para acabar com o capitalismo, fonte de todos os males econômicos e sociais.

Em grande parte dos livros didáticos de História Antiga (e agora a proposta é de acabar com a própria história, que é coisa das elites...), nas décadas de 70 e 80 a orientação pedagógica era e até hoje persiste, substituir o descritivismo (datas, batalhas, feitos) pela leitura que chamo de "marxizante". Esta, sob o pretexto de ser participativa, engajada, anti-positivista, pratica o pior dos reducionismos, travestido em "práxis revolucionária". Generaliza e empobrece a riqueza enorme da história universal e nacional, que não cabe na estreiteza das lutas de classe. Definitivamente, nações, países, culturas não se modificam por meio da única visão, empobrecedora da realidade, enfaixada no rótulo "luta de classes".

A reação veio recentemente, nas propostas de "escola sem partido", em que o professor ofereceria uma visão mais ampla, menos política, mais neutra. Haveria uma lista de obrigações, entre elas, evitar a tomada de partido, justamente o da esquerda, acima resumido.

Quem tem razão?!

Nenhum dos dois. Escolas há que têm fundamento em religião, outras são laicas, algumas adotam métodos pedagógicos na linha de Paulo Freire, outras de Piaget, algumas são montessorianas, e assim por diante.

E isso tem a ver com a missão da escola, com sua visão do que é educar. Nenhum problema!

O problema começa quando se imiscuem nos projetos pedagógicos, nas disciplinas escolares, nos livros didáticos, uma orientação sobre como o professor deve ou não deve abordar certos temas.

A alegada impossibilidade de ser neutro por parte dos defensores da escola politicamente engajada (esquerda anticapitalista), e a de que se deve ser neutro (escola sem partido), ambas se equivocam.

E isso porque expor, apresentar, argumentar, criticar, fundamentar, analisar, explicar, todas essas ações didáticas implicam que ensinar e aprender requerem dos professores, diretores, pedagogos acima de tudo, responsabilidade.

Crianças e jovens não estão na escola para serem doutrinados, nem para fazerem o papel de marionetes. Educar é uma atividade, um compromisso com asserções fundamentadas, que podem ser expostas ao crivo da crítica, do aprofundamento e seriedade com que são abordados temas e conteúdos, seja nas aulas de redação, de História, Geografia, ciências naturais.

É muito mais difícil dialogar, argumentar, pesquisar para que suas aulas sejam abertas, sérias, sem manipulação, sem agredir o saber e o conhecimento. Saber e conhecimento são as raízes do ensinar e do aprender.


* INÊS LACERDA ARAÚJO - Professora de Filosofia durante 40 anos, na UFPR, e nos últimos anos na PUCPR. Autora de livros sobre Epistemologia, História da Filosofia e Teoria do Conhecimento. Atualmente aposentada.

O AMOR

Fernando Pessoa (1888-1935)


O amor, quando se revela,
Não sabe se revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p.513
p.s. título do blog.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

POMBO DE MERCADO

Isac de Melo


Eu me lembro de quando era criança
Que meu pai me trazia pro mercado
Muitas vezes com frio e encapado
Mas reinava um clima de festança
Um afã misturado com esperança
Ou talvez só vontade de comer
Esperando o dia amanhecer
Me sentava nos sacos de farinha
Dava voltas em torno da feirinha
Tempo bom e difícil de esquecer

Quando o rio Acre estava seco
Eu corria e sentava no barranco
E olhava pro céu azul e branco
Respirando um aroma pitoresco
Um ar puro, delicioso e fresco
Eu então começava a sonhar
Se pudesse ter asas e voar...
Num impulso transpunha o horizonte
Não precisava escada e nem ponte
Pra descer nesse rio e me banhar

Era um tempo de poucas opções
Mas que havia maior discernimento
Cada um desfrutava seu momento
E havia mais paz nos corações
Pois ninguém proferia palavrões
Era tudo na paz e com respeito
Cada qual se portava do seu jeito
E assim um vendia e outro comprava
E a humanidade caminhava
Com a paz de Jesus e Deus no peito

Nas banquinhas em torno do mercado
Tinha frutas legumes e verdura
Mel de cana batida e rapadura
Charque gorda farinha e enlatado
Um feijãozinho novo temperado
Café puro ou com leite com cuscuz
Peixe seco bem frito meu Jesus!
Quando lembro isso tudo me arrepia
Com a timba roncando de vazia
Ia eu carregando a minha cruz

Nos balcões de cimento do mercado
Começava o núcleo de açougueiros
Nesse tempo rolava um bom dinheiro
O marchante era bem remunerado
Era gordo não vendia fiado
Tinha uma fila longa pra comprar
Mal o boi acabava de chegar
Já se ouvia dizer não tem mais nada
Um abraço pra aquela açougueirada
Porque nada nos custa recordar!

