domingo, 11 de outubro de 2015

IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA NA VIDA PESSOAL

Inês Lacerda Araújo


Em geral a Filosofia, tanto como disciplina acadêmica e como parte essencial da cultura e da história da humanidade, fica distante da vida pessoal. Mesmo quem tem um grau apurado de informação e educação formal, não consegue atinar com os conceitos, os termos, o tipo de pensamento abstrato próprios da Filosofia.

Entretanto, a reflexão filosófica cumpre uma função educacional, pedagógica e criativa na vida humana.

Como conciliar a dificuldade inerente ao pensamento filosófico com sua necessidade e importância?

A narrativa filosófica se aproxima da arte e da ciência, mas delas se distingue por não ser fantasiosa, não apelar para a pura imaginação ficcional dos artistas que representam um mundo de cores, sons, performances, e mesmo entretenimento. Distingue-se da ciência por prescindir de testes, experimentos, leis, generalizações e obtenção de resultados práticos como os da tecnologia.

Ao mesmo tempo a Filosofia depende de uma mente aberta e criativa de um lado, e da busca da verdade o que também pauta a ciência, de outro lado.

Se você é professor de Filosofia, ou se é alguém com vontade de aprender com os mestres do pensamento, pode começar com perguntas a seus alunos no primeiro caso, ou com reflexões pessoais no segundo caso: indagações que partem de situações banais do cotidiano, das vivências pessoais para em seguida generalizar com questões mais abrangentes e fundamentais.

Quem sou eu? O que faço de relevante em minha vida? Quais são os valores nos quais me baseio para decidir e julgar minhas ações e o mundo ao meu redor?

Aproveite o conceito de "mundo", por exemplo, para raciocinar, para abstrair. Como os primeiros filósofos, pergunte sobre esse "mundo". O cosmo, o universo? E vá além: como veio a ser tudo o que há? O homem em sua caminhada na face da Terra, o que isso representa para a humanidade? E o sofrimento, a dor, a humilhação, são absurdas, fazem sentido, como interpretar a morte, a morte de inocentes especialmente?

Ao atingir esse grau de abstração, eis aí o filosofar despontando. É preciso despertar a curiosidade, com filósofos que atinjam a mente e o coração.

***

Pessoas há que andam em círculos, o caminhar contínuo desgasta o percurso, não saem do próprio ninho construído, aliás, por elas mesmas. São prisioneiras de seus preconceitos e ignorância.

Outras há que ziguezagueiam, parecem chegar a um resultado gratificante, mas voltam atrás, sua perplexidade as impede de seguir em frente.

E outras há que cumprem metas, se transformam, modificam seu modo de pensar em busca de melhoria, de novos valores, de indagações que alargam e iluminam seu reto caminhar.

O papel da Filosofia seria trazer para este último caminhar um número maior de pessoas cada vez mais livres, mais reflexivas, que ponderam e abrem seu pensamento. Isso impede que ideologias, credos, partidos ceguem e fechem cabeças e corações. Que elas não precisem de um comando, de um chefe, de alguém que diga o que devem fazer, o que pensar, como viver.


* Inês Lacerda Araújo - Professora de Filosofia durante 40 anos, na UFPR, e nos últimos anos na PUCPR. Autora de livros sobre Epistemologia, História da Filosofia e Teoria do Conhecimento. Atualmente aposentada.
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