quarta-feira, 16 de novembro de 2016

QUEM EXTINGUIU A MEGAFAUNA SUL-AMERICANA?

Evandro Ferreira
Blog Ambiente Acreano 


A data da chegada dos primeiros humanos ao continente sul-americano é motivo de grande disputa entre pesquisadores, com alguns sustentando que esse evento aconteceu há quase 50 mil anos, e outros estimando a data em pouco mais de 10 mil anos.

Mesmo que a data de chegada tenha sido a mais recente, o certo é que aqui nossos ancestrais encontraram um conjunto de animais de grande porte numeroso, com porte e peso similar aos grandes animais que ainda hoje vagueiam pelas savanas africanas.

Entretanto, esses grandes animais, também conhecidos como “megafauna”, logo desapareceram do nosso continente e hoje o maior mamífero terrestre que encontramos em nossos campos e florestas é a anta, que dificilmente ultrapassa os 300 kg de peso. Apenas para comparar, na África alguns elefantes podem pesar até 5 toneladas!

Entre os grandes animais extintos, destacavam-se os mastodontes, antepassados dos elefantes, as preguiças gigantes de cinco toneladas e os gliptodontes, ancestrais dos tatus que atingiam o tamanho de um pequeno carro. Antes da chegada do homem o principal predador da megafauna sul-americana era o tigre dentes-de-sabre, que, como o nome indica, possuía dentes caninos superiores avantajados que mediam até 30 cm de comprimento. Com até 3 m de comprimento e cerca 300 kg de peso, ele era maior e mais robusto do que a onça e os leões da atualidade. O desaparecimento da megafauna em nosso continente também causou a extinção desse magnífico predador.

Mas o que levou ao desaparecimento da megafauna sul-americana?

Uma das teorias mais difundidas e aceitas é a que aponta o dedo para o homem. Foi ele, segundo essa teoria, que caçou esses grandes animais até a sua completa extinção. Essa teoria se sustenta em achados de pinturas rupestres em cavernas mostrando cenas de caçadas aos grandes animais e em ossos dos mesmos fraturados por armas humanas primitivas.

Embora baseada em provas concretas e com uma lógica quase incontestável segundo a qual a caça de animais de grande porte que se moviam lentamente e formavam grandes bandos era uma tarefa relativamente fácil para os nossos ancestrais armados com ferramentas de caça primitiva, alguns pesquisadores não acreditam que o homem foi o único responsável pela extinção da megafauna sul-americana.

Segundo novas proposições, as mudanças climáticas causadas pela alternância de períodos de aquecimento e resfriamento do nosso planeta foram elementos determinantes para essa extinção.

A chegada do homem na América do Sul aconteceu no final do Pleistoceno, uma época geológica que se estendeu entre 1,8 milhões e 11 mil anos atrás. Durante esse período ocorreram pelo menos vinte glaciações, ou seja, períodos durante os quais ocorria o resfriamento do planeta, o avanço das calotas polares sobre os continentes adjacentes e uma diminuição na quantidade de água circulante no planeta, que ficava retida na forma de gelo. A restrição na quantidade de água afetava o regime de chuvas nas regiões tropicais – aonde o gelo não chegava – e causava a sua diminuição. Isso provavelmente provocava secas espetaculares nos trópicos e causava a retração das áreas cobertas por florestas e favorecia o avanço das savanas. 

Ao final de cada glaciação ocorria a retração do gelo e a liberação da água para circular em terra e na atmosfera. Essa situação se mantinha até que uma nova glaciação se estabelecesse novamente. Nesse período entre as glaciações – ou período interglacial – a elevação da umidade favorecia, nas regiões tropicais, o avanço das florestas sobre as savanas.

Na atualidade vivemos um período interglacial, iniciado há cerca de 11 mil anos, uma época geológica batizada como Holoceno.  Para os que acreditam na ação climática como fator determinante para a extinção da megafauna sul-americana, uma quantidade acima do normal de água caiu sobre os continentes americano e africano, cuja maior parte do território está localizada na zona tropical do planeta.

