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sábado, 1 de abril de 2017

A CAVERNA DOS ENGOMADOS

Erlan Nogueira de Moura


Eles vivem na ilusão do “poder”
Cortam filas e refazem o contrato
Articulam na escuridão e quem paga é você
Que sai todos os dias para a missão do trabalho.

Você é quem produz mas o mérito é dele
Dia e noite na chuva ou no calor
Como um relógio que marca a hora presa na parede
Esperando por um Novo Tempo que a vida já roubou.

O céu foi manchado pela tempestade vermelha
Assim como o azul das tardes em guerra
História antiga na política da “Empresa”
Aqui no norte a eleição é uma reza.

Bandeiras erguidas em sindicatos de tolo
Chavão de espertos que se atrapalham na fala
Fumaça escura no teu quintal de esgoto
Legislativo de traidores engomados na sala.

Procissão nas ruas tem mais demônio que santo
Muitos aproveitando a ocasião do momento
Enquanto o povo chora esquecido em qualquer canto
A máquina pública elege outro membro.

Galerias de arte na expressão sem cultura
Festival de celebridades soletrando união
Hinos de paz em parábolas de loucura
Aliado inimigo no combate com o irmão.

Saguão com cartazes indicando um caminho
Corredores estreitos iludindo o espaço
Metamorfose bipolar em serpentes de perfil
O orador do Império também é um escravo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

SOMOS FORTES DEMAIS

Erlan Nogueira de Moura


O universo é tão infinito
E a Terra a nossa herança
Manipularam o plebiscito
Numa extrema intolerância.

O lado negro do dia
É uma noite sem sol
Um ritual de hegemonia
Exalta múmias no formol.

Somos fortes demais
Somos fortes demais

Dentro desse grande globo
Já saiu muita fumaça
A natureza perde o fôlego
E o rio secando encalha.

Desde o tempo da colonização
Nosso gigante país é saqueado
Capitanias hereditárias na divisão
E o povo ainda escravo.

Somos fortes demais
Somos fortes demais

Muitas guerras sem motivo
Pra servir o próprio ego
Território do inimigo
É invenção do homem-feto.

Eu queria ser o chão
E viver num precipício
E nas placas tectônicas
Te salvar deste abismo.

Somos fortes demais
Somos fortes demais...

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

APOCALIPSE TENEBROSO

Erlan Nogueira de Moura


Há tempos a ferrugem que destrói a visão
A água que se descontrola na drenagem
Os hospitais que fazem do leito seu próprio chão
Tiroteio no presídio não é mais novidade.

Nas ruas a solidão é outra vez atormentada
O caminho de volta é um cenário oculto
A segurança atual é uma grande cilada
E ainda tem Polícia parando depois disso tudo.

Escolas falidas na mesma gravura
Semáforo queimado na curva fatal
Disciplina cortada que incentiva a cultura
Plano de aula agora é tudo virtual.

Sistema estranho que eterniza o “patrão”
Olhos abertos no bom samaritano
A coragem de um santo não é medida pela ação
Às vezes o óbvio não é visto neste plano.

Aqui o progresso é o crime sofisticado
Internautas do ministério em conflito moral
Recrutamento de pacto chega em carro blindado
O silêncio da sociedade é um triste sinal.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ESTRELA POLAR

Erlan Nogueira de Moura


Lembranças de época numa exposição
Recado do tempo na velocidade da vida
Terremoto de opiniões sacudindo a Nação
Noites de silêncio no salão da política.

Juízes de toga martelam no escuro
Pena de morte na lei do crime
Menor infrator faz muito barulho
Tiraram a estrela da camisa do time.

Biblioteca fechada se transforma em prisão
Na catedral dos milagres oferta é espírito
Assessor de partido é metáfora em sermão
Aprender a lição é investir no ensino.

Temporal de cinzas a floresta chorou
Castelos de pó na motossera mais bruta
Na cura da aids o médico surtou
Defensores da mata afogados na chuva. 


ERLAN NOGUEIRA DE MOURA é natural de Cruzeiro do Sul-AC, reside em Rio Branco, onde cursa Arquitetura e Urbanismo.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

PERDOA PAI

Erlan Nogueira de Moura 


Perdoa Pai, pelas vezes que te fiz sofrer 
Pela minha revolta e desobediência
Uma rebeldia que não sei por que.