Mais à frente num outro pavilhão
Encontrava-se o bloco dos colonos
Muitas pilhas de sacos e seus donos
Com arroz milho farinha e feijão
No corredor o padeiro tinha o pão
Cacheada biscoito e pão torrado
Já num outro arroz doce e milho assado
Quibe frito charuto e mungunzá
Hoje em dia sempre que volto a lembrar
Ainda sinto-me um pombo de mercado...

Hoje volto ao antigo mercado
E revejo reflito e observo
Que além da memória que preservo
Jaz ali um império reformado
Nele vejo meu pai perpetuado
Elevado em bênçãos feito monge
Minha mãe na estátua de bronze
Meu passado naquela passarela
É como por a face na janela
E olhar sua vida bem de longe...



ISAC DE MELO é poeta e cordelista acreano. Autor do livro “Urucum” (Clube de Autores, 2015).

TENTAÇÕES DO ERMO

Raimundo Correa (1859-1911)


O asceta que trocara os bens mundanos
Pelo místico pão amargurado,
Deixa agora o retiro, onde, isolado,
Ia, na paz de Deus, contando os anos?!

É que ele, quando aos laços e aos enganos
Do mundo se esquivou, tinha um pecado:
Em Virgílio e em Catulo era versado,
Em Ovídio e outros clássicos profanos...

E um dia, indo apanhar ervas ao monte,
E o púcaro de barro encher na fonte,
Viu... (Ou seria uma ilusão talvez)

Viu surgir entre as moitas a Serpente:
Uma ninfa... e vestida unicamente
Da tentadora, feminil nudez.


CORREA, Raimundo. Poesias. São Paulo: Livraria São José, 1958. p.91

domingo, 15 de novembro de 2015

INFÂNCIA

Socorro Neri


Já faz tempo.
Tempo bom aquele.
Pés descalços,
ruas empoeiradas,
água cristalina.
Cristalino também o pensamento.

Sinto o vento.
Vento forte aquele.
Cabelos em desalinho,
soltos e livres.
Livre também o sentimento.

Vejo a imagem.
Imagem de ternura aquela.
Beleza quase etérea,
se não fossem os olhos tão ávidos.
Ávidos não por sofrimento.


SOCORRO NERI é natural de Tarauacá. Professora Doutora da Universidade Federal do Acre.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

RADIONOVELA “O EGÍPCIO” NA DÉCADA DE 70 - BRIGA PELA AUDIÊNCIA NA CAPITAL RIO-BRANQUENSE - “DIFUSORA ACREANA VERSUS RÁDIO NOVO ANDIRÁ” - PERÍODO (1966/1973)

Gilberto A. Saavedra 
(Locutor da RDA desse período) 


Rio de Janeiro - 13/11/2015. A novela “OS DEZ MANDAMENTOS” exibida pela rede Record, caiu no gosto do povo brasileiro e é atualmente a sensação da televisão nacional.

A saga de Moisés e do coração duro (de pedra) do faraó do Egito Ramsés, faz me voltar no tempo ainda como locutor da ZYD-9, recordar e sentir saudade da incrível radionovela “O Egípcio”, transmitida pela nossa querida Rádio Difusora Acreana, na década de 70.

“O Egípcio”, da escritora paulista Ivani Ribeiro (1916/1995), conta uma estupenda história de ficção, acontecida no Egito nos tempos dos faraós e que também tem uma passagem de Moisés.

A mocinha Mineia, atriz Elaine Cristina, (13/05/1950) e o seu galã Radamés, ator Ézio Ramos, falecido em (1999) com 82 anos, balançavam os corações do público ouvinte. Com suas aventuras o casal constantemente se arriscava e tentava livrar-se das crueldades do vilão, o Marduk, ator e dublador Aldo Cesar, paulista, (1928/2001).

O bruxo do temível labirinto do Minotauro, onde o feiticeiro aprisionava suas vítimas, causou muito medo e arrepios em todos os fãs. Uma história emocionante com muita bruxaria até o último capítulo da história.

Vivi e fiz parte da Difusora desse tempo, em que essa fantástica radionovela se originou, deixando todos os fãs extasiados.

Nesta data, o radialista e advogado José Lopes era o diretor geral da emissora, e eu o chefe do setor de programação. Nesta história, vou relatar para todos, como surgiu essa minha ideia mirabolante sobre a vinda da radionovela “O Egípcio” para a Rádio Difusora Acreana e como ela mudou o conceito da emissora.

Foi um grande empreendimento da ZYD-9, que não mediu esforços na aquisição da produção radiofônica. A radionovela bateu o recorde de público ouvinte. “O Egípcio” foi considerado por todos como o maior sucesso de todos os tempos, transmitido pela “Voz das selvas”.

A pesquisa de audiência era realizada por alguns funcionários (também participei) e colaboradores da Rádio Difusora Acreana no interior do Estado, época em que ainda não existiam, institutos de pesquisas de opinião pública no Acre.

Mas o que levou a direção da emissora estatal fechar um contrato dessa magnitude? Principalmente, por que naquele instante a arrecadação com propagandas na emissora não era das melhores e, com isso, poderia ter dificuldade de honrar o compromisso com os produtores da radionovela.


