quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O COMUNISTA TEATRAL

Bertolt Brecht (1898-1956)


Um jacinto na lapela
Na Kurfürstehdamm*
O jovem sente
O vazio do mundo.
Na latrina
Isto lhe parece claro: ele
Caga no vazio.

Cansado do trabalho
De seu pai
Ele mancha os cafés
Por trás dos jornais
Sorri perigosamente.
É ele que
Vai pisotear este mundo
Como uma bosta de vaca.

Por 3.000 marcos ao mês
Ele está disposto
A encenar a miséria das massas
Por 100 marcos ao dia
Ele mostra
A injustiça do mundo. 

* Principal rua de Berlim. (N. do T.)


BRECHT, Bertolt. Poemas 1913-1956. Seleção e tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Ed. 34, 2000. p.33

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