domingo, 13 de maio de 2012

ROLANDO UM PAPO - Leila Jalul

Oi, Dona Mãe,

Agora está tudo diferente... Muito diferente! Não teremos galinha com macarrão no seu almoço, mas, que importa isso? É verdade que você não gostava de furdunço, não é?

Seus filhos estão por aqui. Estão bem. De saúde, inclusive. Não falta o pão na mesa de nenhum. Isso basta! Esse era seu maior medo: a falta do pão. Verdade?

Ontem, 11 de maio, enquanto tomava minha cerva gelada na cozinha, liguei para a irmandade pedindo, um a um, que mandasse uma falinha para que, reunidos em pensamento, pudéssemos homenageá-la.

Léa, lá de Florianópolis, quase que corta a ponta dos dedos na hora de escrever. Como ela é muquirana, nem estranhei.

Dona mãe, esses seus filhos são meio malucos! Não sei se sabe que a Léa, depois de velha, danou-se a brincar de roda. É isso mesmo! Depois de cansar de ser contra o Pe. Quevedo abandonou a parapsicologia e virou bailarina! Veja só o que ela escreveu e se não estou certa ao afirmar que ela é mão de vaca:

“(Leila, com certeza, há muito o que se dizer a uma mãe para homenageá-la e demonstrar gratidão, mas o que mais profundo ficou e guardo para mim da imagem da nossa mãe foi a sua simplicidade e é o que ressalto aqui).
Mãe querida, não foram as palavras, mas o teu jeito simples de ser que nos ensinou a caminhar na vida.
Hoje e sempre, agradecida, eu te celebro e te reverencio”.

Do seu caçula, o Chico, recebi quase uma peça de teatro. Espie só:



“Leila, só agora pude parar pra mandar o e-mail que me pediste. Achei legal, gostei da ideia e perguntei aos meninos o que eles diriam pra mãe "viva" nesse Dia das Mães. E assim dissemos:
Chiquinho: - Bença Vó! Feliz dia das Mães. Parabéns. Tudo de bom pra Senhora.
Izabel: - Vozinha... Feliz Dia das Mães. A senhora que soube honrar esse papel tão lindo que é ser "Mãe" e foi com tantas dificuldades, mas com muito amor que cumpriu esta missão de Deus. Parabéns! Bença, Vó!
Azize Cristina: - Vó, bença! Me sinto muito feliz em ser sua neta e ter seu nome. Ah, tenho uma novidade. Consegui na Justiça retificar meu nome. Acrescentei Jalul em sua homenagem e ao meu bisavô e com isso me sinto mais próxima da senhora, com sangue sírio-libanês e realizando um sonho meu. Feliz dia das Mães!
Tânia: - Feliz Dia das Mães, Dona Azize.
Chico: - Ei, velhinha, só pude vir agora com a Tânia e os meninos pra lhe dar um abraço. Em homenagem ao seu nascimento, no dia 5 de agosto passado, eu queria cantar, mas, naquele dia, vieram muitos amigos e familiares, tomaram muito tempo e me deixaram sem espaço. Hoje que estamos em família, peço a Deus que lhe dê muita saúde e vida espiritual longa pra que a senhora possa ver se realizar tudo que rogou a Ele. Os meninos estão formados e trabalhando. Só falta a Izabel, mas já entrou na UFAC.
A casa foi reformada. Estamos vivendo com mais dignidade e com o mínimo de conforto. Outras coisas boas estão acontecendo.
Deus só ainda não lhe atendeu numa coisa. Na realidade, eu é que tenho lhe desobedecido até hoje. Não tive coragem de derrubar o Ipê que amarela o alto e o chão da frente da nossa casa, por uma semana de Julho. É um espetáculo admirado por nós e por todos que passam pela Rua São Sebastião.
Não se preocupe, pois não há perigo algum do pau d’arco cair sobre a casa. Ele só traz sombra e colore a paisagem.
 Feliz Dia das Mães!
Chico e família”

Pois bem, Dona mãe, vou agora juntar a mensagem da Lígia. Pediu-me que não retirasse nenhuma vírgula. Como sou cumpridora de ordens, mando ipsis litteris:

“Oi, MÃE,
Saudades... Por onde anda?
Faz algum tempo que não vem me ver e já estou com saudades.
Lembra da última vez que nos encontramos? Com toda sua simplicidade, estava bonita e muito alegre. Perguntei pra onde ia o que queria já que tinha partido para outras plagas e não mais pertencia a este plano, quando me respondeu que apenas estava vindo me ver.
Mãe, demora não, vem mais vezes prosear comigo como antigamente, pois cada vez que nos encontramos nos meus sonhos, diminui a saudade e me deixa muito feliz.
Mãe, Joãozinho está bem e diz que sente saudades da senhora.
Fica tranquila que estamos cuidando muito bem um do outro, tá?
Mãezinha, não quero lhe cansar. FELIZ DIA DAS MÃES!!!
E não suma, sim?
Lígia”

Minha senhora Dona Mãe, Latif e Manoel não escreveram nada. Talvez por estarem ocupados com outras coisas também importantes.

Como bem sabe, Latif vive entregue à caridades e às funções da vida religiosa. A Pastoral da Criança toma um tempo danado da coitada. Isso sem contar no saquinho das hóstias que ela distribui aos doentes. E tem que fazer a evangelização de meninos barrigudos e as palestras nas paróquias e na diocese. O mais importante que ela tem a dizer é que, na fé e na coragem, conseguiu driblar aquela doença danada e que nem gosto de dizer o nome.

Manoel, o seu queridinho, virou avô do Murilo. Faz uns quinze dias. O menino não pode nem peidar que ele já quer chamar o pediatra. Ele, Rita Maria e Manuela estão de bem com o mundo. Todos com cara de paridores da nova vida que pintou no pedaço.

Quanto ao outro “seu queridinho”, o Callil, você, somente você é quem pode nos mandar notícias dele. A irmandade aqui deseja que ele tenha encontrado a paz que precisava e que possa ter tido um contato imediato de terceiro grau com você. A gente adora se enganar e acreditar em coisas pouco possíveis, não é?

É isso, Dona Mãe! Não vou falar de mim desta vez. Pra quê? Temos os mesmos vícios, os mesmos achaques, o mesmo lundum e a mesma cara de Madalena amazônica. Somos gêmeas, pois!

Abraços e beijos virtuais da récua que você deixou nascer. Só para deixar bem claro, vale reafirmar que todos nós temos pão e fartura na mesa. Relaxe e goze!


* Publicado originalmente no site Lima Coelho.
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