MOTIVO

Brigar (disputar) pela audiência na capital rio branquense com a rádio Nova Andirá que era líder, e com isso melhorar as finanças do departamento de publicidade da Difusora. Embora, a emissora pública dispusesse de funcionário da União e Estadual, outro tipo de servidor recebia pela renda (interna) das propagandas, além das comissões.

A disputa pela audiência em Rio Branco entre as duas emissoras, iniciou-se logo após o advento da rádio Novo Andirá. A batalha foi travada, mas a Difusora teve que percorrer um caminho longo e difícil.

Embora seja esquecido pelas mídias do meu Estado natural o Acre, elucido que, como radialista da Rádio Difusora Acreana (1966/1973), com o meu trabalho, com muito esforço e empenho contribuí por um rádio melhor, há quase 50 anos (49) pra ser coerente.

Portanto esclareço que não há razão minha de levar para o túmulo eterno uma pequena e singela história, nunca divulgada pelas (mídias do Acre), e que não é só minha, mas de todos os funcionários que trabalharam e integram atualmente a emissora. Todos os belos e ricos relatos escritos por profissionais da comunicação pertencem ao público ouvinte que ama a Difusora.


HISTÓRIA NÃO CONTADA

Homenagem singela e justa, àqueles que com
seus incansáveis esforços alavancaram
o desenvolvimento do Acre.

Gilberto A. Saavedra (jornalista).


RELATO

Tudo começou em 1966, ano em que a emissora dos Dantas, foi colocada no ar. O radialista Natal de Brito era o diretor da Rádio Difusora Acreana. No início da data em questão, aos 19 anos de idade, fui aprovado no teste de locução pelo Natal e passei a integrar ao quadro de locutores da Rádio Difusora Acreana.

Antes me preparei fazendo propaganda de filmes do cine Rio Branco. Como iniciante na carreira fui colocado ao lado de Rivaldo Guimarães apresentador do Bom dia Acre. Durante o programa lia somente os textos comerciais.

Como tudo em nossa vida profissional é espinhoso de se conquistar, no rádio, também, não seria diferente. Por essa razão, prestava muito bem atenção nos que os apresentadores e locutores transmitiam.

Certo dia quando estava chegando à rádio para trabalhar, o Natal já me aguardava na frente da emissora, muito nervoso. Quando me aproximei, ele com aquele seu vozeirão que lhe era peculiar, exclamou!

“Graças! Você chegou. Bendito sejas tu. A partir de hoje Saavedra, você será o novo apresentador do programa Bom dia Acre. O Rivaldo foi transferido. Infelizmente, a rádio não vai mais poder contar com ele”, finalizou-o muito triste.

Além do Natal do Brito meu (mestre) e que ele sempre falava que eu era um bom discípulo, o amigo de muitos anos (infância) e depois juntos (ofícios) na (imprensa oficial) o locutor Rivaldo Guimarães, mas tarde Juiz de Direito da Criança e Adolescente, também foi pra mim um bom professor e ótimo colega de trabalho.

Ainda contava com o querido Mota de Oliveira, que me deu as informações necessárias de com fazer um bom programa de saudade. Meu amicíssimo Cícero Moreira era um dos meus amigos do peito. Ele me deu as coordenadas do programa de mensagens, de como interpretar a leitura de cada aviso do ouvinte, com conteúdos distintos e às vezes sombrios. Tudo isso só com um olho. (tinha perdido uma das visões).

Tempo depois, o Natal de Brito baixou uma portaria interna indicando-me para exercer a função de contra regra, mas também continuava, com o que fazia antes.

Em 1968, assinei um contrato na Secretaria de Educação como funcionário estadual na função de locutor do governo. Esse contrato foi o Natal que conseguiu. Ele queria me transformar num exímio locutor de transmissões oficiais do governo. Levou-me uma vez pra ver como funcionava. Não gostei e não levei a séria sua proposta. Acho que não dava para o negócio e ficou por isso mesmo.

O Natal de Brito e sua experiência de anos, e de um excelente perfil como profissional de rádio, não media esforços para ajudar todos que estavam interessados em seguir a carreira de radialista. Ainda sob o seu comando e nas gestões de Eurico Filho e José Lopes, muitos jovens ingressaram no quadro de locutores da Difusora Acreana:

José Valentim Santos, Agnaldo Guilherme, Agnaldo Martins, Raimundo Nonato (pepino) Nivaldo Paiva e a querida Nilda Dantas. Os sonoplastas Adalberto Dourado, Zezinho Melo e Jorge Cardoso por merecimentos (competência) os três passaram a integrar o quadro de locutores. Depois chegou Estevão Bimbi que já era profissional e transformou-se no (grande do rádio no Acre).

Dentro do meu tempo e dos colegas de profissão a nossa labuta diária era sempre de muito trabalho e dedicação.