O efeito desse excesso de umidade na América do Sul foi um avanço das florestas e uma diminuição nas áreas de savanas (ou cerrado). As áreas de savana/cerrado que persistiram nos locais aonde a floresta não conseguiu se estabelecer – por razões climáticas – passaram por mudanças que resultaram no adensamento arbóreo, se tornando quase uma extensão das florestas adjacentes. Com isso, as extensas áreas de campos naturais vitais para a manutenção da numerosa megafauna sul-americana, foram drasticamente diminuídas, inviabilizando a manutenção desse grupo de animais. 
Na África, o excesso de umidade favoreceu a transformação de áreas de campos e cerrados da região central do continente em florestas. Mas ao mesmo tempo transformou áreas antes ocupadas por desertos nos extremos sul e norte do continente em novas zonas de vegetação aberta – campos ou savanas. A mudança climática favoreceu a megafauna africana, que migrou para as novas áreas e conseguiu persistir nelas desde então.

E o homem? Porque não atuou para extinguir os grandes animais africanos da mesma forma que fez na América do Sul? O que podemos especular é que tendo surgido na África, o homem moderno, ao tomar ciência da realidade ambiental em que vivia, aprendeu a conviver e se aproveitar de modo mais racional dos recursos oferecidos pela megafauna que o rodeava.

Mas afinal, foi o homem ou o clima que exterminou a megafauna sul-americana?

Em uma tese de doutorado defendida em 2013 na Universidade Federal do Goiás o pesquisador Matheus de Souza Lima Ribeiro concluiu que se o homem foi o responsável, o modelo estatístico que ele utilizou suportou a ideia de que a extinção resultante da matança promovida pelo homem ocorreu em um período de aproximadamente 1.000 anos.

Quando Ribeiro avaliou os efeitos climáticos e a ação do homem para ver quem foi mais determinante na extinção da megafauna, ele observou que juntos eles respondem por cerca de 50% da variância na data de extinção, mas o efeito individual da caça humana explica uma proporção maior (38%) que o clima (7,4%). Assim, persiste a ideia de que a nossa megafauna foi extinta pelos nossos ancestrais.


Para saber mais: Ribeiro, M. S. L. 2013.Mudanças climáticas, colonização humana e a extinção da megafauna na América do Sul. 177 f. Tese (Programa de Pós-graduação em Ecologia & Evolução/ICB/UFG), Universidade Federal de Goiás.

Fontes das imagens:

domingo, 13 de novembro de 2016

O FUTURO É UM ENIGMA

De Gilberto A. Saavedra – Rio de Janeiro


O futuro é um ‘ENIGMA’. Sempre será uma charada (quebra-cabeças) em nossas vidas. Nós não sabemos, se os caminhos que surgirão em nossas frentes trarão horizontes esperançosos, para o bem da humanidade.

Por tudo que estamos vivendo e presenciando é mais uma das passagens que aconteceram em tempos remotos. “As Histórias Mundiais” narradas em livros são belíssimas, porquanto, sabemos que todas elas, foram construídas em cima de muito ódio e atrocidades: (crueldade, monstruosidade, guerras, mortes, doenças e misérias).

Cheguei ao Rio de Janeiro pela segunda vez, no início de 1973. A primeira foi em (1961/64), como estudante pré-adolescente; fiz um teste numa agência que recrutava valores como apresentadores de shows em clubes na cidade maravilhosa.

Fui aprovado. Passei a integrar uma equipe em apresentações de valores musicais e bailarinas em clubes portugueses; depois numa agência de publicidades como locutor e narrador de documentários; mais tarde, na extinta Rádio Mauá e por fim, concursado como Funcionário público dos Correios no Rio.

Não esquecendo, também, que durante quase dez anos (1995/2004), como Correspondente colaborador da cidade do Rio de Janeiro para Difusora Acreana, Programa Gente em Debate e Gazeta FM de Rio Branco, no programa do saudoso apresentador e cantor Jorge Cardoso.

Tudo isso não estava programado em minha vida, pois vim para o Rio de Janeiro, só por causa de um tratamento de saúde; nosso saudoso amigo Jornalista Gerardo Madeira, então, (Diretor da Difusora) foi quem autorizou essa licença e depois eu teria que retornar ao Acre.

Era funcionário público estadual na função de Locutor da Rádio Difusora Acreana. Pedi demissão e não retornei mais ao meu antigo emprego que, já tinha alcançado um bom nível na profissão e um futuro promissor com apenas 22 anos de idade. Joguei tudo por ar! 

Como se vê, o futuro sempre será um desconhecido.

O Universo é um mistério? Sim! Suas transformações são infinitas. A humanidade não sabe o seu destino, tudo pode mudar; a incerteza é muito grande. Como será a vida na terra daqui milhões de anos? Claro, se o homem deixar.