Perdoa Pai, pelo absurdo que eu já falei
Pelas noites em claro que te deixei
O conselho que eu não quis escutar
E que a vida fez questão de me mostrar.

Perdoa Pai, quando não quis o teu carinho
É que eu estava trilhando um caminho
E não conseguia entender
Os sinais de amor que vinham de você.

Perdoa Pai, pelo silêncio que adotei
Pelas lágrimas que não chorei
Mas ainda quero ser o teu filho
E para sempre seu melhor amigo.

Perdoa Pai, se ainda não consegui vencer
É porque está difícil caminhar sem você
A estrada que nós dois trabalhamos um dia
Fica escura e não encontro alegria.

Perdoa Pai, se não fui o filho que você sonhou
Nem o engenheiro que um dia eu falei
Mas a realidade me mostrou
Que podemos tentar outra vez.

Me ajuda Pai,  a enxergar o que não quero ver
Esquecer aquela velha dor
E viver em paz sem nenhum rancor.

Me ajuda Pai,  eu não consigo decifrar sozinho
A mensagem que o tempo deixou
Muitas pedras no meu caminho
Que você já me avisou.

Eu não queria Pai, te ver chorar numa delegacia
Lavar meu rosto na noite fria
E me lembrar que já fui feliz um dia.

Eu não queria Pai, que a lembrança fosse um castigo
De um passado tão enlouquecido
Que agora eu posso lamentar.

Eu não queria Pai, que o senhor me visse assim
Machucado e tão ruim
Sem saber onde chegar.

Quantas vezes Pai, este sol que tanto já te queimou
Virou noite no canto mais frio da dor
E a luz que vinha no outro dia
Avisando que o sonho nunca acabou. 


ERLAN NOGUEIRA DE MOURA é natural de Cruzeiro do Sul-AC, reside em Rio Branco, onde cursa Arquitetura e Urbanismo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

UM RIO SEM DIREÇÃO

Erlan Nogueira de Moura


No espaço vazio da mente habita a morte
A esperança em gotas transborda oceano
Tequilas de chumbo servidas num pote
Papagaios sem boca imitam o canto.

Fazendas desertas abrigam fantasma
O sonho da luz num teto preto
Corações de pedra mostram a cara
Enterro de santo já é desespero.

A lua minguante derruba uma estrela
Satélite humano controla a terra
Quintais divididos por uma bandeira
Prisão social da política desonesta.

Um céu de poesia que expressa o amor
Batismo de sangue num ritual de fé
Orquestra de anjos embriagados de dor
Aqui tem pouco índio e muito pajé.


ERLAN NOGUEIRA DE MOURA é natural de Cruzeiro do Sul-AC, reside em Rio Branco, onde cursa Arquitetura e Urbanismo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

AINDA VIVO

Erlan Nogueira de Moura



Apesar da injustiça e da ganância
Do preconceito e da discórdia
Da crueldade e intolerância
Da miséria e da morte.

Apesar da sujeira e da vida controlada
Das queimadas e do lixo
E da mente apagada.

Apesar do contrabando e do filho alvejado
Da polícia paranoica
E o outro sequestrado.

Apesar da escravidão muitas vezes disfarçada
Da loucura com razão
De uma vida maltratada.

Apesar da traição duma política “organizada”
Do sistema opressor
E uma voz que não diz nada.

Apesar do cinismo de um sorriso escancarado
Dos impostos que nos cobram
E o povo sempre enganado.

Apesar da distância do segredo almejado
Das conquistas e da fama
E um corpo retalhado.

Apesar do clima tenso e das noites acordado
Do terror do pesadelo
De viver tão vigiado.

Apesar do nepotismo e do parente escolhido
Da função mal exercida
E do livro proibido.

Apesar de tudo isso e muita coisa que não sei
Eu me sinto fortalecido 
Porque podemos mudar essa lei. 


ERLAN NOGUEIRA DE MOURA é natural de Cruzeiro do Sul-AC, reside em Rio Branco, onde cursa Arquitetura e Urbanismo.