Colocávamos a rádio no ar, às cinco horas da manhã, eu e Jorge Cardoso, quando ele ainda era (sonoplasta), um programa de músicas sertanejas. Gostávamos de fazer. Recebíamos muitas cartas de ouvintes pedindo para tocar uma determinada música.

Os pedidos vinham mais do interior, principalmente dos seringais, colocações etc. Enviavam lembranças e presentinhos. Um dia ganhamos um abacaxi gigante de Tarauacá. Isso foi antes do lançamento do “Compadre Lico”.

Cumpria a escala pela manhã até o meio dia. Aproveitava os (intervalos) entre os programas para dar um pulinho no mercado para reforçar o organismo. Retornava à tarde, após a Hora do Brasil. Apresentava o bispo Dom Giocondo Maria Grotti na Hora do Ângelus, lia as mensagens e depois ficava livre.

Com o falecimento do nosso saudoso radialista Mota de Oliveira, passei a cobrir o horário deixado pelo nosso colega. O programa chamava-se Recordar é viver e que tinha a cara do Mota. Tempo depois, o Nivaldo Paiva assume o comando do programa.

Tudo era difícil no rádio. A mão de obra de profissionais no mercado era escassa. Ainda não existiam escolas (faculdades) de Comunicação. Por esses motivos os profissionais desse tempo tinham a obrigação de aprender tudo na prática.

A própria tecnologia da época era arcaica e pesada. Quase todos os programas eram divulgados ao vivo. Quando se tinha erro, pedia desculpa e continuava, pois a falha já estava no ar.

Até 1970, o próprio Noticiário Oficial do Governo do Estado, apresentado antes pelo competente e inesquecível Índio do Brasil, depois Natal de Brito, Pinheiro (irmão do Natal), Altemir passos e por mim às seis horas da manhã (repetição da noite anterior) eram transmitidos ao vivo. Foi a partir da apresentação desse informativo que me interessei pelo radiojornalismo (1969).

Quando há um trabalhado editado, têm-se todos os recursos. O lapso é zero. A emissora possuía todo o equipamento necessário para o seu desenvolvimento, mas as matérias do Noticiário do governo chegavam em cima da hora, já sem tempo para editá-las.

As transmissões oficiais externas realizadas por Natal de Brito e Anselmo Sobrinho, José Lopes, Campos Pereira e Estevão Bimbi eram todas gravadas, sob a responsabilidade do velho guerreiro de guerra, João Nascimento.

Depois de Índio do Brasil e Natal de Brito, Considerado o radialista Anselmo Sobrinho (jornalista e advogado) como o melhor locutor em transmissões oficiais do Acre. Tinha muita competência e um improviso de fazer inveja. Mas, também, tivemos outros grandes profissionais nesse tipo de transmissão.

Nunca participei das transmissões oficiais. Preferia dar o apoio nos estúdios. Mas gostava das transmissões carnavalescas. Participava muito com Anselmo Sobrinho.


RÁDIO NOVO ANDIRÁ

Após a entrada no ar da rádio Novo Andirá (1966), A RDA perde a hegemonia na capital. A mais antiga emissora do Acre (fundada em 1944) possuía uma equipe com bons profissionais. Mas não era o suficiente para reverter o quadro de liderança.

“A nova emissora já iniciava os seus trabalhos radiofônicos com uma boa vantagem sobre a Difusora. Veja: usufruía dos seguintes privilégios: emissora nova, programação voltada para os jovens com muita música”. Época da jovem guarda.

“Sintonizada em frequência de Onda Média, que produzia um melhor som, sem nenhum sinal de interferência em sua faixa, além de só ela ser captada num novo tipo de receptor portátil o “radinho de pilhas”, que era a coqueluche do momento”.

Na época, os receptores de rádio dos automóveis e táxis só sintonizavam a frequência local da rádio Novo Andirá, ficando de fora o som da Difusora por ser em ondas curtas. Depois o (Zé deu um jeito nisso).

E assim, comandando a preferência do ouvinte e sem ameaças da Difusora, a rádio Novo Andirá trilhou como líder de audiência na cidade de Rio Branco, ainda por um bom período.

Os radialistas da emissora dos Dantas nesse período eram: José Simplício, J. Almeida, Juvenal, Elizeu Andrade, Ulisses Modesto, J. Conde, João Lopes, Nilda Dantas, Elísio R. Noronha, J. Xavantes, Campos Pereira e equipe de esporte.  Natal de Brito, Altemir Passos, Mota de Oliveira Vilma Nolasco e outros locutores da Difusora que também deram suas contribuições.


GESTÃO JOSÉ LOPES
(Difusora Acreana)

Em 1969 o advogado e radialista Jose Lopes é nomeado para exerce o cargo de diretor da Rádio Difusora Acreana.  A nova gestão aspirava uma rádio mais eclética. Primeiramente procurou trabalhar a parte de propagandas da emissora, fortalecendo o departamento de Publicidade. E com muita força de vontade resolve inserir na programação da emissora novas atrações.