No momento atual, paira uma grande incerteza com o destino do mundo. O grande poder de destruição de ogivas nucleares existentes e ainda se construindo mais, nos faz pensar que um conflito armado nuclear de grandes proporções é quase inevitável no futuro. Mas, temos que pensar num futuro alvissareiro para o planeta. A humanidade pede paz.

Acredito que todos têm um pouco de receio do futuro. Não estou elucidando sobre o seu futuro garantido, mas o futuro ‘VAGO’, ou seja: o destino. O nosso destino. O amanhã do planeta. Temos que confiar em nós mesmos “O homem”. 

Tem gente que recorre ao Jogo de Búzios, Bola de Cristal, Ciganas etc. O que ele nos reservará? Eu Sempre tive medo de morrer cedo. Não morri. Não sei dizer se o destino (programado) já está escrito quando a gente nasce. Sinceramente, não acredito. Podemos programar o nosso futuro profissional, assim mesmo, não sabemos se ele vai concretizar-se, também, não sabemos se ele vai dar certo ou não. 

Lendo o comentário de uma internauta, que diz ter medo de ficar idosa. Mas se você não chegar lá, vai embora mais cedo.  Não é verdade? Eu felizmente consegui chegar lá. Agora tudo que vir será lucro e bem abençoado. Mas, rogo por dias melhores ao nosso mundo.

domingo, 6 de novembro de 2016

NAZARÉ PEREIRA: Xapuri do Amazonas ao vivo no Acre

A atriz, cantora e compositora acreana de Xapuri, Nazaré Pereira, por ocasião em que recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Acre (05/11/2016), canta “Xapuri do Amazonas”, um de seus grandes sucessos, e sua primeira composição (1978). Ela gravou mais de 17 discos, cinco dos quais para o público infantil. Reside na França desde a década de 1970, onde recebeu o título de Embaixadora da Amazônia na Europa. Juntamente com Chico Buarque e Jorge Amado foi condecorada por Jack Lang com a “Medalha Chevalier des Arts et des Lettres”, pelos serviços prestados à cultura brasileira na França. Viva Nazaré Pereira!

sábado, 5 de novembro de 2016

NO PALCO

Eliana Castela


O número da casa é 427, de certa rua, de Casimiro de Abreu, mas o que isso tem a ver, quando nada entendo sobre numerologia? É que o número foi o Braga quem pintou e foi lá que aconteceu um espetáculo único, com no mínimo cinco horas de duração. Jorge Carlos, Francisco Braga e eu, ora atuávamos juntos e ora um ou dois subia ao palco. Nós três trouxemos as recordações que representaram vivências de Fortaleza, Rio Branco, Xapuri, Maringá, Vila Velha e até o Rio de Janeiro, por conta da peça, “Coisas do Acre da Velha”. Em nenhum momento faltou ator no palco ou plateia, por isso foi teatro.

Abriu a cortina e uma tênue luz que crescia, em gelatinas, de cores criteriosamente selecionadas faziam par ao suave som, da doce flauta do João Veras.  Representamos lembranças que na maior parte do tempo, concentraram-se no Teatro de Arena do Sesc/AC. E num revez do tempo, ia-se até  a resistência, do Teatro Horta, do grupo Semente. Tomados pela emoção como, “Navalha na Carne” trouxemos ao palco recordações de Marília Bonfim e Ivan de Castela que, naquela noite, receberam o prêmio de melhor atriz e melhor ator.

O texto improvisado e sem revisão, trazia muitos nomes como, os dramaturgos João das Neves, Lourdes Ramalho, Lenício Queiroga… Diretores como, Betho Rocha, Zé Antonio, Kikha Dantas… Atores como, Bruxinha, Izabel de Castela, Pimentinha, Mário Jorge, o mecânico Milton, Rogério Curtura, Françoise Pessoa, Lenine Alencar, Socorro Paiva, Sandro Lustosa... E claro, os Farias - Silene  César, Cícero e Mariana. Os artistas plásticos que também subiram aos palcos acreanos como Bab Franca, Danilo de S’Acre e Dalmir Ferreira. Na sonoplastia Elias Junior, Sérgio Souto e Carlos Kawahara, estes também foram premiados. Dentre os profissionais das artes cênicas foi citado por diversas vezes o baiano, coreógrafo e fotógrafo, Antonio de Alcântara que dividiu com o Braga o aluguel de uma casa onde moraram, por cerca de quatro anos, sem nenhuma relação sentimental, e incrível, sem nenhum aborrecimento entre as partes. 

