terça-feira, 17 de abril de 2012

O SELO ESTADO INDEPENDENTE DO ACRE

Diálogo entre os fiéis amigos Guillermo Uhthoff e Luis Galvez, pouco tempo depois deste ter proclamado o Estado Independente do Acre, em 14 de julho de 1899:

– Ao Acre ainda lhe falta algo essencial para ser um país...
– O quê, Gillermo?
– Os selos. Não existe um país sem selos.

A comunicação ao longo do território acreano poderia demorar semanas e mesmo meses, apesar das várias formas de comunicação que já funcionava entre os seringueiros e índios. Dois meses depois de proclamar sua república Galvez criava, por meio do decreto de número 15, o Serviço Postal Acreano, e solicitava seu ingresso na União Postal Universal.

Guillermo Uhthoff recebeu a incumbência de Galvez para, em Manaus, imprimir os selos. Como ninguém ali se dispôs a imprimi-los, Uhthoff os imprimiu em Buenos Aires, na tipografia das casas Monckee, dez mil folhas de cinquenta selos cada.
O selo contém na parte superior a inscrição “1899 CORREIO 1899”, e na inferior “300 REIS 300”, destacado por um círculo duplo com a legenda: “ESTADO INDEPENDENTE DO ACRE. PATRIA E LIBERDADE”. No centro do círculo se veem três figuras: uma árvore representando a seringueira, apesar da imperfeição do desenho, o taperi do seringueiro e completando o quadro, uma tartaruga em pé. Tudo presidido por uma estrela de cinco pontas, a estrela solitária da liberdade, que iluminava o novo Estado e sinalizava o caminho com seus raios de luz. A tartaruga em pé, por muito tempo uma incógnita, é, na verdade, uma metáfora para designar a revolução dos lentos. O Acre se levanta de seu tempo ancestral olhando as estrelas de um novo século.

O selo, que já esteve entre os mais raros e caros do Brasil, é uma peça ainda muito disputada no mundo dos filatelistas. Sabe-se da existência de poucos exemplares, fala-se de cinco ou seis, uma vez que, segundo conta a história, foram apreendidos por uma canhoneira brasileira e destruídos, logo após a destituição de Galvez da presidência da repúplica acreana, restando apenas uma folha de 50 unidades que havia sido enviada a Galvez como prova de impressão.



NOTA.: Texto elaborado com base em informações de DOMINGO, Alfonso. La estrella solitaria. Sevilla: Algaida Editores, 2003. p. 328, 401 e 412.
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