O novo diretor da ZYD-9 resolve baixar algumas portarias internas: passo a acumular duas funções de confiança: assumo os setores de programação e artístico da Rádio Difusora Acreana. A ideia de José Lopes era competir com a rádio Novo Andirá, hoje, Capital.

Mesmo com todos esses predicados à frente da Difusora, José Lopes não esmoreceu. Ele inteligentemente sabia que a aparelhagem em Ondas Curtas da Difusora (AM), voltada principalmente para o interior, jamais conseguiria ganhar na capital da rádio Novo Andirá, mas poderia competir de “igual para igual” em determinados horários com a implantação de novas atrações e de impacto!


NOVAS ATRAÇÕES

Começamos a pesquisar e analisar os programas de grandes audiências da programação da nossa concorrente. Depois de meses de um minucioso e exaustivo trabalho de análises, colocamos o novo plano em ação. Tudo com lucidez. Com saída de alguns programas e entradas de novas atrações.

Na abertura dos trabalhos da emissora:

Às cinco horas da manhã, “Compadre Lico”. Programa sertanejo com muito forró e que marcou uma época.

“Cinco minutos com a notícia” – José Valentim Santos.

(informativo de hora em hora - jornalismo)

Horário nobre (manhã) “O Egípcio”- radionovela - Gilberto A. Saavedra.
(Pedido do público ouvinte “O Egípcio” também era reprisado noutro horário). Ninguém queria ficar sem ouvi-lo.

Horário nobre (manhã) “A última testemunha”. Radionovela que estreou depois do encerramento de “O Egípcio”.

Horário Nobre (manhã) – Programa “não diga não nem né” Gilberto A. Saavedra.

Às nove horas da noite – Grande jornal da noite – Elzo Rodrigues e Gilberto A. Saavedra.

Depois entrava no ar - Recordar é viver – Nivaldo Paiva
(retorno desse programa de saudade, que antes era apresentado por Mota de Oliveira).

Domingo à noite no auditório da Difusora – Programa de palco – José Lopes (Por falta de espaço o programa foi transferido para o cine Acre).

Obs. Foram citadas nessa programação só as novas atrações.

O Boletim de hora em hora “Cinco minutos com a notícia” com José Valentim Santos, teve uma boa aceitação por parte do ouvinte.


RADIOJORNALISMO

Colocamos no ar o “Grande Jornal Falado da Noite”. Tivemos que trabalhar muito para poder transmitir esse noticioso na Difusora.

A equipe era pequena, mas com determinação e força de vontade conseguiu chegar a um denominador comum: no comando do jornalismo da Difusora tínhamos o jornalista Francisco Cunha. No telégrafo a figura de Francisco Pinto (falecido) que captava as informações através das Agências de Notícias nacionais e internacionais.

O jornalista Elzo Rodrigues como chefe da assessoria de Imprensa do Gabinete Civil do governador Jorge Kalume, se encarregava das informações locais e estaduais confeccionadas na Assessoria por Mauro D’Avila Modesto e equipe.

Complementando o trabalho da equipe de jornalismo, tinha a incumbência de com um gravador, gravar os noticiários das emissoras a Voz da América, BBC de Londres ou Globo. Tudo feito de madrugada (quatro da manhã) em casa.

O jornal era apresentado à noite por mim e Elzo Rodrigues. Faço questão de dizer, que o nome do noticioso o “Grande Jornal Falado da Noite”, foi uma justa homenagem ao excelente profissional o radialista Natal de Brito. Foi ele o idealizador do “nome” do Jornal em épocas passadas na Rádio Difusora Acreana.

O referido jornal era apresentado também pela manhã (bem cedinho) somente por mim.

Mas ainda estavam faltando três atrações que iriam completar essa nova programação da Difusora, na época do radialista José Lopes.

O próprio colocou no ar um programa dominical à noite, com os valores artísticos regionais, diretamente do auditório da emissora, e que depois passou a ser apresentado no cine Acre, por ser o espaço maior. O cine ficava lotado para prestigiar os valores da terra:

O programa competia (em horários diferentes) com o programa de palco do J. Conde (manhã), que era apresentado aos domingos pela Novo Andirá. Na época, não havia ainda televisão no Acre.

A nossa cartada foi colocar no ar, na Difusora, a radionovela “O Egípcio”, de Ivani Ribeiro, no mesmo horário que era apresentado na rádio Novo Andirá, um dos programas campeões de audiência, e que era apresentado pelo melhor locutor da época, o imbatível Altemir Passos, além do galã José Simplício (jornalista) que também tinha um programa muito chato (difícil) de vencê-lo.

A radionovela conseguiu fazer concorrência nesse horário pela manhã, e com a proeza de ganhar o horário nobre, pela primeira vez.

“O Egípcio” foi um grande sucesso da Difusora e só visto há muito tempo com a radionovela “O direito de nascer”.

