terça-feira, 13 de agosto de 2013

LEMBRETE

Michel Deguy


O que veio a ser
É preciso dizer

O que não pode ser dito...
Deve ser escrito

A parte dá no todo
Que dá a parte

Saber com que se parece
É nosso saber – não absoluto

É preciso semelhança
Para se fazer contiguidade

O poema é coisa próxima
Que é preciso ir buscar 



DEGUY, Michel. A rosa das línguas. Organização e tradução de Paula Glenadel e Marcos Siscar. São Paulo: Cosac & Naify; Rio de Janeiro: Viveiros de Castro Editora, 2004. p.157
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"A poesia de Michel Deguy é uma poesia essencialmente voltada para as questões mais prementes da contemporaneidade. Poeta e filósofo, Deguy demonstra aguda consciência das contradições de nosso tempo; sintonizado com os movimentos de que é contemporâneo, sua atitude frente a eles corresponde a um misto de afetuosa atenção e produtiva irritação com o presente."

Paula Glenadel
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