Isaac Melo

“Ninguém nunca saberá o quanto custou a
minha jornada: as horas aos estudos, ao silêncio, às conquistas, aos
familiares, às confissões comigo, as perguntas, as decisões, a dor, a solidão,
as renúncias, a separação, as perdas, a saudade, a alegria, as vitórias. São
coisas somente minhas. Eu sei que algumas pessoas nascem póstumas. Não é
o meu caso. Sou uma ribeirinha que conquistou o mundo com muita luta. Nada foi
fácil, muitos espinhos, rios, riachos, montanhas e, também, abismos. Alcancei
vitórias para uma pessoa que nasceu no interior da Floresta Amazônica, onde não
existia rádio, luz elétrica, sem bonecas, brincando de amarelinha, mas leu
muitos livros e por eles empreendeu numerosas viagens. Mas nem por isso eu
estaria em completa contradição se esperasse, hoje, encontrar ouvidos e «mãos»
prontos para as «minhas» verdades. O que hoje ouço de mim é que falta muito
para alcançar, as mãos estão ainda abertas, os olhos atentos para as luzes do
mundo. Minha alma abraça a vida, isso parece-me mesmo normal. Sou uma peregrina
da vida! E nela aprendi que a sabedoria da vida é sempre mais profunda e mais
vasta do que a sabedoria do seres humanos e dos livros. Imannoel Kanta já
dizia, sabiamente que sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. Eu
sinto, profundamente, a VIDA!”
Luísa Lessa
Atualmente a professora Luísa
Lessa pertence à Academia Acreana de Letras, à Academia Brasileira de Filologia, e
teve alguns de seus textos adotados pela Secretaria de Educação do Estado de
São Paulo. Nutro uma profunda admiração pela professora Luísa. Dela retiro a
lição: os grandes homens, as grandes mulheres não nascem prontos. Fazem-se. E
tantas vezes a ferro e fogo. Mesmo que exerça alguma influência, não podemos
fazer do meio e das condições sócio-econômicas desculpas para o fracasso de
nossas vidas. Somos aquilo que podemos ser, que queremos ser e que nos
permitimos ser. Como dizia o nosso geógrafo Milton Santos, os orgãos da inteligência
são dois: o cérebro e a bunda. É sentar, e ler, ler, ler... no
entanto, como nos faz saber Luísa, sem descuidar do amor, “pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade”.
Um comentário:
Partilho de tua admiração Isaac, Luíza foi minha colega por muitos anos na UFAC e agora eu a tenho como companheira de Academia Acreana de Letras, onde somos confreiras. Ela é uma pessoa simples e querida, abençoada com uma inteligência invejável e mulher de grande sucesso na carreira. Meus parabéns sempre para ela.
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