segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UMA ASA PARA O “TAQUARI”

Napoleão Costa dos Santos
O bairro Taquari tem esta denominação em homenagem ao primeiro avião chegado ao Acre, o “Taquary”, no dia 5 de maio de 1936. O pequeno aparelho aquatizou no rio Acre, no chamado estirão do Bagé, perto do Aprendizado Agrícola, emocionando a população da época que acorreu em peso ao local onde se deu a pioneira e histórica epopeia. Mas durante a operação de amerissagem ao aproximar-se do porto do Aprendizado o avião sofreu um acidente na asa, quebrada ao encostar no barranco, numa guinada malfeita.

No Acre de então, pouca gente vira um avião, nem mesmo em revista, a não ser alguns nordestinos recém-chegados. Como o Território do Acre não tinha estradas, a empresa proprietária do “Taquary” teve de pedir pelo telégrafo que Manaus providenciasse uma asa para o avião poder decolar para São Paulo. Veio por via fluvial a peça solicitada, pelo navio “Leopoldo Peres” que a conduziu de Manaus até porto Velho e dessa cidade rebocada de batelão até a Vila Plácido de Castro. Como na vila a estrada era apenas um varadouro de seringa, a asa foi transportada nos ombros de seringueiro de boa vontade, entre os quais gente da família de José Galdino do Nascimento, pai de José Melgaça do Nascimento, cuja mãe era Dona Josefa Melgaço Gadelha.

Do primeiro casamento originou-se a família Gadelha, muito ilustrada e acatada. O primeiro marido de Dona Josefa era Felício da Costa Gadelha. E como surgiu o nome de Pedro Gadelha dos Santos?

O pai de Pedro também ajudou no transporte da peça do avião. Faça-se uma ideia da aventura de conduzir a asa de uma aeronave, mesmo pequena, durante dias, palmilhando cento e dois quilômetros numa trilha pela floresta fechada, de Plácido de Castro a Rio Branco. Foram duas semanas exatamente que cerca de trinta homens consumiram para exitar-se naquela memorável façanha. A asa foi colocada em cima de um estrado comprido, bem amarrada, cuidadosamente carregada nos ombros. Quando chegaram à cidade, foram recebidos como heróis, uns ganharam emprego no governo e outros eram seringueiros que tiveram seus débitos pagos, no justo reconhecimento oficial pelo belo gesto. Muitos que ainda vivem sabem que a história é verdadeira e são o melhor testemunho.


SANTOS, Napoleão Costa dos. A Empresa de Napoleãozinho. Rio Branco: S/E, 1996. p.71-72
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