Quando se passava pelas calçadas das casas, ouvia-se o possante som em alto volume nos receptores de rádio da época, os “transglobe” da Philco ouvindo-se “O Egípcio”.  A apresentação dessa radionovela fantástica derrubou a audiência da rádio Novo Andirá. Todos nós da Difusora Acreana, logo de início, ficamos espantados com a grande repercussão.

Esta é uma pergunta que posso responder com convicção. Mas, nunca foi divulgada nas mídias do Acre. Talvez, por ter sido na época um assunto confidencial (interno da emissora) entre os diretores e não diretamente do público. Tínhamos que manter segredos profissionais para alcançarmos os nossos objetivos de surpresas.

Estávamos pesquisando atrações radiofônicas, que pudessem pelo menos chegar perto em audiência do conceituado programa do Altemir Passos. O José Lopes e o Estevão Bimbi já como chefe do setor artístico, sempre em sintonias com as outras emissoras do país em busca de algo novo, novas ideias que pudessem implantar na Difusora.

Até tal momento não se tinha conseguido nada de novo. Todos os programas eram e são parecidos uns com os outros. Não passava pelas nossas cabeças nenhuma radionovela. Aliás, nunca tínhamos cogitado esse tipo de atração em nossas pesquisas.

Mas depois de um bom tempo, surgiram-me duas ideias mirabolantes. Apresentei aos colegas e eles aceitaram.

A primeira ideia é sobre a vinda da radionovela (O Egípcio) para a Rádio Difusora Acreana.

Tudo começou por acaso. Uma experiência minha vivida no Rio de Janeiro, e que no meu retorno a Rio Branco, foi repassada aos gerentes dos cines Rio-branco e Acre. Gostava de assistir filmes e anotar. Tinha um caderno de capa dura, tipo (tabelião) onde anotava os nomes das películas e suas características.

Tratava-se de um “diário de filmes” com centenas deles. Os nomes (títulos), produtoras, sinopses, elencos, coloridos (tecnicolor) ou em preto e branco, etc. Muitas superproduções do gênero drama épico. Vou citar apenas as que eu mais apreciava e muitas delas foram lançadas nas telas da nossa cidade:

El-Cid - Ben-Hur - Os Dez mandamentos – Cleópatra - Guerra de Troia - O Egípcio – Spartacus - Sansão e Dalila. Filmes de guerras: Os canhões de Navarone - O mais longo dos dias - e muito mais...

Naqueles tempos ainda sem a televisão em Rio Branco, ia se mais ao cinema. Esse diário foi repassado (aos cines) em meados de (1965). Essas fitas citadas com o decorrer do tempo muitas delas foram lançadas nos circuitos de Rio Branco.

Um belo dia lá estava em cartaz o filme “O Egípcio” no cine Acre. A película foi um sucesso de bilheteria. Sessões esgotadas. Fiquei bastante impressionado com o impacto que o filme causou.

Eu tinha assistido “O Egípcio” no ano de 1962 no Rio de Janeiro. Uma produção americana de 1954, com Vitor Mature. Um belo filme com uma das melhores trilhas sonoras já compostas. História no antigo Egito dos faraós. Em Rio Branco levei a minha mulher para ver o filme. Mas só conseguimos as entradas na segunda apresentação. Ficamos impressionados com o grande sucesso produzido pelo filme em Rio Branco.

Tempo depois fomos ver o filme Sansão e Dalila, (também já tinha assistido antes). Por coincidência com o mesmo astro que interpretou “O Egípcio” Vitor Mature. No dia seguinte voltamos a falar do filme, que também teve uma grande aceitação por parte do público cinéfilo.

Comentei para a minha mulher que o cinema estava parecendo com a estreia do filme “O Egípcio” com tanta gente na fila. Falei pra ela (falei por falar), não sei qual a razão, mas que existia uma radionovela brasileira com esse mesmo nome, “O Egípcio”.
Ela sabia das nossas dificuldades em poder colocar no ar na Difusora, uma atração diferente e que pudesse causar um grande impacto.

Porém, sem pestanejar, inteligentemente a minha esposa bradou!

[Alany - minha mulher] “Manda o Zé Lopes trazer essa radionovela”!

[Saavedra] “Radionovela”?

[Alany] “sim! Aproveita a grande repercussão que o filme “O Egípcio” provocou e traz a radionovela”.

[Saavedra] “Se eu não estiver enganado a única radionovela apresentada pela Difusora foi o “Direito de nascer” e já faz muito tempo. Mas o povo gostou”.

[Alany] “Então! Tá na hora de vir outra. Fala pra ele”.

Por alguns instantes fiquei mudo, Mas logo em seguida comecei a sorrir.

[Alany - minha mulher] “Qual o motivo do riso”?

“É que você acaba de dar uma ideia mirabolante”. Vou agora mesmo falar com o Zé Lopes e o Estevão Bimbi.

Como existia a radionovela brasileira com o mesmo nome do filme, mas com (histórias diferentes), aproveitamos o êxito da tela em Rio Branco (pegamos carona), e o José Lopes fechou contrato e mandou trazer a radionovela.

