domingo, 3 de janeiro de 2016

AH, TARAUACÁ, QUANTAS, RECORDAÇÕES DE MINHA INFÂNCIA

Gilberto A. Saavedra 

Tarauacá, será que um dia ainda vou lá?
Só o tempo e os Deuses saberão. 
Tarauacá do açaí gostoso, 
Feito no meu tempo com os pés,
Pulando e esmagando no tacho,
Com os caboclos suando feito burro
Dava-me uma vontade danada 
De pular dentro também.

Tarauacá das novenas, da moça bonita e faceira. 
Da pensão de dona Maroca; do teatro, palco cultural da cidade.
Do pitoresco e cordial Carrapicho com o visitante
Da família Catão, do Prefeito da cidade Arnaldo Gomes de Farias. 
Tarauacá de J. G. de Araújo Jorge poeta e político brasileiro 
Sapupema e Terra Caída de José Potyguara, 
Das pescarias de boias no lago dos tradicionais “Higino”
Das piabinhas presas às margens do rio 
Com farofa gostosa e bem fritadinhas 

Tarauacá terra da borracha do ex-seringal Duas Nações 
Mais tarde Foz do Jordão e hoje Município.
O velho professor Levy Cervantes Saavedra
Ex-proprietário, lá de cima agradece a promoção,
Em suas vastas, ricas e férteis ex-terras,
Onde eram produzidas as mais refinadas das borrachas
Eram centenas delas descendo em balsas sobre o rio,
Diretas para os porões do navio
Ancorado em Tarauacá, com destino a Belém. 
Nada disso esqueci. 

Como será Tarauacá hoje? São 60 anos, sem vê-la. 
Um lugar que não posso esquecer, onde passei um pouco, 
De minha querida e inesquecível infância. 

Tudo isso ninguém me contou, eu vivi e presenciei. 
Fiz parte desse pacato e maravilhoso tempo
Embora ainda uma criança, ficou tudo gravado.
Da hospitaleira e querida Tarauacá.
Quem sabe, um dia, novamente, 
Não te visitarei?


GILBERTO DE ALMEIDA SAAVEDRA nasceu no Acre, mas reside na cidade do Rio de Janeiro. É jornalista e radialista. Com uma história marcante no rádio acreano, de modo especial pelas ondas da Rádio Difusora Acreana, a voz das selvas.

Um comentário:

Gilberto A. Saavedra disse...

Somente para uma correção no final do texto: a frase seria -

Não, a ti visitarei? ( Gilberto A. Saavedra)