domingo, 8 de março de 2015

DESDOBRADO DAS DOBRAS

Walt Whitman (1819-1892)


Desdobrado das dobras da mulher o homem se desdobra,
e sempre está para se desdobrar:
desdobrado da mulher mais soberba da terra
está por chegar o homem mais soberbo da terra, desdobrado da mais amigável
mulher está para chegar o homem mais amigável,
só desdobrado do corpo perfeito de uma mulher pode fazer-se um homem perfeito de corpo, só desdobrado dos inimitáveis poemas da mulher podem criar-se
os poemas do homem (só daí vêm meus poemas),
desdobrado da arrogante e forte mulher que eu amo,
só daí pode vir o homem forte e arrogante que eu amo,
desdobrados pelos abraços vigorosos da mulher firme que eu amo,
só daí vêm os abraços vigorosos do homem,
desdobradas das dobras do cérebro da mulher procedem todas
as dobras do cérebro do homem, seguindo obedientemente,
a desdobrar-se da justiça da mulher toda a justiça do homem se desdobra,
desdobrada da simpatia da mulher é toda simpatia;
grande coisa é um homem sobre a terra e pela eternidade,
mas cada vírgula da grandeza do homem vem das dobras da mulher;
primeiro o homem toma forma na mulher, depois então pode 
tomar forma em si mesmo.


WHITMAN, Walt. Folhas de Relva. Tradução Geir Campos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964. p.156
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