“O Egípcio” chegou pelas mãos de Evair esqueci o (sobrenome) dele. Que veio pessoalmente de Mato Grosso, com a gravação (carretel) da radionovela.

Ainda emociono-me com tudo isso, pois não poderia adivinhar que essa minha pequena parcela fosse produzir essa consequência. Benditas palavras quando mencionei pra minha esposa o nome da radionovela “O Egípcio”.


PROGRAMA NÃO DIGA NÃO, NEM NÉ.

A minha segunda sugestão foi trazer para a Difusora o programa “Não diga não, nem né”. O apresentador escolhia um tema e o ouvinte tinha que conseguir falar com ele durante 30 segundos sem dizer “não e nem né” para ganhar um prêmio. Esse programa tinha a criação do radialista Miguel Vacaro Neto, e era apresentado por ele na rádio Tupi de São Paulo.

A emissora interessada solicitava autorização para transmitir o programa. Foi o que fizemos, enviando uma carta aos cuidados da jovem e bonita bancária, Miriam Fontenelle, que estava se transferindo para o BASA no Rio de Janeiro, mas antes passou em São Paulo e entregou a missiva pessoalmente ao radialista da Tupi.

Ele leu a carta e, logo em seguida dentro do seu programa autorizou a transmissão do “Não diga não, nem né” pela Difusora Acreana.


COMENTÁRIO DE JOSÉ LOPES
(Nos primeiros anos da década de 1970)

Ele não seria bobo em dizer não a bela acriana Miriam Fontenelle”, ressaltou José Lopes. “Esse programa foi colocado no ar pela primeira vez na Difusora logo após o encerramento das radionovelas “O Egípcio”.

“Com o programa no ar, iniciou-se uma grande disputa pela audiência entre as duas emissoras no horário nobre (manhã) e uma rivalidade profissional entre os dois apresentadores (Altemir Passos x Gilberto Saavedra)”, finaliza Jose Lopes.

Ainda me recordo que estreei o programa sem o cronômetro (não possuía) que contaria o tempo do diálogo com o participante. Uma senhora (ouvinte) foi aos estúdios da Difusora e nos presenteou com um lindo cronômetro de bolso. (essa senhora era esposa do Thomaz, filho do capital Beco).

Quando deixei a rádio Difusora, entreguei pessoalmente o cronômetro Mario Lima, novo diretor geral do Serviço de Divulgação do Acre. Adalberto Dourado foi escolhido para ser o novo apresentador.

“Sentia-me feliz com o sucesso e toda equipe, quando ouvintes da Novo Andirá, ligavam para a Difusora, dizendo que iam denunciar o programa por não ter autorização”. (Nós tínhamos a autorização).


DEPOIMENTO

“Considero a “voz” de Altemir Passos como a mais bonita do rádio do Acre. Trabalharam juntos na mais “antiga” e nos tornamos amigos. Já nos anos de 1996/7, do Rio de Janeiro, participava diariamente de um programa sob o comando dele, na Difusora Acreana”.


HOMENAGEM PÓSTUMA

Acho o Natal de Brito, o melhor radialista do Acre de todos os tempos. Foi o mais completo (competência e dedicação). Fez de tudo no rádio. Foi excepcional. Se os profissionais das mídias do Acre promovessem concursos nesse estilo, o Natal de Brito levaria todos e seria agraciado com o título de “HORS CONCOURS”.


EPISÓDIO

“Já cansado na Difusora, de ler centenas de dedicatórias em homenagens ao dia das mães, não vi que do lado de fora do estúdio, o Natal me olhava atentamente com mais dedicatórias. Gesticulei e ele entrou. Sentou ao meu lado, olhou pra mim e sorriu. Com o polegar pra cima, deu sinal de ok para o sonoplasta e começou também a ler as mensagens”.

Como radialista (qualquer um), é impossível não ser fã do trabalho do Natal. Realizei o meu sonho como locutor de trabalhar com ele.

Por motivo de força maior (saúde), já na gestão de Gerardo Madeira (1973), deixei a Rádio Difusora Acreana, com destino ao Rio de Janeiro.

Considero o tempo com José Lopes, como o melhor de minha carreira como radialista na Difusora Acreana. Nele, vi todo o nosso projeto (Jose Lopes, Estevão Bimbi e Francisco Cunha) ter êxito quando chefiava o Setor de Programação, mas que a graça alcançada, foi fruto de muito trabalho e seriedade, de todos que fizeram parte desse período da “Voz da selva”.

Nada mais gratificante do que ter o seu trabalho reconhecido. O jornalista Edson Martins, então Diretor Geral do Serviço de Divulgação do Acre, inseriu o meu nome numa lista triunvirato ao lado dos já consagrados, o radialista e advogado Anselmo Sobrinho e do jornalista Gerardo Madeira ao cargo de diretor da Rádio Difusora Acreana, vaga deixada por José Lopes.

