quinta-feira, 16 de junho de 2011

Série A POESIA ACREANA > Claudemir Mesquita

“O geógrafo e confrade Claudemir Mesquita é homem de raríssima sensibilidade e possuidor de talento invejável. Tudo quanto diz e escreve ganha um sentido especial, dado o amor que impregna seu fazer, a trilha de sua vida dedicada ao estudo de rios, lagos, igarapés.”
Luísa Galvão Lessa


“O rio, sempre o rio, unido ao homem, em associação quase mística”, estas palavras de Leandro Tocantins se aplicam de modo formidável a Claudemir Mesquita. Se os grandes rios do mundo tiveram o seu poeta e defensor, assim como o Amazonas tem Thiago de Mello, o Rio Acre também tem o seu, e ninguém melhor do que o geógrafo Claudemir Mesquita, que há anos vem se dedicando ao estudo, com vários livros publicados, e a defesa de nossos rios e igarapés, sobretudo. É tanto que, como gesto de gratidão, a Câmara Municipal de Vereadores de Rio Branco o condecorou com o título de Cidadão Verde e Riobranquense.

Num tempo em que a natureza é tão vilipendiada e agredida, ter homens e poetas com a visão e a sensibilidade de um Claudemir Mesquita é imprescindível, pois são eles que não deixam a humanidade fenecer de todo.

Prestamos, aqui, nosso preito de gratidão a esse géografo, poeta, imortal da Academia Acreana de Letras, e, acima de tudo, um ser humano valoroso, que para melhor amar o ser humano, começou respeitando e ensinando a respeitar a natureza.

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O RIO...*
Claudemir Mesquita

O rio é escultor
Memorável

Sua pureza flutua emoção
Em todo ser

Nasceu e se fez grande
Antes mesmo dos homens
Das aves e dos animais

Tão logo habitamos suas margens
Fomos acolhidos e amados

Mas por tola ganância
Teimamos em não respeitar
A obra de vossas mãos

Ecoou então um grito de dor
Quando a floresta o homem
Derrubou

O rio é frágil, finito e dependente
Da cultura e da sensibilidade
De cada homem

* Poema originalmente sem título.


QUANDO NASCI!!!
Claudemir Mesquita

Quando nasci nesta terra
Rios eram vestidos de florestas
A água seguia suavemente
A alternância das chuvas:
Ora baixa, ora alta pêndulo do luar.

Quando nasci nesta terra
Onde havia um rio
Havia um rio de fartura
Água liminocrena da floresta jorrar.

Abrolhar do horizonte inexplicavelmente a vida
O rio era o responsável pela vida
Formação da nossa identidade
Construiu hábitos, costumes,
Ritos e arte

Rio, sol do planeta
Vidas crescentes de águas correntes
Seres
O rio é alguém dotado de limo e lama
Onde o rio está é lá que estarei.

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MESQUITA, Claudemir. Lágrimas. Rio Branco: Gráfica Editora Floresta, 2008.

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Nota: Recomendo ainda a leitura do artigo “O Príncipe do Rio Acre” de autoria da Profª. Luísa Lessa sobre o mais recente livro de Claudemir Mesquita.
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