Braga caricaturava lembranças, os riscos e os rabiscos de punho firme e memória lúcida  pareciam desfiar um novelo de lã, de muitas ovelhas tosquiadas para vestir o mesmo motivo, o teatro, o que encenamos naquela noite. A memória de elefante do Jorge Carlos ia trazendo ao palco um número cada vez maior de profissionais, de um tempo que o teatro exigia além de representar. Eu já começava a me preocupar com o cachê para tanta gente, mas lembrei, era tudo grátis.

O relato da construção do texto “Tempo de Solidão”, escrito por Francisco Braga e Dinho Gonçalves era feito por etapas, a cena trazia ao palco a experiência de um ano de trabalho dos dois.  Por sua atuação no teatro, Dinho Gonçalves, o palhaço Tenorino recebeu o prêmio por melhor produção.

Podemos afirmar que tudo foi comédia, pois nossas gargalhadas infringiram a lei do silêncio, obrigando Rosa, da janela, exalar seu perfume, num pedido suplicante – Falem mais baixo, senão vão incomodar os vizinhos! Eu e o Jorge quase morremos de vergonha, pois vivemos criticando quem rompe o silêncio alheio com suas particularidades. Foi pura distração, talvez porque o espetáculo não era só nosso, o Braga era culpado de tudo.

Como disse antes, no texto tinha atores, diretores, músicos, escritores, jornalistas, políticos, poetas, todos invocados pela nossa memória. Como era na terra do poeta Casimiro de Abreu, outros poetas compareceram, Augusto dos Anjos com sua obra “Eu”. Drummond aos tropeços com as pedras de seu caminho que, fez o Jorge ler o “sonito”, poema que escrevemos juntos e que também é cheio de pedras. Fernando de Castela, porque seus poemas trazem saudades de sua terra, saudades de seu Ceará. E toda vez que se dava “brecha”, Jessier Quirino entrava com o refrão – “Isso é cagado e cuspido, paisagem do interior”.

Muita gente circulou No Palco, naquela noite de primeiro de novembro. Dia que, para nós,  não foi só de todos os santos, mas também de todos os artistas que nos vieram à memória. Eles foram lembrados com carinho, até aqueles de difícil convivência. Não é por ter sido dia de todos os santos, mas não falamos mal de ninguém… Debaixo dos caracóis dos meus cabelos, a mente agora ferve na tentativa de lembrar a trupe que participou do Palco e arrancou de nós gargalhadas. Agora, fora do palco, temo ter esquecido o texto e deixado alguém fora da lista.

Em cena, entrou também fragmentos cinematográficos, afinal o Braga atuou numa filmagem, da emissora de TV Al Jazira, em Xapuri – AC, alguém duvida? Pois não duvide, o Acre é metido à besta,  tudo é possível.  Outras cenas arrancaram menos risos, como os fragmentos do cotidiano jornalístico, passados nos jornais, “O Rio Branco” e o “Página 20”, no período que fazia os cartunistas, quase perderem a animação, face ao risco da motosserra que ameaçava qualquer “cheirinho” de denúncia.

Nos entre atos, um suspiro, ah Soraya...

No dia seguinte, dois de novembro, o sol brilhou de tal forma que nada lembrava o choroso dia dos mortos, pelo contrário, convidava à caminhada para observar as belezas da Barra do São João, a praça “As Primaveras”, o Museu que abriga memórias da vida do poeta Casimiro de Abreu, sua estátua à margem do Rio São João, a Ponte Quebrada e por fim a Capela de São João Batista, que fica num pequeno morro. Subimos as escadarias da Capela, em busca de um ângulo para fazer algumas fotos, mas acabamos indo parar dentro do cemitério que fica muito bem localizado para apreciar a paisagem, uma morada da qual o Braga disse, não fazer “impem”.

De volta para casa, ao longo da estrada o silêncio era do cansaço do sol e da saudade do Palco. Para mim e para o Jorge não resta dúvida, o cartunista Braga é um astro de infinita grandeza. Eu subirei no palco mil vezes, para contracenar com aquele nordestino talentoso, cheio de simplicidade e castigado pela “marvada pinga”, a mesma que dá a ele a alegria de um palhaço no picadeiro. 

Vá entender o que é a vida, pra ver se você não fica louco, seu moço...