quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A UMA FLORENTINA

Francisco Mangabeira (1879-1904)


Na sua carne morna se condensa
A primavera em flor com a madrugada
E das duas não sei qual a que vença
Tanto ela brilha quanto é perfumada.

É uma flor de volúpia e de descrença
Que abre a linda corola envenenada,
Trouxe no olhar a lua de Florença
E o Vesúvio na carne sublevada.

É uma ave cujo canto cheira a flores...
É deusa e me abandona... É a Traviata
Que em lugar de morrer mata de amores!

P’ra tanto amor meu coração é pouco...
Oh! maldita a loucura que me mata
E bendita a mulher que me faz louco!

                                          Sob o Sol dos Trópicos, Manaus, 1902.


MANGABEIRA, Francisco. Poesias: Hostiário, Tragédia Épica, Últimas Poesias. Rio de Janeiro: Annuário do Brasil, s/d. p.382

> Veja aqui mais poesias de Francisco Mangabeira.
Postar um comentário