domingo, 23 de fevereiro de 2014

EMILY DICKINSON três poemas

Emily Dickinson (1830-1886)


Para preencher um Vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa – sua boca vai
                                               Mais se escancarar –
Não se pode soldar o Abismo
Com ar


Eu nunca vi o urzedo,
Eu nunca vi o mar –
Mas posso tanto a urze
Como a onda adivinhar.

Eu nunca falei com Deus
Nem nunca o céu visitei –
Mas sei que o lugar existe –
Como quem já teve o ‘visto’
Em sua passagem de trem.


A percepção de um Objeto custa
Justo a perda do Objeto.
A percepção é, em si mesma, um ganho
Respondendo por seu preço.

O Objeto Absoluto – é nada –
A Percepção é que o revela –
Depois censura a Perfeição
Que tão longe se encastela.


DICKINSON, Emily. Uma centena de poemas: Emily Dickinson. Tradução, introdução e notas por Aila de Oliveira Gomes. São Paulo: T.A. Queiroz: Ed. da Universidade de São Paulo, 1984. p.83, 131
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