quarta-feira, 20 de junho de 2012

POESIA DOS OLHOS

Quando a palavra nos falta, é hora de falar pela imagem. A fotografia é arte. Não tem o defeito da palavra, apenas sussurra ao coração. Fascina. Angustia. Arrebata. Capta a beleza no súbito instante em que é. Eterniza o efêmero. Enaltece o ínfimo.
A aurora e o por do sol exercem um fascínio sobre mim, assim como o contraste luz e sombra. Nas minhas fotografias abaixo, capturadas com câmera simples, vão um pouco da poesia dos meus olhos. As dezessete primeiras foram tomadas em Belo Horizonte; as cinco últimas, em Roma.

O céu, quatro fios, um pássaro
e a canção do infinito...
Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela...
...Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Adélia Prado
Azul da flor
convite ao amor
Rosa na roseira
é a que te alumbra.
Pendente do galho,
é muito mais rosa.
Carlos Drummond de Andrade
amarela flor
em curta dor
flor ama ela
amarela
Amar guarida da vida
na branca margarida
amoRosa vida
ardoRosa
Fiz a escalada da montanha da vida,
removendo pedras e plantando flores.
Cora Coralina
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Alberto Caeiro 
Aurora a cor da vida
desperta
Poesia nascente
no sol poente
A manhã tecer
beleza é amanhecer
Passa, ave, passa e ensina-me a passar.
Fernando Pessoa
Poste, fios e fulgor
gera dor e luz
Longe sol se levanta
montanha acaricia
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Alberto Caeiro
Roma desperta
e dispersa
Não estou vazio,
não estou sozinho,
pois anda comigo
algo indescritível.
Carlos Drummond de Andrade
Ó Deus, meu Deus, a noite tem valores com os quais o dia nunca sonhou.
Thomas Merthon
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