sábado, 27 de abril de 2013

MÚSICA BRASILEIRA

Penso que a música brasileira (desculpem-me a generalização) não está em crise, mas é antes a sociedade que perdeu seus referenciais primordiais (éticos, morais etc.). Qualquer coisa vale, se vender. E rosto de jovenzinho afeminado vende mais ainda, que dirá corpo ‘sarado’, e se mostrar bunda de mulher, aí é sucesso absoluto. E se aparecer no Faustão é a glória do panteão (da mediocridade). A música que os principais meios de comunicação apresentam sequer merecem o nome de MÚSICA. É no máximo produto de mercado; portanto, sua função é vender; portanto, descartável. Duvido que daqui cem anos Michel Teló, Naldo e cia. ainda serão tocados; a não ser para se mostrar o que a música não é; ou, caso a humanidade tenha definhado de vez. O que é bem provável, se continuar nesse ritmo.

Porém. No entanto. Todavia. Há muitas pérolas entre essa sujidade toda. É só ver, por exemplo, programas como Sr. Brasil (Rolando Boldrin), Viola Minha Viola (Inezita Barroso), e outros desses canais de alcance mais limitado. Canções que nos tocam, que tem algo a nos dizer, nos desinstalam. E que não são imiscuidas de letras cheias de trocadilhos de cunho e apelo sexual. Sinceramente não sei o que um “lek, lek, lek” pode acrescentar à existência de uma criatura. Mas ninguém dá aquilo que não tem. Inteligência não se passa por osmose. É muito melhor virá foquinha de auditório do Sílvio Santos, a bater palmas, do que estimular um pouco o cérebro procurando perceber, por exemplo, o que está por trás da música “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil, que torna a canção ainda mais bela e significativa. É claro que numa festa ou numa balada não se vai filosofar sobre o que uma música quer dizer ou deixa de dizer. Por sua vez, ouvir Luan Santana, em sã consciência, já acho uma insanidade. Mas como se diz: “gosto não se discute”. Eu prefiro discutir, a descer goela abaixo qualquer coisa que pode ser tudo, menos música.


Clique para ouvir a bela interpretação de Maria Bethânia de Cálice.
Postar um comentário