terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A ERA DOS SERINGAIS

O Acre sempre fora muito ligado aos seringais. O seringal é parte constitutiva e essencial de sua história. A riqueza dos seringais, o látex, é que arregimentou para cá centenas de nordestinos, sírio-libaneses, portugueses... Praticamente todas as nossas cidades nasceram a partir de um núcleo de seringal. Somos, de nascença, todos filhos de seringal.

Quando, muito antanho, era moda a publicação dos álbuns iconográficos, um dentista de nome Emílio Falcão publicou o seu, o qual chamou “Álbum do Rio Acre: 1906-1907”. Trata-se do maior acervo iconográfico relativo à Revolução Acreana e da vida socioeconômica dos Seringais do Rio Acre. Um dos poucos documentos de relevância cultural que se conservaram daquele período de grande prosperidade econômica.

O álbum focaliza o vale do rio Acre logo após a incorporação do território ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis (1903). Aí estão, numa impressionante sequência, os barracões dos seringais, com nomes brasileiríssimos, todos à beira do rio. Veem-se ainda damas em seus alongados vestidos, com chapéus, sombrinhas, leques, lenços. Bem como os cavalheiros de fraque, cartola... tudo como exigia a moda da época.

O professor Jacó Cesar Piccoli comenta que, ao registrar através de fotografias os seringais do baixo Purus, do baixo e alto Acre, da sua foz até Xapuri, Emílio Falcão não apenas documentou a paisagem do novo território conquistado aos bolivianos, mas os tipos humanos, os habitantes, os costumes da época, os tipos de embarcações (gaiolas, vaticanos, batelões, etc), enfim, aspectos de uma cultura que surgia com vigor em plena Amazônia.

Falch, sobrenome real de Emílio Falcão, elaborou o seu Álbum com informações históricas dadas pelo Capitão Libânio Macedo. Pena, conforme registrou Océlio de Medeiros, que ambos silenciaram sobre vultos históricos, como represália por não haverem contribuído financeiramente para a edição.

De qualquer forma, o que Emílio Falcão registrou é uma amostragem significativa do que foi a era dos seringais. O que faltou foram outros álbuns. O Álbum do Rio Tarauacá, o Álbum do Rio Juruá... Regiões tão belas quanto ricas.
ALTO ALEGRE - seringal central, propriedade do sr. Manoel Pereira Vianna, produz cerca de 15.000 quilos de borracha. Está situado entre Catuaba e a vila Rio Branco.

MACAPÁ - seringal na margem direita do rio, propriedade dos srs. Marques Nogueira & Ca. Este seringal e outros centrais pertencentes à mesma firma, podem produzir cerca de 180.000 a 200.000 quilos de borracha.

MACAPÁ - um pic-nic no centro deste seringal.
CAQUETÁ - seringal na margem direita, com produção de 25.000 a 30.000 quilos de borracha. É propriedade do sr. Coronel Joaquim Victor e o seu arrendatário é o sr. J. Lindozo. Neste seringal tem o Governo do Amazonas um posto fiscal e mesa de rendas.
BOM DESTINO - grande armazém para mercadorias no mesmo seringal, propriedade do sr. Coronel Joaquim Victor.

BAGÉ - seringal situado na margem esquerda, propriedade do Coronel Pergentino Eucrasio Ferreira. Pode produzir 100.000 quilos de borracha. Tem um belo campo, bonito laranjal e outras àrvores frutíferas.
SERINGAL SÃO FRANCISCO DE IRACEMA - bela propriedade do sr. Francisco Antonio de Brito. Situado à margem esquerda, pode este seringal produzir cerca de 90.000 a 100.000 quilos de borracha. Com belo campo, bastante criação, vacas de leite, etc., é um lugar aprazível.
PANORAMA - propriedade da firma Alves Braga & Cia., do Pará, sob a gerência do sr. Adolpho Brabosa Leite. Situado à margem esquerda com área de 98.106.800 m2 e 49.760.000 m2 de perímetro, produz 25.000 a 30.000 quilos de borracha. É uma bela vivenda, com boa água e muitas árvores frutíferas em seu terreno.

REMANSO - seringal que ocupa ambas as margens do rio. Seu barracão está situado na margem esquerda. É propriedade do sr. Annitiliano Ferreira de Mesquita, tem uma área de 395 milhões de metros quadrados e um perímetro de 150 km. Limita-se na margem esquerda com o seringal “Santa Severina”, pertencente ao mesmo senhor, com uma área de 150 milhões de metros quadrados e 90 milhões de metros lineares de perímetro. Completamente ocupado pode produzir cerca de 120.000 a 130.000 quilos.
NOVA FLORESTA - situado na margem direita. É seu proprietário o sr. Soares Hermanos, pode produzir 15.000 a 20.000 quilos de borracha, e é seu arrendatário presentemente o sr. Capitão José Rufino de Oliveira.

SERINGAL SÃO FRANCISCO DE IRACEMA - residência do sr. Francisco Antonio de Brito.

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*Fotografias e informações se encontram no "Álbum do Rio Acre: 1906-1907" de Emílio Falcão.

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