sexta-feira, 13 de maio de 2016

AS BALSAS

Robélia Fernandes de Souza 


A balsa!
Olha a balsa!
Uma, duas, três
Enchiam todo o estirão
Rio a baixo
Iam descendo
Sem banzeiros
Sem mapa
Sem relógio
Sem data
Iam para bem longe
Bastava o rio querer
E o rio não se cansava

Desciam devagarinho
Lentas e preguiçosas
Serpentes de pélas
Ao mandar das águas
Levando no lombo
A fibra do homem
Que se fez espectro
Defumando o látex 


SOUZA, Robélia Fernandes de. Asa de vida. Rio de Janeiro: Oficina do Livro, 1992. p.67
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