domingo, 21 de julho de 2013

PÉROLAS DO CHALUB

Do memorável jornalista José Chalub Leite (1939-1998), que ainda hoje, por sua inteligência, argúcia e finesse de humor, faz muito falta ao jornalismo acreano.

O DESCONHECIDO

Secretário da Fazenda, o advogado Carlos Abrantes ao redigir minuta de relatório para enviar ao governador sentiu-se em dúvida com a grafia correta e o significado de uma palavra. Aperta o botão-cigarra e determina à secretária:

- Minha filha, vê se localiza o Aurélio e o traz imediatamente à minha presença.

Expedita e bem mandada, a prestimosa auxiliar entrou de sala em sala do imenso prédio da Sefaz em busca do Aurélio, ninguém o conhecia. Aflita, nervosa, o secretário não gostava de ser contrariado e se queria o Aurélio é porque o assunto era importante, duas horas depois, a jovem desanimada e frustrada por não ter dado o recado a Garcia, comunica ao Dr. Abrantes:

- Excelência, o Aurélio não veio trabalhar hoje...

- Como? Minha filha, o Aurélio que lhe falei é o dicionário.


O COLADOR

Estudante de Direito, o hoje advogado Abdalla Salim Farhat não tinha estudado para uma prova. Fácil imaginar sua aflição, quase desespero para safar-se da bananosa. Conseguiu atrair a atenção de um colega e este, jeitosamente, mostrava-lhe as respostas. Umas das questões: “Como se chamava o irmão do Rei Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, que usurpou o trono?”

Farhat viu a resposta do colega: João Sem Terra. Para não ficar idêntica e o professor desconfiar, mete: “João Sem Solo”.


PIOR A EMENDA

No Colégio Acreano trabalhava uma senhora de prenome Francisca, inspetora de alunos. Dona de físico possante, troncudo, puseram-lhe o apelido de “Manduquinha”, alusão àqueles carrões de polícia, tipo kombi. Escusado advertir que a alcunha pegou no momento em que a vítima deu cavaco. Apoplética, alucinada, desvairada, cuspia fogo e queria sair no braço quando a molecada colegial invocava, principalmente no pátio, o apelido desgraçado.

Um dia a inspetora invadiu o gabinete do diretor, professor Raimundo Gomes de Oliveira, para enrendar que grupelho de estudantes estavam lhe chamando daquele jeito que odiava. Imediatamente o professor Raimundo, severo disciplinador, com a inspetora ao lado correu ao pátio e apostrofou santamente irado a turma apontada pela inspetora Francisca:

- Meninos mal-educadods, quem foi de vocês que chamou a Dona Manduquinha de Franscisquinha?



LEITE, José Chalub. Tão Acre: o humor acreano de todos os tempos. Rio Branco: Bobgraf, 2000. p.78 e 139

> Neste blog acesse aqui outros textos de José Chalub Leite.
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