terça-feira, 28 de janeiro de 2014

CARPE DIEM (Ode I,XI)

Horácio (65-8 a.C.)


Indagar, não indagues, Leuconói
qual seja o meu destino, qual o teu;
nem consultes os astros, como sói
            o astrólogo caldeu:

não cabe ao homem desvendar arcanos!
Como é melhor sofrer quanto aconteça!
Ou te conceda Jove muitos anos,
ou, agora, os teus últimos enganos,
– prudente, o vinho côa e, mui depressa
a essa longa esperança circunscreve
            a tua vida breve.

Só o presente é verdade, os mais, promessa...
O tempo, enquanto discutimos, foge:
Colhe o teu dia, – não no percas! – hoje.


Tu ne quaesieris (scire nefas) quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. Vt melius quicquid erit pati !
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitak pumicibus mares
Tyrrhenum, sapias, uina liques et spatio breui
spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit inuida
aeta : carpe diem, quam minimum credula postero.


HORÁCIO. Odes e epodos. Tradução de Bento Prado de Almeida Ferraz. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p.38-39
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