quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SENTADO NO MATO EM PLENO SOL

Robert Frost (1874-1963)


Houve uma vez e foi só esta
Em que a poeira abriu-se para o sol
E deste único contato de fogo
Tudo ainda suspira calorosamente.

E se os homens em vigília prolongada
Nem assim vissem o lado banhado de sol
Voltar à vida e sair rastejando
Não devemos levianamente zombar.

Deus um dia declarou que era verdadeiro
Mas depois tomou o céu e se retirou;
E lembre-se do silêncio tão total
Que sobre o mato, então, desceu.

Deus já conheceu cada qual por seu nome
O sol já um dia sua chama concedeu.
Um impulso permanece como alento,
O outro permanece como fé. 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.88
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