Gerardo Madeira foi o escolhido pelo novo governador Wanderley Dantas. Mas não importa o resultado da preferência. O importante é o reconhecimento do efeito produzido pelo trabalho. Além do mais era muito jovem e toda uma vida pela frente.

Participaram como radialistas e jornalistas (décadas 64/73): Natal de Brito, Cícero Moreira, Mota de Oliveira, Altemir Passos, Rivaldo Guimarães, José S. Lopes, Etevaldo Gouveia, Anselmo Sobrinho, Theodomiro Souto (Teó), Chico Pop, João Filho, Gilberto A. Saavedra, Zezinho Melo, Jorge Cardoso, José Valentim Santos, Agnaldo Martins, Agnaldo Guilherme, Adalberto Dourado, Raimundo Nonato (Pepino), Nivaldo Paiva, Conde, Rita Batista, Estevão Bimbi, Nilda Dantas, William Modesto, Delmiro Xavier, Mauro D’Avila Modesto, Joaquim Ferreira, Alicio Santos, Luis Rodomilson, Eduardo Mansour e Gerardo Madeira.

Sei que alguns nomes de profissionais que integraram a ZYD-9 nesse tempo, estão ausentes nesta lista. Que me perdoem pelo grave lapso. Não consegui recordá-los.

Os sonoplastas: César Hildo, Adriano César, Luis Miquelino (Jacaré) Paulo Mota, Dolores Silva (primeira sonoplasta do sexo feminino) e João Nascimento como técnico eletrônico. Discotecária: Terezinha Batalha.

Funcionários: Orlando Mota, Antônio Mota, Tereza Oliveira, dona Lila, Ilma e Graça Oliveira, Homenagens aos pioneiros: Índio do Brasil, Alfredo Mubárac, Sergio Brasil Maria Júlia Soares, Diomedes Andrade e Vilma Nolasco.

“Sem união, ninguém, consegue chegar
nem numa “esquina de rua”. (Gilberto A. Saavedra)

Retornei aos microfones da rádio Difusora Acreana no ano de 1995 até 2004 (com interrupções), como correspondente/colaborador do Rio de Janeiro.

Nesses nove anos, mais de mil matérias foram transmitidas para a “Voz das selvas” do Rio de Janeiro, em especial para o “Gente em Debate” (diariamente).

Reiniciei na Rádio Difusora Acreana, na gestão de Raimundo Nonato Costa até Washington Aquino. As transmissões do Rio eram editadas na Difusora sob o comando de Ilson Nascimento.

As notícias divulgadas do Rio de Janeiro para Rádio Difusora Acreana e que as considero como mais importantes:

O Réveillon do Rio - Resultado das Escolas de Samba - Copa do Mundo Japão/Coreia/2002 - Jogos Olímpicos de Pequim/ China/2008 – A Grande Caçada da Polícia ao Juiz Nicolau “o Lalau”-.

O afundamento no mar da Plataforma B-52 da Petrobrás - Ataque terrorista às torres gêmeas nos Estados Unidos e a Guerra do Afeganistão, etc.

Acredito (talvez) ser o radialista do Acre com o maior tempo em transmissão do Rio de Janeiro para a “Voz da selva”. Embora ninguém saiba ou não dê o valor merecido ao meu trabalho na rádio Difusora Acreana ou o rádio do Acre, durante quase dez anos (1995/2004) como correspondente/colaborar na cidade maravilhosa.

Nessa mesma época (1995/2004) aos sábados com transmissão do Rio de Janeiro, integrei a equipe do programa “Parada Musical” de Jorge Cardoso pela rádio Gazeta FM 93, enviando notícias e a música (primeiro lugar) em destaque no Rio.

Fiz parte do “Show da tarde”, um programa aos sábados na rádio Mauá do Rio de Janeiro, onde apresentava as notícias numa sequência de esporte.

Com muita força de vontade em terras estranhas e, além do mais já casado e com uma (filha) consegui a graduação de bacharel em Comunicação Social (jornalismo) pela UNISUAM do Rio de Janeiro e Edição FINAL CUT para o sistema Operacional Mac OS X pela Faculdade CCAA do Rio de Janeiro.

Trabalhei como funcionário público dos Correios no Rio, durante vinte anos (1976/1996), até me aposentar. Sou muito grato aos colegas de rádio que conviveram comigo e aos ouvintes que acompanharam essa trajetória. Tudo iniciado há quase 50 anos (49) pra ser coerente.


FRASES

“Às vezes a execução de um trabalho simples em nossas vidas,
pode de repente explodir de emoções, amor e carinho,
tornando-o amado por todos para sempre”.
(Gilberto A. saavedra – jornalista)

“Enquanto existir a humanidade no mundo,
o rádio jamais “morrerá”.” (Rio de Janeiro - 2010)
(Gilberto A. Saavedra – jornalista).


GILBERTO DE ALMEIDA SAAVEDRA nasceu no Acre, mas reside na cidade do Rio de Janeiro. É jornalista e radialista.
Facebook – Gilberto Saavedra Saavedra.